Autocobrança excessiva e seus impactos na saúde emocional

20 abril, 2020 |

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Você é dessas pessoas que sempre tem uma voz na cabeça falando coisas como: você poderia ter feito mais; não se dedicou o suficiente; não trabalhou da melhor maneira; esse resultado não ficou bom. Então, pode ser que você tenha uma autocobrança excessiva. Ou falando num bom português: você se cobra muito.

E se você já lê isso e começa se cobrar por ter autocobrança: respire fundo, silencie algumas vezes e não entre nessa bola de neve. Esse texto aqui não vai ser para falar o que você precisa melhorar. Até porque, é bem provável que você já dê o seu melhor sempre que pode. Pelo contrário, nós queremos levantar pontos para você começar a se questionar: será que eu posso pegar mais leve comigo mesmo?

Mas, primeiro, vamos começar pelo básico:

O que é a autocobrança excessiva?

Autocobrança faz parte da nossa vida. Afinal, saber se cobrar é importante e um traço que todo mundo tem em certa medida. Porém, quando esse olhar para si mesmo é pouco generoso e muito recorrente, começa a surgir a autocobrança excessiva.

Nos cobramos para conseguir atender diferentes expectativas, muitas vezes levando a uma sensação de prazer, satisfação e motivação. Porém, a autocobrança em excesso tem efeito oposto do esperado. A pessoa se vê cada vez mais insatisfeita e desmotivada – em casos mais intensos, até paralisada.

Isso acontece porque estar sempre esperando muito mais de si mesmo faz com que nada nunca esteja bom. E por mais que haja conquistas, elas são ofuscadas por supostos fracassos. A pessoa, então, se vê cansada de tanto tentar e acorrentada a um sentimento de incompetência.

De onde vem a autocobrança excessiva?

Cada pessoa tem a sua própria jornada. Logo, não é possível dizer uma fonte que seja a mesma para todos. Mas, com um olhar atento, vemos que existem certos padrões que se repetem em muitas das pessoas que se cobram em excesso.

Por exemplo: para alguns, a situação começa em casa, com pais que exigem demais do filho nos estudos; para outros, existe uma dificuldade de inserção na sociedade, que não os aceita da maneira como são; e ainda há aqueles que lidam com um cenário ultra-competitivo, mas que não lhes dá oportunidades o suficiente.

Fatores como esses, somados a qualidades únicas de cada um, fazem surgir uma crença de “eu não sou bom o suficiente” e “eu preciso me provar” (em geral, para si mesmo). E a maneira que encontram para tentar driblar, mesmo que sem sucesso, esses sentimentos negativos é se cobrando.

E como sair da autocobrança excessiva?

Bom, o primeiro passo é: não se cobre para mudar quem você é de uma hora para outra. Para o seu próprio bem-estar, essa não deve entrar como mais uma das várias tarefas que você se coloca. 

Em seguida, vá aos poucos se observando com mais generosidade e reconhecendo suas conquistas. Reconheça até aquele desafio pequeno que você superou. E quando você não conseguir algo, segure a autocobrança excessiva e pense: você teria mais generosidade se fosse outra pessoa supostamente falhando?; então, por que não tratar-se assim também?

Por fim, aceite-se – sua saúde emocional agradece. Aceite seus limites, suas potencialidades, seu ritmo, sua jornada e quem você é. Continue sempre evoluindo e se desenvolvendo, sem precisar ficar se forçando nem se colocando para baixo. O objetivo é trilhar o seu caminho com mais leveza.

Quer saber mais?

Existem algumas histórias que conseguem nos inspirar a olhar de maneira diferente para a nossa própria trajetória. Por isso, nós convidamos o Luiz Guilherme Prado, que talvez conheça do Quebrando o Tabu, para falar sobre os caminhos da vida dele – e você confere tudo no Zencast, nosso podcast sobre saúde emocional.

Entrevistado por Izabella Camargo, jornalista e host do Zencast, Luiz levou um papo bem descontraído, mas sobre temas que fazem toda a diferença, que vão de autocobrança excessiva a muito mais.

“Eu achava que era só eu me esforçar”

Luiz tem uma história impressionante, de conquistas que vieram cedo – mas que não necessariamente trouxeram a satisfação que ele queria. E foi quando ele entendeu a necessidade de procurar ajuda e reavaliar as dinâmicas em sua vida, ele disse o seguinte (que vale o destaque):

Eu passei a estar vivo

Procurar ajuda é importante!

Seja para lidar com a autocobrança excessiva ou com outras questões da sua saúde emocional, conte com a ajuda do seu grupo de apoio. Mas lembre-se que nenhum papo substitui a terapia, como Luiz pontua:

Todo apoio é importante. Mas é bom frisar que desabafo não é terapia. Conversa de bar não é medicação. Amigo não é psicólogo. 

E então, preparado para lidar com a sua autocobrança excessiva?

Quem se cobra muito está sempre a postos para se colocar uma nova meta inalcançável. Então, nossa dica para começar a lidar com a autocobrança excessiva é se dando um tempo. Vai sem pressa. E que tal começar tirando 30 minutos do seu dia para ouvir nossa entrevista com o Luiz? Bora?

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