Comunicação Não-Violenta (CNV) com Dominic Barter

20 outubro, 2020 |

Você já votou neste post

Este artigo sobre Comunicação Não-Violenta (CNV) foi inspirado pelo Zencast gravado com o especialista Dominic Barker. Para saber mais, leia o texto completo e ouça o episódio no player acima.

Dominic Barter nasceu na Inglaterra e em 1992 veio ao Brasil pela primeira vez, e acabou percebendo terríveis abismos de entendimento entre diferentes grupos sociais onde morou, no Rio de Janeiro. A partir de então, começou a estudar os conflitos e a justiça restaurativa através da comunicação, começando então a promover oficialmente a Comunicação Não-Violenta (CNV) no país em meados de 2003.

Em um convite para falar ao nosso podcast, o Zencast, Dominic deu uma aula sobre o assunto, mostrando as diferentes e inúmeras facetas da abordagem, dentre: autoconhecimento, relacionamentos, empatia, conflitos e redução de conflitos, a comunicação em si e conexão.

Para saber um pouco mais do que foi discutido neste episódio, continue a leitura. Mas não deixe de entender mais profundamente sobre este assunto tão rico em nosso artigo completo de CNV.

Pra quê serve a Comunicação Não-Violenta (CNV)?

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma metodologia comunicacional desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg e é voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais. Quando falamos de “não-violência”, trata-se de falar e agir com atitudes positivas em lugar das negativas que nos dominam.

Ela não serve somente para reduzir conflitos, pois a CNV reconhece a importância das discordâncias. Então, é usada principalmente para criar um terreno em comum com nossos interlocutores, deixando que os relacionamentos tornam-se mais prazerosos e a comunicação mais profunda. 

Em resumo, a CNV é baseada em 4 pilares:

  • Observação (em vez de julgamento)
  • Sentimentos (em vez de avaliações)
  • Necessidades (em vez de estratégias)
  • Pedidos (em vez de ordens)

Para ilustrar as tantas camadas da metodologia, Dominic explica:

“O que faz com que pessoas tão diferentes, de criações, credos, países e idiomas diferentes, se conectem? Todas as diferenças que nos marcam – e são muito importantes – será que elas podem coexistir com o reconhecimento da nossa humanidade partilhada? Esse algo fundamental que nos liga?”

A CNV promove conexões

Quando falamos de conexão, estamos falando da qualidade de relação, que se baseia em escuta e ter certeza de que compreendemos e nos importamos com a fala do outro.

Não é preciso ser melhor amigo, ser íntimo ou falar sobre coisas profundas. Conexão é o mínimo que precisamos para construirmos interações inteligentes, que nos conduzem a caminhos de resultados positivos para, literalmente, todos. Faltam-nos experiências que mostrem que as diferenças são de fato relevantes. 

Segundo ele, “A CNV estuda como lidar com isso, para que a gente não confunda que pra estar junto com todo mundo, é preciso que todos concordem e partilhem da mesma opinião. E não é assim na prática.”

Escutar pode transformar a sua comunicação

No episódio, Dominic ressalta muito a importância da escuta ativa na CNV, seja pra gente mesmo, ou para o outro. Quando escutamos a nós mesmos com a mesma empatia a que damos a familiares e colegas, ouvimos também necessidades subjacentes. Em debates reais e significativos, a fala serve à escuta.

E, partindo do mesmo princípio, quanto mais escutamos o outro, mais eles nos escutarão, vivemos em um ciclo virtuoso. Quando perdemos esse poder de escuta ativa, ou seja, de ouvir estando presente e consciente com outro, é preocupante, pois a escuta é nosso acesso à compreensão.

“Quando escutamos os sentimentos e necessidades da outra pessoa, reconhecemos nossa humanidade em comum.” – Marshall Rosemberg

Uma Comunicação Não-Violenta (CNV) visa eliminar uma linguagem acusatória, de julgamento e rotulação. Um dos primeiros componentes da CNV acarreta necessariamente separar observação de avaliação, já que quando combinamos as duas, os outros tendem a receber isso como crítica e resistir ao que dizemos.

Quando palavras totalitárias como “nunca” e “sempre” são usadas como exagero de linguagem, por exemplo,  é comum que elas provoquem uma não-compaixão e reações defensivas. Nesses casos, pratique traduzir cada julgamento numa necessidade, que é sua, e não foi atendida.

Ele explica:

“Na minha fala, eu tenho que me preocupar com as palavras em um sentido para aumentar ao máximo a capacidade do ouvido da outra pessoa, de me ouvir. Mas o ouvido do outro também precisa exercitar a capacidade de ouvir de forma ativa e profunda.
É pensar: o que eu preciso fazer ao meu alcance para que o outro me compreenda? E o que eu preciso fazer para entender o outro independentemente de como ela se expressa?”

A Comunicação Não-Violenta vai além da linguagem. Ela nos convida a olhar para dentro e, aos poucos, sair da reação para a ação consciente diante das situações que a vida nos apresenta. Essa é parte da grandeza e simplicidade da Comunicação Não-Violenta. Não deixe de escutar o episódio para começar a aplicar a CNV na sua vida!

Mostrar comentários

Deixe seu comentário

13524