Ortorexia ou ortorexia nervosa é o nome dado a um transtorno caracterizado pela preocupação excessiva com a alimentação. Ou seja, quando a busca pelo alimento saudável se torna uma obsessão e, até mesmo, se transforma em uma doença. Embora o distúrbio seja novo e ainda pouco conhecido, requer atenção. Por isso, entenda o que é ortorexia, qual a sua ligação com a ansiedade e a diferença entre ortorexia e vigorexia.

Ortorexia: o que é

Ortorexia é um transtorno comportamental e alimentar que é a busca excessiva pelo alimento perfeito. Ou seja, a pessoa fica obcecada em consumir somente alimentos sem agrotóxicos, gordura, conservantes ou açúcar. Apesar de ser uma ideia boa para a saúde, tudo em excesso pode ser ruim.

Obsessão pela alimentação saudável

Em resumo, pessoas com ortorexia vivem uma busca incessante pela perfeição e pureza de seu consumo. Ou seja, são pessoas vidradas em rótulos e querem saber tudo sobre a produção e origem do produto.

Chegam a pesquisar informações como, por exemplo, qual foi a alimentação do boi, tipo de adubo utilizado no cultivo dos vegetais, entre outros.

E isso não acontece só na hora da compra, mas também, na hora de preparar. Por isso, tudo deve ser feito de forma calculada para não perder qualquer nutriente, sempre com pouco ou nada de sal e gordura.

Alimentação restritiva e desequilibrada

Como resultado, a pessoa com ortorexia nervosa acaba tendo uma dieta desequilibrada e cada vez mais restritiva. Então, o que era para ser bom para a saúde, se torna uma doença. Perda de peso, deficiência nutricional, anemia e osteoporose são algumas dessas consequências em longo prazo.

Saúde mental

Além de prejudicar a nutrição e o corpo, a ortorexia também prejudica a saúde mental. Estudos indicam que a ortorexia está relacionada ao transtorno obsessivo compulsivo, o TOC.

Uma característica bastante comum causada pela ortorexia é que seu comportamento gera angústia, culpa e ansiedade. Também costuma interferir na vida social. Por medo ou por quererem ter o controle de sua alimentação, as pessoas deixam de sair com os amigos, por exemplo. Com o tempo, esse isolamento social provoca ainda outras consequências.

Ortorexia: sintomas

Os sintomas da ortorexia são observados a partir de comportamentos como:

  • Pessoas com ortorexia nervosa costumam planejar muito as suas refeições e muitas vezes, acabam fazendo isso com dias e até semanas de antecedência
  • A alimentação passa ocupar a mente da pessoa com ortorexia. Ou seja, boa parte do seu tempo é gasto com planejamento, escolha dos alimentos, compras e preparo das refeições
  • A dedicação e preocupação em demasia acaba interferindo em outras áreas da vida como trabalho, estudos, relacionamentos, lazer, entre outras
  • Exclusão de grupos alimentares (por exemplo: gordura, proteínas, carboidratos) e produtos considerados impuros (conservantes, corantes, gordura trans etc.). Com o tempo, isso gera restrições alimentares cada vez maiores
  • Na mente da pessoa com ortorexia, a alimentação deve se basear em produtos orgânicos, livres de agrotóxicos ou qualquer processo químico. Isso se torna uma espécie de guia para vida. É como se a paz e a felicidade fossem determinadas exclusivamente por aquilo que a pessoa come
  • Comer algo que não seja puro gera uma sensação perturbadora. Culpa, ansiedade, angústia, sentir-se doente ou contaminado são alguns sinais
  • Algumas consequências desse comportamento também servem de sinais de alerta. Por exemplo, perda de peso, desnutrição, perda de cabelo, mudanças ou interrupção no ciclo menstrual, fraqueza, baixa imunidade, problemas na pele
  • Pessoas com ortorexia nervosa costuma evitar sair com os amigos – especialmente se tiver algo relacionado a comer ou beber. Em alguns casos, há quem leve a sua própria comida para que a vida social aconteça

Ortorexia e vigorexia

Algumas pessoas confundem vigorexia e ortorexia. Isso porque ambos os problemas estão associados ao transtorno obsessivo-compulsivo. Esses pacientes têm em comum o comportamento exagerado e transformam ações boas à saúde em atitudes ruins a si mesmo. No entanto, é preciso ressaltar que ortorexia e vigorexia são distúrbios distintos.

Pessoas com ortorexia têm uma preocupação excessiva com a alimentação e a busca pelo alimento perfeito. Isso resulta em dietas restritivas e desequilibradas, gerando problemas à saúde. Já a vigorexia é caracterizada por uma visão desvirtuada de sua autoimagem e pela preocupação excessiva com hipertrofia.

A incessante insatisfação com o corpo faz com que pessoas com vigorexia nunca se vejam como suficientemente definidas, musculosas ou fortes. Como consequência, os vigoréxicos investem em uma rotina de exercícios físicos exagerada e prejudicial.

Ortorexia: tratamento

A ortorexia nervosa precisa de um tratamento multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, psicológico e nutricional.

Acompanhamento psicológico

A terapia cognitivo-comportamental é fundamental para o tratamento da ortorexia. Ao longo das sessões, o paciente começa a compreender o seu próprio transtorno. Só então, aprende a lidar com a sua obsessão. O acompanhamento psicológico ajuda ainda na desconstrução dessa ideia de alimento perfeito e na construção da autoestima e no verdadeiro autocuidado.

Acompanhamento médico

A ortorexia pode causar inúmeras doenças, como anemia e ansiedade. Em alguns casos, também é preciso tratar outros danos no corpo, que são consequências da ortorexia. Por isso, um médico deve avaliar a saúde do paciente para tomar as medidas necessárias.

O tratamento pode ser feito com remédios, vitaminas, alimentação balanceada, entre outros. Já em casos mais graves, a pessoa pode precisar de terapias mais intensivas e até internação.

Acompanhamento nutricional

O acompanhamento nutricional fecha a tríade do tratamento da ortorexia. Esse especialista é essencial para restabelecer a saúde e prover uma receita de dieta verdadeiramente balanceada. Além disso, o nutricionista tem um papel importante em orientar o paciente sobre o que é uma alimentação verdadeiramente saudável.

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Publicado por:

Rui Brandao

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Rui Brandao

Rui Brandão é médico, com experiência em Portugal, Brasil e Estados Unidos da América, e mestre em Administração pela FGV em São Paulo. Hoje é CEO & Co-fundador do Zenklub, plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal que oferece conteúdos, profissionais e ferramentas especializadas para mais de 1.5 milhões de pessoas no Brasil.