A compulsão alimentar é um problema de saúde mental que atinge milhares de pessoas no mundo todo.

Em resumo, uma das características desse transtorno são os episódios recorrentes onde a pessoa come demais sem ter fome ou até mesmo come tanto até o ponto de se sentir mal.

Mas, se você passa por isso também, não se culpe. Você não está sozinho. 

A compulsão alimentar tem tratamento e vamos te mostrar que, com a ajuda de especialistas e com acesso a informação, você pode superar esse desafio.

Veja também os comentários e dicas das especialistas e psicólogas do Zenklub, Fernanda Jacovozzi e Nathalia Oliveira.

O que é a compulsão alimentar?

A compulsão alimentar é um transtorno categorizado pelo DSM V e CID-10 chamado de transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP).

Muita gente pensa: “Eu como muito, então eu tenho compulsão alimentar”.

Mas, na verdade o que é compulsão alimentar vai muito além disso.

Então, para identificar se você realmente está sofrendo desse problema é preciso a avaliação de um especialista, como um psicólogo. Só assim você pode ter um diagnóstico certo.

Compulsão alimentar são episódios de compulsão por comida de pelo menos uma vez por semana e por pelo menos três meses.

Essa é uma maneira de definir um tempo para saber se é realmente um problema contínuo. Além disso, nesses momentos é comum que a pessoa sinta angústia e culpa.

Durante essas crises, a pessoa não sabe como controlar a compulsão alimentar. Ou seja, a pessoa perde controle da quantidade e do tipo de alimento que está comendo.

No geral, eles comem produtos de baixo ganho alimentar, sem ter fome, mais do que necessário e até mesmo passando mal.

Para alguns, comer rápido demais também é um agravante, além de se isolar durante as refeições e até tenta se esconder para que ninguém as veja comendo.

Esses comportamentos podem ter outras consequências, como por exemplo deixar a pessoa mais introvertida e antissocial.

Mas, vale lembrar que se você gosta de um chocolate todo dia ou repete quando gosta muito de uma comida, provavelmente, você não vive com o transtorno de compulsão alimentar.

Sentimentos envolvidos no  transtorno de compulsão alimentar

Como já falamos, a culpa e a angústia caminham bem próximas de quem vive com esse transtorno. Além disso, tem a sensação de fracasso e de arrependimento por passar por isso.

É possível também ter sintomas de ansiedade e depressão em graus mais acentuados e é por conta desses sentimentos que pessoas com distúrbios alimentares devem procurar mais profissionais da saúde mental e emocional, como psicólogos e psiquiatras.

Para a especialista Nathalia:

“A obesidade hoje é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, e no Brasil cerca de 57% da população está acima do peso. Existem vários fatores que contribuem para esse quadro, como genéticos, ambientais, emocionais e também o estilo de vida”

Quando os especialistas são procurados para tratar questões do peso, o paciente traz outras questões dentro da sua história que contribuíram para isso.

Geralmente a pessoa tem uma percepção confusa de si mesma, se desvaloriza e não acredita que consegue mudar seu estilo de vida.

Causas mais comuns do transtorno da compulsão alimentar periódica

Existem vários motivos que podem contribuir para que uma pessoa desenvolva o transtorno da compulsão alimentar periódica. Vamos explicar agora alguns dos motivos mais comuns pra te ajudar a identificar.

Os motivos podem estar no seu dia a dia, como por exemplo uma dieta muito extrema que você fez por conta própria.

Isso porque, algumas dietas deixam as pessoas com ainda mais desejo por alimentos que estão restritos e, por isso, ativam a sensação de depressão.

O estresse e o desconforto emocional também podem te atrapalhar e muito. Isso porque você se sente mal e busca por alimentos que gosta pra melhorar, como uma compensação.

Por último, precisamos conversar sobre a sua autoestima. É muito normal termos questionamentos sobre a nossa aparência e o nosso corpo.

Mas, passar fome ou tomar remédio para emagrecer por conta própria não ajudam. Isso não resolve em nada e, predispõe o surgimento de compulsão alimentar.

Há também quem fique mais sensível a comentários externos e reaja desenvolvendo a compulsão alimentar, e outros problemas.A dica aqui é tentar trabalhar a sua autoestima buscando pensamentos e atitudes positivas, recebendo as críticas construtivas e ignorando as que lhe tentam encaixar em padrões criados para sociedade e que não lhe farão bem.

Cultura do emagrecimento e a compulsão alimentar

Fernanda salienta ainda entre as causas para esse transtorno, a cultura que a sociedade e a mídia nos impõe pela questão do corpo ideal.

“Sabemos que hoje em dia a pressão por um corpo dentro dos “padrões” é ainda muito forte e influenciada pelas mídias, que partem de uma insatisfação do ser humano para vender esses padrões e formas de atingi-lo.

Muitas vezes essa cobrança vem de dentro de casa, no trabalho ou dos amigos. Isso contribui para que as pessoas busquem a todo custo mudar seu corpo para pertencer a um padrão.

Gordofobia: existe mesmo?

A gordofobia é o termo utilizado para significar pessoas que tem aversão à gordura e à pessoas gordas.

“Geralmente a gordofobia vem disfarçada pelo cuidado com a saúde da pessoa gorda, mas esse termo é muito mais que um preconceito, é aversão, é ter repulsa e até inferiorizar a pessoa gorda e, infelizmente, essa prática ainda está muito presente em nossa sociedade. Quando somos incentivados a aceitar apenas o que nos é imposto, tudo que é diferente torna-se estranho, e ai surge o preconceito.”, afirma Fernanda.

Riscos e complicações da compulsão alimentar

Agora vamos atentar sobre os riscos e complicações que a compulsão alimentar pode desenvolver em quem possui o transtorno.

A notícia não é boa para quem não busca tratamento, pois problemas respiratórios, vasculares, cardíacos e de diabetes são bem comuns.

Além disso, transtornos como depressão e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), também, além de obesidade (presente em 75% dos casos), anorexia e bulimia aparecem.

Peça ajuda

Não é só com o uso de medicação que os sintomas irão desaparecer. Psicólogos, psiquiatras e nutricionistas são peças fundamentais nesse tratamento, cada qual com a sua especialidade e capacidade de atuação.

“Emagrecer não é a solução para todos os problemas, muitas pessoas que estão acima do peso não buscam por isso quando pedem ajuda. É um processo de autoconhecimento, amor próprio e valorização de si mesmo. Se reconhecer e entender o que realmente é importante para você”, finaliza Fernanda.

A compulsão alimentar tem cura e você pode e deve encarar o desafio.

Além do apoio profissional, a mudança de hábito também fará a diferença, por isso, busque praticar exercícios físicos regularmente e se aproxime de atividades que te ajudam a manter uma conexão mental com o seu corpo, como a yoga e a meditação.

Fica a dica!

A compulsão alimentar pode atingir tanto homens quanto mulheres, acima do peso ou não, e em qualquer idade, apesar de ser mais comum em jovens de 20 a 30 anos.

Afastar os maus pensamentos que ajudam a desenvolver a compulsão alimentar é uma tarefa difícil, mas não é impossível.

Trabalhe a sua autoestima e busque ajuda se sentir incomodado com seus hábitos alimentares e seus pensamentos de fuga para os problemas.

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Publicado por:

Rui Brandao

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Rui Brandao

Rui Brandão é médico, com experiência em Portugal, Brasil e Estados Unidos da América, e mestre em Administração pela FGV em São Paulo. Hoje é CEO & Co-fundador do Zenklub, plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal que oferece conteúdos, profissionais e ferramentas especializadas para mais de 1.5 milhões de pessoas no Brasil.