Em todos os momentos da vida é necessário discutir a respeito de saúde mental, na gestação não seria diferente. Nos nove meses que antecedem o nascimento de um filho, nasce uma mãe.

E em meio a tantas mudanças, questionamentos, expectativas e incertezas é de extrema importância realizar acompanhamento psicológico. 

O que é saúde mental? 

Muito se fala sobre saúde mental, porém é necessário entender seu conceito. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS),  saúde mental é um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe as suas capacidades, enfrenta os estressores normais da vida, trabalha produtivamente e de modo frutífero, contribuindo para a sua comunidade. 

Além disso, é importante entender que o processo de saúde doença é extremamente particular, logo, estar saudável está relacionado com a capacidade de adoecer e voltar ao normal e não com o não adoecer (CAGUILHEM, 2002; SAFATLE, 2011). Então, a partir dessa ideia, podemos discutir os aspectos psicológicos da gestação. 

Aspectos psicológicos da gestação e suas mudanças 

Primeiro trimestre

Considerado a fase do duplo segredo, a mãe ainda não parece grávida e os outros não a enxergam como tal. Por isso, muitas vezes, os pais optam por não contar da gestação para amigos e familiares durante esse período, devido a incerteza da viabilidade da gestação (constatada apenas na décima segunda semana). 

Aqui iniciam-se as expectativas e medos, ao mesmo tempo que a mãe fantasia como será quando seu bebê nascer, sua nova rotina, seu novo papel e sua nova relação com o mundo, teme que a gestação não vá adiante. 

Segundo e terceiro trimestre 

Confirmada a viabilidade da gestação, é o momento da dupla propaganda, pois devido às mudanças biológicas, a gestante passa a parecer grávida e ser tratada como tal por todos. 

É o momento em que a gestante revisita sua infância e toma a mãe como modelo: do que fazer ou do que não fazer. Então, nesse momento, é muito comum que  a relação que a gestante teve com sua própria mãe interfira nas suas expectativas: “Será que vou conseguir ser uma mãe tão boa quanto a minha mãe?” ou ainda “mas será que eu vou ser uma mãe ruim como a que eu tive?”

Esses questionamentos fazem parte do processo do se enxergar como mãe e não só como filha. De se apropriar do seu novo papel como mãe. 

Além disso, em relação às mudanças físicas, é muito particular: algumas mulheres se sentem lindas grávidas e outras não. Por isso é importante saber que não há regras e que não há motivo de se sentir culpada por não se sentir tão bonita. 

Prevalência de transtornos mentais na gestação

  • Estima-se que 1 a cada 5 gestantes desenvolve algum transtorno mental durante a gravidez, sendo depressão e ansiedade os mais comuns (WHO, 2015; SHOREY et al., 2018).
  • Estudo retrospectivo com 38 mil grávidas evidenciou que
    9,3% apresentaram depressão, 16,9% transtorno de ansiedade, 24,2% transtornos somatoformes/dissociativos e 11,7% de reações agudas de estresse (WALLWIENER  et al., 2019). 
  • Estudo chinês evidenciou que a prevalência do estado de ansiedade foi de 22,7%, 17,4% e 20,8% no primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente. Além disso, a taxa de prevalência correspondente do estado de depressão foi de 35,7%, 24,0% e 26,1% (ZHANG et al., 2018).
  • Método diagnóstico: a Escala de Autoavaliação de Ansiedade e a Escala de Autoavaliação de Depressão (ZHANG et al., 2018).

Fatores de risco para desenvolvimento de transtornos mentais durante a gestação 

  • Falta de rede de apoio;
  • Insatisfação conjugal;
  • Gravidez indesejada;
  •  Eventos estressantes nos últimos 12 meses;
  •  Violência doméstica;
  • Abuso de substâncias;
  • Abuso sexual durante a infância;
  • Histórico prévio de transtorno mental (CAMACHO, 2006; ALIPOUR, 2018) 

E a pandemia nisso tudo? 

Estudos chineses e canadenses evidenciaram o aumento de depressão e ansiedade em mulheres no período perinatal (LEBEL et al., 2020 ; WU et al., 2020), além da possibilidade de contágio, o medo e a falta de informação serem extremamentes estressantes para gestante (MOTRICO et al., 2020). Além disso, o isolamento social acarretou em outras consequências para as gestantes, como: 

  • Alteração na rotina acompanhamento pré-natal (MOTRICO et al., 2020). 
  • Perda de suporte psicológico (MOTRICO et al., 2020). 
  • Violência doméstica (MOTRICO et al., 2020). 
  • Diminuição da renda (MOTRICO et al., 2020). 
  • Acentuação dos fatores de risco já citados (MOTRICO et al., 2020). 

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Referências

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health: strengthening our response. 2018. Disponível em: <https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-strengthening-our-response>. Acesso em: 08 out de 2020.

CANGUILHEM, G. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002. 

ALIPOUR, Z. et al. The most important risk factors affecting mental health during pregnancy: A systematic review. Eastern Mediterranean Health Journal, v. 24, n. 6, p. 549–559, 2018. 

ZHANG, Y. et al. Prevalence and relevant factors of anxiety and depression among pregnant women in a cohort study from south-east China. Journal of Reproductive and Infant Psychology, v. 36, n. 5, p. 519–529, 2018.

WU, Y. et al. Perinatal depression of women along with 2019 novel coronavirus breakout in China. SSRN Electronic Journal, 2020. 

LEBEL, C et al. Elevated depression and anxiety among pregnant individuals during the COVID-19 pandemic (PsyArXiv Preprints), 2020. 

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Publicado por:

Victoria Grassi

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Victoria Grassi

Psicóloga clínica (CRP 08/30210) e Mestre em Tecnologia em Saúde pela PUCPR, instituição onde cursa doutorado. Atende pacientes adolescentes e adultos orientada pela psicanálise.