Você já ouviu falar da Síndrome de Borderline? Cerca de 1,7% da população vive com esse transtorno de personalidade. Entre pessoas que já fazem tratamento psiquiátrico, esse número que sobe para 15-28%. Mas o que é o Transtorno de Personalidade Borderline?

O que é o Transtorno de Personalidade Borderline?

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um distúrbio caracterizado por instabilidade de humor, relacionamentos e comportamentos. É um dos tipos mais conhecidos de Transtornos de Personalidade, sendo chamado também de Transtorno de Personalidade Limítrofe ou Síndrome de Borderline.

Essas pessoas alternam momentos mais estáveis com surtos psicóticos e comportamentos descontrolados. Por terem grande instabilidade emocional, suas relações pessoas são, frequentemente, caóticas. Também vivem constantemente com sentimentos de sofrimento e angústia.

Borderline significa “fronteiriço” e foi estudado apenas em 1938 por Adolph Stern, um psicanalista americano. Porém, só na década de 1980 que o diagnóstico e a definição da síndrome foram afirmados com precisão. Antes disso, médicos e especialistas acreditavam que a personalidade era uma característica imutável nas pessoas.

Por ser um TP, quem é atingido apresenta um padrão distinto, rígido e duradouro de comportamentos. Pessoas com esse transtorno têm problemas para controlar seus pensamentos e gerenciar seus sentimentos, além de apresentarem comportamentos impulsivos e imprudentes.

Quais as causas do Borderline?

Apesar das causas do Borderline serem incertas, há determinados fatores que especialistas acreditam estar ligados ao desenvolvimento da doença:

Influência da genética

Não existe um gene responsável, mas há algumas evidências de que o desenvolvimento deste distúrbio relaciona-se com a genética.

Estudos realizados com gêmeos mostraram que, se um dos gêmeos sofre com o transtorno, há uma grande chance de que o outro também sofra.

Além disso, pessoas que tem um ou os dois pais Borderline também têm chances maiores.

Ambiente familiar e traumas na infância

Há uma quantidade significativa de pessoas com Síndrome de Borderline que relataram ter tido uma infância conturbada como consequência de um ambiente familiar instável.

Fatores como ter pais de personalidades hostis e o desenvolvimento da criança em um ambiente de muitos conflitos podem estar ligados ao aparecimento de traços da personalidade Borderline.

Traumas como abuso emocional, verbal e sexual durante a infância também podem contribuir para o surgimento dos sintomas e também de TEPT (Transtorno do estresse pós-traumático).

Alterações no cérebro

Alterações no cérebro também podem contribuir para o surgimento de traços Borderline.

Em estudos, pesquisadores descobriram que a parte do cérebro responsável por regular as emoções da pessoa, são menores e mais ativas do que o normal, o que pode explicar a intensidade dos sentimentos experienciados por pessoas com esse transtorno.

Além disso, a parte cerebral responsável pelo autocontrole também é menor do que a de pessoas “saudáveis”, o que pode ser associado à extrema impulsividade da pessoa que sofre de TPB.

Como identificar o Transtorno Borderline?

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline se caracterizam especialmente por sofrer grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e extremos (o famoso “8 ou 80”), medo irracional de abandono e sentimentos profundos de vazio e tédio.

Por terem súbitas e profunda de humor, as pessoas costumam ter relações interpessoais muito intensas, instáveis e até caóticas, tornando o convívio com elas extremamente difícil.

Eles também podem apresentar comportamentos de autossabotagem, como, às vezes, não sabem lidar com o sucesso, é comum abandonem suas metas justo quando a perspectiva de consegui-las está bem próxima.

Quais os sintomas de borderline?

