A depressão já é considerada o “mal do século”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) ela é um transtorno psiquiátrico que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.

Só para ter uma ideia, o Brasil tem a maior taxa da América Latina, com 5,8% da população afetada pelos sintomas da depressão, em um total de 11,5 milhões de pessoas.

Além disso, o país está à frente de países como o Chile e Uruguai, além de liderar os índices de pessoas afetadas pela ansiedade na América Latina.

No mundo, a doença é o principal fator de incapacidade no mundo (7,5%), sendo também a principal causa de mortes por suicídio, com aproximadamente 800 mil casos ao ano.

Mas, afinal, o que é depressão e como ela atua no nosso corpo?

O que é depressão?

A depressão é uma doença grave, que apresenta os seguintes sintomas:

A depressão afeta negativamente a forma como a gente se sente, pensa e vive. Contudo, existe tratamento, que geralmente envolve terapia.

De um ponto de vista cerebral, ficamos deprimidos quando o corpo para de produzir neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina. Ou seja, essas substâncias são responsáveis por transmitir os sentimentos de alegria e bem-estar.

Esse desequilíbrio bioquímico do cérebro é o que faz você se sentir sempre desanimado e triste. Dessa forma, a tristeza e infelicidade estimula outras reações fisiológicas no nosso corpo.

Assista ao vídeo: “Um cachorro preto chamado depressão” que retrata como os sintomas são algo muito mais comuns do que imaginamos.

No geral, todos nós nos sentimos tristes ou deprimidos às vezes. É uma reação normal à perda ou lutas da vida.

Mas, quando essa tristeza é muito grande, dura por muito tempo e te impede de viver sua vida, ela pode ser um sinal de alerta para algo mais sério como a depressão.

Por isso, é importante ficar atento e saber quais são os sintomas que a doença apresenta.

Quais os sintomas de depressão?

Os sintomas da depressão mais comuns são:

Diferenciar tristeza de depressão talvez seja uma das maiores dificuldades e algo que nos impede de procurar ajuda na hora certa. Então, vamos entender como identificar o que é um ou outro.

Mas, afinal, é tristeza ou depressão?

Para tirar a dúvida, conversamos com a psicóloga e especialista do Zenklub, Tatiana Festi. Segundo Tatiana, a tristeza é uma reação natural a situações difíceis, além disso sentir tristeza é saudável.

Nos sentimos tristes diante de uma perda, de uma doença, separação, mudança de emprego ou mudança de fase de vida.

Já a depressão é uma doença, onde a tristeza pode ser um de seus afeitos. Além disso, vem sempre acompanhada por outros sintomas como os que já falamos por aqui.

Portanto, devemos sim ficar atentos ao sentimento de tristeza, até porque ele pode vir acompanhado de outros sintomas. Confira os sinais de depressão que ajudam a identificar a doença:

Reação apropriada X reações extremas

O sentimento de tristeza vem de uma reação apropriada a um evento e este sentimento não dura mais do que horas ou dias. Já na depressão as reações aos eventos são extremas. Ou seja, a pessoa tem a sensação de que as coisas não irão melhorar e o mal-estar não vai passar. Nesse caso, esse sentimento ruim pode durar meses ou até mesmo anos, mesmo quando as coisas que o causaram já passaram ou foram resolvidas.

Prazer X sentimento de vazio

Quando a pessoa está triste se sente sem vontade, mas seus sentimentos tendem a mudar durante o dia. Por outro lado, uma pessoa depressiva se sente vazia a maior parte do tempo, com a sensação de que sua vida está perdendo sentido. Por isso, passa a não conseguir fazer as coisas do dia-a-dia e deixa de sentir prazer e vontade de viver como antes.

Vitalidade X exaustão

A tristeza não impede que uma pessoa continue seguindo com a sua rotina. Por exemplo, ela trabalha, não deixa de conversar com amigos e segue com seus planos no dia-a-dia.

No entanto, a depressão faz com que a pessoa se afaste de amigos e familiares. Além disso, torna mais difícil fazer tarefas simples e cotidianas, podendo até evoluir para um quadro mais grave onde a pessoa não consegue mais fazer tarefa alguma.

