Você está se preparando para mudar de país? Ou se mudou a pouco tempo e ainda está se adaptando? Então com certeza você já se informou sobre documentação, as leis do país, moradia, escola, passagem aérea e sobre o que levar na mala. Mas e com a sua bagagem emocional, você já se preocupou?

Nota: Eu já atendi mais de 70 brasileiros espalhados pelo mundo e eu, curiosamente, hoje moro em Milão – Itália. Então, tenho alguma experiência e dicas práticas que lhe quero passar.

Ao mudar de país as nossas emoções vão junto e isso inclui levar na mala situações mal resolvidas, relacionamentos em aberto e pendências emocionais. Após a mudança, novos sentimentos vão se juntar a esses já conhecidos, e a sua bagagem pode ficar cada vez mais pesada. Para não carregar peso extra e acabar sofrendo com excesso de bagagem, preste atenção nas suas emoções.

O que não levar?

– Expectativa: Criar expectativas por um lado é bom pois ajuda a deixar mais real o que está por vir, mas em excesso pode prejudicar aumentando ainda mais a ansiedade de um processo que envolve muitas preocupações. Preste atenção também para não ter expectativas muito altas com relação ao novo, como por exemplo imaginar que a mudança será a salvação de todos os problemas, só terá coisas boas e que tudo será fácil. Chegando lá alguns problemas realmente vão acabar, mas outros novos podem aparecer. Expectativa em excesso pode gerar grandes frustrações. No caso de mudança em família, cada um deve conhecer suas expectativas e pais e filhos devem estar alinhados para evitar futuros conflitos.

Relacionamentos mau resolvidos: O término de um relacionamento pode ser uma boa motivação para mudar de país, mas antes de mudar procure conversar com a pessoa (ou a ajuda de um psicólogo), para resolver mágoas, desentendimentos e frustrações. Virão momentos de carência e tristeza, que poderão te fazer reviver esses sentimentos ruins do passado.

Dependência emocional: Se você está partindo sozinho em busca de novos horizontes, deve ter consciência dos desafios que estão por vir. Muitas decisões deverão ser tomadas por você, por isso, é difícil fazer esse percurso sendo dependente da opinião ou do cuidado de outras pessoas. Além do mais, diferenças de fuso horário e de alguns recursos de tecnologia podem fazer com que você não consiga falar com a pessoa exatamente naquele momento que precisa.

Referência de outros: Cada pessoa vive a experiência de sua forma. Se aconselhe com quem já foi, troque informações e procure se informar, mas não tente repetir exatamente os mesmos passos da pessoa. O que deu certo para um, não necessariamente dará certo para os outros. Nesse processo, é importante criar a sua própria estrada, e não seguir a dos outros.

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E o que levar?

Flexibilidade: Para se adaptar a uma nova cultura é absolutamente necessário ser flexível e estar aberto a novos modos, outra língua e diferentes costumes.

Objetos pessoas que te representem: Em alguns momentos será importante para você ter coisas ao seu redor que tenham a ver com a tua história ou da tua família. Principalmente se você for viver em uma cultura totalmente diferente da nossa, em alguns momentos poderá ter necessidade de se reconectar com as suas raízes.

Objetivos: Tenha em mente os objetivos claros que quer alcançar com a mudança, que podem ser trabalho, uma nova língua, novo estilo de vida e etc. Com objetivos claros será mais fácil saber o que fazer e por onde começar. Se toda a família estiver mudando, seria interessante conversar de maneira clara sobre os objetivos individuais de cada um, para evitar futuras frustrações ou desentendimentos.

Capacidade de adaptação: Para conviver com novas pessoas, será importante desenvolver a capacidade de conviver com diferentes perfis. Talvez alguns vizinhos sejam mais frios, ou os colegas de trabalho mais calorosos, outros podem ser muito parecidos com os brasileiros, mas de qualquer forma sempre terão algumas diferenças a serem aprendidas e superadas.

Empatia: Você vai encontrar pessoas em diferentes momentos de vida, e com diferentes níveis de adaptação (alguns mais, outros menos adaptados). Portanto, seja solidário com os que estão em dificuldade e respeite as experiências que os outros já tiveram.

Autoconhecimento: Quanto mais você se conhecer, conhecer as suas qualidades, defeitos, talentos e dificuldades, mais fácil e menos negativa será a sua adaptação. O autoconhecimento te ajudará a fazer escolhas, tomar decisões importantes e superar momentos difíceis.

Para as questões práticas e as malas, você pode contratar uma transportadora, um despachante, um assessor ou uma agência de viagem. Já para a bagagem emocional você pode contar com a ajuda de um psicólogo. Se quiser, pode agendar uma sessão comigo aqui no meu site Zenklub

Milena Lhano

Milena Lhano

Me formei em psicologia e hoje sou mestre em terapia sistemica em Milão, na Itália. Tenho ampla experiência em questões familiares e amorosas, terapia de casal e sexualidade. O meu objetivo é compreender e atuar nos diferentes momentos da vida familiar e do casal. Também sou especialista em mudanças de país e diferenças culturais, atendendo pessoas de diversas nacionalidades e culturas.
Milena Lhano