Em princípio, é interessante o quanto nós, seres humanos, temos uma relação tão forte com o medo. É provável que o medo faça parte do nosso dia a dia em quase tudo que fazemos, realizamos ou mesmo projetamos.

Afinal, um dos conceitos da Psicanálise Analítica Junguiana fala sobre heranças emocionais, sentimentos que vêm de gerações anteriores e que são alojadas em uma espécie de inconsciente coletivo, comum a todos nós. 

Certamente, o medo faz parte de consciente coletivo.

O medo na história

Então, imagine que, há 12 mil anos, dois homens na savana caminhavam, buscando um ponto de caça para aquele dia.

De repente, um barulho estranho surge, e eles param para escutar melhor. 

Em princípio, um dos homens imagina que pode se tratar de um coelho ou uma presa pequena fácil de abater.

Ao mesmo tempo, o outro homem nem conclui seu pensamento e bate em disparada para um lugar seguro. De tal sorte que o homem ficou foi devorado por um leão.

De fato nós somos descendentes desse homem que correu tomado pelo medo. Assim, esta analogia tenta demonstrar que o medo está enraizado desde nossos ancestrais.

Bem como o medo de ser devorado, afinal, éramos praticamente a base da cadeia alimentar.

Isto é, não tínhamos garras, velocidade, força, nada que nos permita enfrentar frente a frente animais famintos e maiores.

Dessa maneira, a melhor forma de sobreviver, foi unirmos em grupos e nos defender.

Sem dúvida isso nos trouxe até os dias de hoje em sociedade. Unidos para sobreviver apesar do medo.

Nossa visão negativa do medo

Bem como pela importância que teve na formação de nossa sociedade, muita gente tem uma visão negativa do medo.

Posto que é muito comum se render ao medo diante do nosso histórico negativo. De fato um histórico hipervalorizado. 

Antes de tudo, é muito comum pontuarmos qualquer detalhe que tenha dado errado, utilizando como base para que nos anularmos perante as novas possibilidades.

Dessa forma, a valorização que damos às “coisas negativas” que acontecem em nosso dia a dia é tão forte, que nem percebemos mais o exagero. Ou seja, caiu no automático.

Uma pequena analogia sobre o medo

Por analogia que sempre faço, coloco uma situação hipotética:

Imagine uma jovem moça que mora em uma cidade grande e certo dia ela sai de casa pela manhã tomando 2 coletivos até chegar o trabalho.

De tal forma naquele dia ela entrega um relatório que estava a meses parado mas, por fim, entregou. Depois ela saiu para o almoço com o pessoal do escritório e no restaurante conheceu um rapaz interessante.

Tanto que quase perdeu o horário de retorno pois, a conversar tinha dado match e com isso trocaram contato. 

Contudo, retorna ao escritório e foi chamada pelo gerente de seu departamento, que elogiou o trabalho entregue naquele dia.

De tal sorte que o gerente lhe passou mais um projeto com um prazo de conclusão em 6 meses. Ou seja, mais seis meses de estágio garantido.

Sem dúvida esse novo projeto é simples e com isso ela tem tempo para estudar para a prova que terá a noite na faculdade naquele dia. 

Depois que encerrou o expediente ela toma mais 1 coletivo até a faculdade, faz aprova e recebe sua nota imediatamente. 

“Gabaritou”! Nota 10. 

Conforme saia da faculdade para tomar o transporte pra sua casa, o rapaz que conheceu no restaurante liga e conversam um pouco mais, deixando ela bem feliz. O “match” está evoluindo.

Com o fim das tarefas ao chegar na sua casa, entrando pelo portão a alça de sua bolsa arrebenta e o celular destrói caindo ao chão.

Então, imagine no dia seguinte, qual vai ser a primeira coisa que ela vai contar a sua amiga sobre o dia anterior?

Como se a importância que damos a negatividade, anula-se tudo o que aconteceu de bom.

O medo é um sentimento bom?

Enfim, a melhor forma de conviver com o nosso “medo natural” é usar-lo ao nosso favor. 

Isto é, quando nos propomos a fazer, comprar, desfazer, ou qualquer outra coisa em nossa vida, quando usamos o medo como fator de precaução, podemos ter resultados ótimos.

De acordo com o medo do prejuízo, pesquisamos melhor o valor das coisas, com o medo de desperdício, equilibramos os exageros e por ai vai.

Assim sendo, é importante dosar esse medo para que ele não impeça que você faça algo. 

Por certo, supondo que vai comprar algo de muito valor, é importante que faça uma pesquisa, analise, informação, e todos os cuidados necessários para fechar o negócio.

Da mesma forma, quando agimos por impulso, a probabilidade de erros, exageros, prejuízos é muito maior.

De acordo com o bom senso, é sempre bom ter os dois pés no chão mas, lembre-se que para andar, precisa tirar um de cada vez.

Já que, com os dois pés fixos no chão, sua vida para. Com os dois pés ao ar, você cai. Então um de cada vez, convivendo com o medo nosso de cada dia.

Eu posso te ajudar

Eu posso te ajudar a entender os seus seus sentimentos, emoções e, juntos, podemos falar sobre perdas, culpa, depressão, mudanças, autoestima, dores da alma e relacionamentos. Vem comigo nessa jornada rumo ao autoconhecimento.

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Publicado por:

Anselmo Duarte

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Anselmo Duarte

É Psicanalista, Escritor e Palestrante com formação em Psicanálise, filosofia, teologia, especializações em Terapias comportamentais e cognitivas como a Terapia Contemporânea, Terapia EMDR, Terapia Homeopática e doutorado em Psicanálise pela Sociedade Internacional de Psicanálise. Seus livros podem ser encontrados no site: anselmoduarte.com.