Isso porque, a pessoa se sente cansada a maior parte do tempo, como se sua energia estivesse acabando. Além disso, é comum ter insônia ou sono excessivo, tensão muscular e compulsão alimentar, com perda ou ganho de peso.

Pensamentos negativos X distorção da realidade

Pensamentos negativos são algo que sentimos quando estamos tristes, e isso é comum. Geralmente acontecem quando estamos passando por momentos difíceis, mas tendem a sumir com o tempo.

No entanto, na depressão, esses pensamentos são distorcidos. Ou seja, a pessoa se julga culpada diante de situações ruins, se compara com outras pessoas e, mesmo quando conquista algo positivo, não aceita que foi mérito próprio.

Quem pode ter sintomas de depressão?

Esse quadro afeta pessoas de todas as idades, sem nenhuma distinção.

No entanto, por fatores culturais, alguns homens sentem vergonha de admitir e procuram melhorar a qualquer custo. Isso pode causar efeitos negativos como o abuso de álcool, drogas e outros vícios.

Pesquisas indicam que a morte por suicídio é quatro vezes maior para homens do que para mulheres.

No entanto, as mulheres sofrem mais com depressão. Os números apontam que as chances são 30% mais elevada do que nos homens. Isso porque a população feminina está mais exposta a eventos traumáticos, assim como mudanças hormonais, relacionamentos tóxicos, biologia e gravidez.

Nos idosos, nem sempre o transtorno é tratado, pois muitos acreditam que é normal nessa idade. Porém, problemas de memória, dores, alucinações, entre outros, podem ser sintomas de depressão.

Além disso, os índices de depressão na comunidade LGBTs são bem altos. Isso porque há muita discriminação social, abandono da família, problemas com colegas de trabalho ou de escola.

Crianças que sofreram traumas, têm transtorno de atenção e hiperatividade, dificuldade de aprendizagem e distúrbios de ansiedade podem se tornar pessoas com maior chance de desenvolver depressão.

Depressão na adolescência também é um assunto delicado, mas que acontece geralmente por falta de informação e atenção aos sintomas.

Quais as causas e fatores de risco da depressão?

Essa doença não tem uma causa específica mas pode vir de uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos.

Os principais fatores de risco da depressão são:

  • Fatores Genéticos: Ter um familiar próximo com o transtorno mental ou um transtorno de humor pode aumentar seu risco.
  • Distúrbio de sono: Os problemas crônicos de sono, como a insônia, estão associados à doença. Os especialistas não sabem se a falta de sono causa depressão, mas episódios de baixo humor parecem acompanhar períodos de sono fraco.
  • Circunstâncias da vida: Mesmo eventos felizes, como ter um bebê ou conseguir um novo emprego, podem aumentar o risco de algumas pessoas desenvolverem um quadro de depressão. Além disso, outros eventos da vida ligados à depressão incluem: perder um emprego, divórcio, mudança de cidade, aposentadoria e até a morte de um ente querido.
  • Abuso de substâncias: Drogas e álcool podem levar a mudanças químicas no cérebro que contribuem para desenvolver a doença. Mas a automedicação também pode resultar na depressão.
  • Doenças crônicas: Além disso, outras condições crônicas como diabetes, artrite, dor crônica, doença cardíaca ou da tireóide, podem ser fatores para o desenvolvimento da doença.

Outros tipos de depressão

Agora que você entendeu como a depressão acontece e quais os seus sintomas, conheça alguns tipos de depressão:

Distimia ou transtorno depressivo persistente

A distimia é uma forma crônica da depressão e que permanece por um longo prazo – pelo menos dois anos.

Depressão na gravidez e pós-parto

A gravidez é um momento muito sensível na vida de uma mulher. Ou seja, a mulher passa por uma série de mudanças físicas, psicológicas e sociais que transformam toda a sua vida.

Por isso, é possível que a mulher desenvolva distúrbios, como por exemplo a depressão na gravidez.