  • Instabilidade afetiva e alterações intensas de humor
  • Episódios de disforia (mal-estar), irritabilidade ou ansiedade, que podem durar horas a alguns dias
  • Raiva ou ódio inapropriados, intensos e de difícil controle
  • Sentimentos crônicos de vazio e tédio
  • Recorrentes tentativas ou ameaças de suicídio e automutilação
  • Padrão de relacionamentos instáveis e intensos, marcado por extremos de idealização e desvalorização (como o amor ou ódio, bom ou mau)
  • Extrema impulsividade e compulsão em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais, como gastos financeiros, sexo, drogas, álcool, vícios, comida e cleptomania
  • Esforços constantes e intensos para evitar um abandono/rejeição real ou imaginário
  • Crises de identidade: autoimagem, autoestima, sexualidade, gostos e valores instáveis
  • Comportamentos paranoides temporários, devido ao estresse ou sintomas dissociativos graves

Os sintomas de TPB podem começar a aparecer na adolescência ou no início da vida adulta. No entanto, o diagnóstico não costuma ser feito em adolescentes. Isso porque, nessa fase, a personalidade ainda está em formação e alguns traços considerados borderline podem sumir com os anos.

Como é feito o diagnóstico?

Não há um exame físico ou clínico, como o de sangue, que identificam os sintomas em pessoas com o Transtorno. O diagnóstico poderá ser feito de forma precisa com um especialista em bem-estar emocional, como os psicólogos e médicos psiquiatras.

Neste teste o profissional irá avaliar o histórico médico, tanto da própria pessoa como o familiar, além de exame fisiológico para excluir a possibilidade de doenças mentais com características parecidas com o borderline, como a esquizofrenia ou até a depressão.

Quais são os tipos de borderline?

Apesar de não existir uma classificação oficial e científica, há alguns autores que criaram subtipos para expressar essas diferenças. Vamos explicar duas das classificações mais conhecidas:

Classificação de Randi Kreger

O autor Randi Kreger classificou o Transtorno de Personalidade em 2 tipos:

  • Borderline Convencional

    Também conhecido como Borderline de Funcionamento Baixo, este é o transtorno em que a pessoa apresenta sintomas mais autodestrutivos, podendo ser frequentemente internado por tentativas de automutilação e pensamentos de suicídio.
  • Borderline Invisível

    A pessoa com esse tipo, aparenta levar uma vida comum e, muitas vezes, nem se percebe que ele sofre desse transtorno. Pode levar rotinas normais de trabalho, estudo e não apresentam frequência em comportamentos autodestrutivos.

    Por outro lado, o transtorno se acaba se manifestando em seus relacionamentos, no abuso verbal, críticas e até mesmo violência física. Esse tipo de borderline “desconta” sua raiva nos outros.

Classificação de Theodor Milton

Já o autor Theodor Milton criou 4 subtipos para classificar as diferentes manifestações do Transtorno de Personalidade Borderline:

  • Borderline Desencorajado

    Podem ter características de personalidade esquiva, incluindo isolamento, ser flexível, submisso e leal. Costumam se sentir vulneráveis e em constante perigo.
  • Borderline Petulante

    Comportamento passivo-agressivo, impaciente, inquieto, teimoso, desafiante, pessimista e rancoroso. É rapidamente desiludido.
  • Borderline Impulsivo

    Tendem a ser caprichosos, superficiais, distraídos, indecisos, frenéticos e sedutores. Sob ameaça de abandono ou perda, tornam-se sombrios e irritáveis. São potencialmente suicidas.
  • Borderline Autodestrutivo

    Podem ter comportamentos depressivos ou masoquistas – sua raiva é autopunitiva. Tendem a ser conformistas, tensos e mal-humorados.

Borderline tem cura?

Tecnicamente, não. Porém, quando tratado adequadamente, quem sofre do transtorno pode melhorar sua qualidade de vida e relações pessoais.

Além disso, os sintomas costumam melhorar com o passar do tempo. Por volta dos 40 anos de idade, grande parte das pessoas borderline podem ver seus sintomas sumirem.

Quais os tratamentos possíveis para esse transtorno?

O tratamento dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline é em grande parte feito por meio da orientação psicológica, podendo estar associada a medicamentos estabilizadores de humor, antidepressivos e antipsicóticos.

  • Medicamentos:

    Não existe um medicamento específico para tratar o Transtorno, mas há certos remédios eficazes para controlar alguns sintomas da doença.

    Os antidepressivos são usados para reduzir a sensação de vazio, os antipsicóticos para diminuir comportamentos impulsivos, os autodestrutivos e sintomas dissociativos e os estabilizadores de humor para diminuir a oscilação emocional.

