Padrão de beleza pra quem?

24 fevereiro, 2021 |

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Falar sobre padrão de beleza tem muito a ver com o que se espera da mulher. Desde sempre, quando sentem que não são magras o suficiente ou bonitas dentro do padrão estético imposto, julgam seu verdadeiro valor e sucesso. Isso acontece pois tudo isso foi normalizado pela sociedade desde a infância e, consequentemente, internalizado.

Claro, homens também sofrem com a influência que o padrão de beleza inalcançável detém. Mas até as características básicas do ser humano, como os pelos, são vistos com inadequação no corpo feminino. Concluímos, juntamente com diversos teóricos e pensadores sobre o assunto, que a expectativa quanto ao padrão de beleza é ainda maior para as mulheres.

Hoje, blogueiras fitness são um dos grandes parâmetros de beleza. Desde o corpo magérrimo, o bronzeado, as sobrancelhas e os lábios micropigmentados e o rosto com harmonização facial, são elas que dominam as redes sociais e a mídia.

E foi sempre assim, cada época com seus padrões estéticos, fazendo com que as mulheres se questionem o tempo todo e viva em busca de “melhorar” a aparência a todo custo. Mas, precisamos mesmo seguir isso? A resposta é só uma: não!

Conversamos com Lettícia Munniz, apresentadora, modelo e influenciadora digital que se posiciona contra os padrões estéticos em nosso podcast de saúde mental e bem-estar, o Zencast. Acompanhe mais sobre o assunto abaixo e dê play para ouvir tudo que ela nos ensinou.

O padrão de beleza não é democrático

Mesmo em uma sociedade democrática, as mulheres tornaram-se escravas da indústria da beleza. Tão difundida pela publicidade, esse padrão de beleza causa auto rejeição, angústia e problemas de auto estima desde a juventude.

Pessoas perdem o prazer de viver, criam fobias sociais, desenvolvem ansiedade, compulsões ou distúrbios alimentares por estarem inconformadas com sua forma física. Sempre com o intuito de ficar, pelo menos um pouco, mais parecidas com aquele modelo ideal. A verdade é que travamos uma guerra contra o espelho, contra quem verdadeiramente somos. 

“Colocam isso na gente, né? Que a nossa vida, não interessa a profissão que você escolher, não vai acontecer se você não estiver dentro do padrão estético, do padrão magro.”

Além da pressão social, a vida profissional também é impactada. Aprendemos que pessoas em forma não sofrem nenhum tipo de preconceito, vivem felizes e com ascensão social constante.

Portanto, associa-se à imagem ao sucesso de uma pessoa, o que aumenta a carga emocional relacionada à aparência. Lettícia Munniz viveu isso na pele e conta, no Zencast: 

“Sou apresentadora formada, faço teatro há muitos anos, e quem são as atrizes, apresentadoras famosas? Tem alguma mulher gorda, fora do padrão? Então eu já fui ensinada também que pra minha carreira, eu não teria sucesso se eu não fosse magra. Colocaram na minha cabeça que eu não seria bem sucedida.”

E, nessa busca desenfreada por um ideal estético inatingível, começamos a perseguir uma vida que vemos nas redes sociais, não realista, que não cabe em nossos orçamentos e nos tornamos cada vez mais perfeccionistas. Por isso, o padrão de beleza nunca foi democrático, mas sim, desigual.

Padrão de beleza não considera a diversidade

Para emagrecer ou estar dentro do padrão de beleza é só se esforçar


Existe uma falsa ideia de que qualquer mulher consegue conquistar uma versão de si mais aceita pela sociedade, basta querer e se esforçar. E é assim que as mulheres, cada dia mais, dão poder às palavras destrutivas e até fomentam a competição feminina. 

“Dá muito trabalho emagrecer quando você não tem um corpo magro, quando não é da sua genética. Dá muito trabalho, é uma profissão. Você acorda e vai dormir vivendo pra isso.” diz Lettícia

Já mencionamos acima que o padrão de beleza é extremamente desigual. Além de não considerar todas as cores, não considera biotipos, contexto social, cultura, religião e tantas outras diversidades. É o que Letícia comenta:

“Eu sempre falo muito sobre essa pluralidade, por que eu acredito que não exista nenhuma mulher neste mundo que não sofreu ou sofre com pressão estética. Porque não importa o tamanho do seu corpo, quanto você veste, quanto você pesa, todas as mulheres sofrem pressão estética todos os dias.”

O padrão de beleza induz o consumo

A indústria do consumo e da beleza fortalecem diretamente o padrão de beleza injetando milhões e milhões no mercado.

Isso porque pessoas insatisfeitas estão constantemente em busca de melhorias, de aceitação, e a promessa de uma melhor auto estima é sempre vendida através de produtos estéticos cada vez mais modernos e ideais para reverter tudo que é natural: a diversidade, o envelhecimento e, principalmente, a não necessidade de se consumir algo para se sentir mais dentro de um padrão.

“A pressão estética é influenciada diretamente pelo capitalismo, né. Ele vende. No livro “O mito da beleza” de Naomi Wolf, ela fala muito isso, sobre o quanto nós mulheres destinamos o nosso orçamento para beleza e o quanto eles usam do orçamento deles, e o quanto isso influencia na mulher de ter poder econômico. Mexe com o capitalismo, mexe com o bolso. E é por isso que a gente quer sempre estar bonita, pra gente gastar e fazer a roda girar, né?”

Como se libertar do padrão de beleza?

Dizendo não ao padrão de beleza. Não importa o que as indústrias da moda, da beleza, do consumo e a mídia impõem, o quanto eles vendem que isso o fará ser bem aceito na sociedade e ter ascensão social. Quem deve ditar como seremos felizes e qual padrão devemos seguir, somos nós mesmos. 

“Se a gente não despertar para isso, a gente vai continuar acreditando que de fato esse é o único jeito de ser feliz, ser amado, ter sucesso e ter felicidade. O primeiro passo é decidir que você não quer mais isso.”

Pode ser difícil e talvez você não consiga amar o seu corpo de uma hora para outra, mas ter amor-próprio e gostar do próprio corpo é possível e necessário. É importante ter em mente que o corpo perfeito é um corpo que se sente livre para ser como é, é saudável, com autoestima e saúde mental em dia.

“Cansei de lutar contra mim mesma. Eu decidi que eu ia mudar isso, que eu não viveria mais assim. E que eu me destacaria sendo quem eu sou.”

Escolha cuidar de você, da sua saúde mental e da sua qualidade de vida em primeiro lugar. Entenda como um especialista do Zenklub pode te ajudar aqui.

Convidados

Lettícia Munniz

Apresentadora, influenciadora e modelo que luta para quebrar os padrões de beleza.

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