Além disso, após a gravidez, cerca de 15% das mulheres podem ser afetadas pela depressão pós-parto, sendo mais comum do que imaginamos. Nesses casos, a terapia com psicólogo é o tratamento ideal.

Depressão na adolescência

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão na adolescência atinge entre 10% e 20% dos jovens do mundo todo. Além disso, muitos jovens não recebem o tratamento adequado. Isso porque as pessoas tem pouca informação sobre a doença.

Tratamentos e terapias para depressão

A depressão tem cura e quanto mais cedo, mais eficaz o tratamento. Geralmente, o tratamento envolve a combinação de medicação e terapia.

O psicólogo e o psiquiatra devem andar juntos no tratamento do problema. Ou seja, o primeiro vai atacar as fobias e o segundo vai indicar a medicação adequada para acabar com os sintomas de depressão.

Os tratamentos são complementares e demoram alguns meses, mas são fundamentais para a cura.

O psicólogo Felipe Epaminondas indica:

Uma vida equilibrada, alimentação saudável e moderada, atividade física, momentos de relaxamento trazem benefícios físicos e psicológicos.

O Felipe explica como dar a volta à depressão no bate papo abaixo:

Terapia

A psicoterapia online ou presencial ajuda você a trabalhar a raiz do problema. Ou seja, você passa a entender por que você se sente de determinada forma, quais são os seus gatilhos e o que você pode fazer para se manter saudável.

Alguns tipos de terapia te ensinam técnicas práticas sobre como reformular o pensamento negativo e empregar ferramentas comportamentais no combate aos sintomas da depressão.

Existem muitos tipos de terapia disponíveis e entre os métodos mais comuns utilizados para tratar depressão estão a terapia cognitivo-comportamental, terapia interpessoal e terapia psicodinâmica.

Medicação

A medicação pode ajudar a aliviar alguns dos sintomas, especialmente em casos moderados e graves, mas não cura a fonte do problema.

Somente um médico especializado poderá determinar tanto a necessidade do tratamento com remédios, quanto qual tipo de antidepressivo que deve ser usado.

Como vencer a depressão?

Praticar exercícios físicos pode ajudar no tratamento da depressão, assim como a medicação. Isso porque aumenta a serotonina, as endorfinas e também desencadeia o crescimento de novas células cerebrais e conexões.

Se isolar nas redes sociais também são fatores atenuantes favoráveis para a depressão. Por isso, mantenha contato presencial com amigos e familiares, ou considere se juntar a uma classe ou grupo.

Comer bem é importante para a sua saúde física e emocional. Comer refeições pequenas e equilibradas ao longo do dia irá ajudá-lo a manter sua energia e a minimizar as mudanças de humor.

Mude a sua vida

A depressão é uma doença que nos obriga a “dar um tempo”. Ela nos faz parar com a rotina, que talvez já não esteja mais trazendo crescimento pessoal.

O processo terapêutico pode ajudar tanto nos episódios de tristeza, quanto num quadro de depressão. Ou seja, a partir do entendimento das causas será possível mudar seus relacionamentos interpessoais.

Acima de tudo, você vai se reencontrar e, até mesmo, descobrir um novo sentido para a vida.

Faça um teste clínico de depressão

Essa avaliação deverá ser feita com um especialista, mas se você quiser verificar como anda o seu nível de ansiedade, faça nosso teste de depressão. Não é um diagnóstico preciso, mas te fornecerá informações importantes de como se autoavaliar.

Como ajudar a quem tem depressão?

Para você que está em dúvida como ajudar um familiar ou amigo que está com sintomas de depressão, não se preocupe, realmente não é uma tarefa fácil!

Busque ser compreensivo, paciente e afetuoso. Essas, com certeza, serão as suas melhores armas.

Caso essa situação seja um pouco mais complicada, procure você também a ajuda de um psicólogo, ele poderá te mostrar como se compreender melhor diante das adversidades e da novidade da situação.

Zenklub é a maior rede vídeo-consultas com especialistas em bem-estar emocional, onde você tem acesso a mais de 100 especialistas a qualquer hora, de qualquer lugar.

Veja o infográfico abaixo que ilustra bem o impacto da depressão no Brasil

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