    Toda medicação deverá ser acompanhada pela indicação profissional e deve-se evitar o abuso de substâncias.
  • Terapia:

    Há três tipos de psicoterapias que auxiliam no tratamento de pessoas com o Transtorno de Borderline, veja.

    Terapia Cognitivo Comportamental

    A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) ajuda a pessoa a identificar e transformar determinados comportamentos e crenças prejudiciais a si mesma e a outras pessoas.

    Com esse tipo de terapia, a pessoa aprende a lidar melhor com pensamentos paranoicos, a compreender suas emoções e controlá-las e também reduzir a ansiedade e comportamentos autodestrutivos.

    Terapia Comportamental Dialética

    Essa abordagem de terapia baseia-se no conceito de consciência plena e tem o objetivo de promover a eficácia interpessoal, regulação emocional, tolerância ao estresse e autocontrole.

    Terapia familiar ou matrimonial

    O alvo desse tipo de ter terapia são as relações interpessoais, que são abaladas pelo transtorno. A terapia familiar ajuda os familiares a entender melhor a condição em que se encontra o Borderline e a desenvolver técnicas para evitar conflitos e melhorar a comunicação.

Pessoas que revelaram ter Borderline

Estima-se que a síndrome de Borderline atinge homens e mulheres, mas desse total, 75% dos casos são em pessoas do sexo feminino.

Entre os casos mais conhecidos entre celebridades e pessoas famosas, temos nomes como Britney Spears, Angelina Jolie, Lindsay Lohan, Amy Winehouse, Marilyn Monroe, Lady Day, Kurt Cobain, Woody Allen e Jim Carrey.

Filmes sobre transtorno de personalidade borderline

Se você quer buscar mais informações sobre TPB ou apenas ver como a síndrome é retratada no cinema, confira:

  • Gia – Fama e destruição (1998);
  • Garota interrompida (1999);
  • Sete dias com Marilyn (2010)

Como você pode ajudar uma pessoa com a Síndrome de Borderline?

O transtorno também pode abalar as pessoas que convivem com pacientes diagnosticados com borderline, como amigos e familiares, e é normal você se questionar como pode desempenhar um papel mais proativo e de força e colaboração para a superação desse problema.

Além do apoio emocional e do incentivo a procura de um especialista e da frequência nas sessões de terapia, é importante também ter paciência e acompanhar o tratamento mais de perto para que você consiga captar e aprender melhor como lidar com as situações difíceis e de crise, por exemplo.

Situações de crise e de emergência podem ocorrer e é preciso buscar o especialista responsável pelo tratamento e peça ajuda. Caso a pessoa ainda não esteja em tratamento, poderá ser necessário a ida a um pronto-socorro ou a um ambulatório de psiquiatria para conter a crise e receber as orientações necessárias.

O mais importante é:

Mantenha a calma, mesmo que seja difícil e procure ajuda, nem tudo podemos resolver sozinhos!

Como dar o primeiro passo

Sabemos que muitas pessoas nunca experimentaram as vantagens da psicologia e da psicoterapia no cuidado e respeito com o seu próprio bem-estar emocional.

Muitas pessoas têm até certo preconceito e dúvidas sobre a qualidade do tratamento, mas acredite, você só vai descobrir os benefícios e quebrar esse tabu quando experimentar uma sessão.

Aqui no Zenklub, contamos com a parceria de especialistas em bem-estar emocional, que selecionamos a dedo para conectar, através de sessões por videoconsulta, profissionais como psicólogos, terapeutas e coaches, para que você realize as suas sessões onde e quando você quiser.

Esses especialistas irão te ajudar a encontrar ferramentas para você superar os seus desafios e inseguranças do dia a dia, e também tratar Transtornos reais como a Síndrome de Borderline e tantos outros como, crise de ansiedade, depressão e angústia.

Na dúvida, às vezes é melhor prevenir que remediar e nós podemos te ajudar a encontrar o caminho para as soluções das suas questões emocionais.

O mais importante é ter a consciência e confiança de que é possível fazer um tratamento e que essa luta só depende de você.

Para casos mais avançados, com chances de suicídio, não deixe de ter por perto o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV), com o número 141. Lá você encontra profissionais capacitados para ajudar você ou a quem precisar, em um momento de crise.

O serviço é disponível a toda a sociedade e as chamadas são confidenciais.

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