No Brasil, 1 caso de suicídio ocorre a cada 46 minutos e, no mundo, 1 caso a cada 40 segundos (OMS 2018). Por conta de números tão expressivos, o mês de Setembro chama a atenção para a prevenção ao suicídio, também conhecido como Setembro Amarelo

O suicídio é uma decisão tomada num momento de tristeza e sofrimento profundos, por isso é importante a construção de espaços para que pessoas possam falar sobre e trabalhar essas emoções sem que elas cheguem no ponto de insuportáveis. 

O que leva uma pessoa a cometer suicídio é complexo, de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Convidamos a psicóloga do Zenklub Graciele Cavagnoli, especialista no assunto, para explicar o que leva uma pessoa a cometer suicídio. Confira:

A causa do suicídio está muito conectada à depressão, mas existem outros fatores que podem conduzir ao ato

O suicídio envolve questões socioculturais, genéticas, psicodinâmicas, e ambientais. Na quase totalidade dos casos, um transtorno mental como depressão, por exemplo, é um fator importante para que culmine no suicídio – quando somado a outros fatores.

Segundo a OMS (2018), estudos mostram que em 90% dos casos de suicídio caberia um diagnóstico de transtorno mental e, assim, poderiam ser precavidos. Esse dado reforça o reconhecimento da depressão grave ou profunda como um dos principais indicadores de risco de suicídio.

Falar do assunto é uma forma de prevenção

Quando um tema é tabu, não o debatemos abertamente e o evitamos. Além do assunto ter de ser combatido todos os meses do ano, não só em Setembro, ele também precisa ser sim trazido à tona. Saiba que falar de suicídio não vai agravar o problema.

O suicídio não é um tema novo na sociedade, uma vez que os primeiros relatos que temos de sua abordagem nos levam à antiguidade.  Ignorado, por medo ou culpa, o suicídio permanece no limbo dos temas que muitos evitam.

A falta de informações sobre o tema acaba contribuindo para que o suicídio seja tratado como um tabu e as famílias sejam vítimas de preconceito. Discutir o assunto e lutar contra esse estigma, falando abertamente sobre o tema, já propicia um espaço de escuta e acolhimento que pode salvar vidas.

Aprenda a reconhecer os sinais de alguém que pode vir a cometer suicídio

É importante notar mudanças comportamentais para diagnosticar com antecedência e, assim, prevenir o sofrimento emocional intenso. Repare nas mudanças a seguir:

  • Tristeza intensa e prolongada por várias semanas;
  • Postagens relacionadas ao suicídio e depressão profunda nas redes sociais;
  • Falta de esperança e de planos para o futuro;
  • Perda de interesse em atividades que antes davam prazer;
  • Distanciamento;
  • Agressividade (principalmente em jovens);
  • Perda de apetite

Algumas expressões são comuns durante uma ideação suicida. Encará-las como um pedido de ajuda é fundamental. Não menospreze o significado de frases alarme como:

  • “Quero desaparecer/sumir.”
  • “Vou deixar vocês em paz.”
  • “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
  • “Estou tão cansado que não quero continuar”
  • “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu já tentei de tudo.”

O que se deve fazer diante de uma pessoa sob risco de suicídio?

É muito importante ressaltar que a prevenção do suicídio é responsabilidade política, social e um esforço de toda a comunidade. 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ter sido prevenidos, segundo a OMS.

Incentive a pessoa a procurar ajuda profissional de serviços de saúde, grupos de apoio ou em algum serviço público. Seria interessante, se os sinais forem muito intensos, acompanhá-la a um atendimento.

Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

É importante entender melhor as causas para reconhecer sinais, se não com você, com pessoas do seu ciclo e coletivo. Depressão não é frescura, tristeza não deve ser reprimida e se informar sobre isso é mais do que necessário. Deve-se sempre evitar atitudes de censura ou julgamen­tos, utilizando uma abordagem de acolhimento e de cuidado.

Família e amigos devem ficar muito atentos em casos de tentativa de suicídio e repentina melhora, que é comum. Se uma pessoa que normalmente é deprimida parecer subitamente alegre, é importante acompanhá-la. É um sinal e deve-se garantir um acompanhamento.

O que NÃO fazer com uma pessoa que pensa em suicídio

O diálogo e a transparência são elementos fundamentais na prevenção do suicídio. Porém, existem vícios de linguagem que acometem a erros graves que podem ter um efeito oposto do que o esperado. Por mais que a intenção seja de ajudar, essas expressões não devem ser ditas em hipótese alguma, e é importante usar uma linguagem de caráter empático. Para ajudar alguém com ideações suicidas, exclua expressões como:

  • “Você precisa dar valor a sua vida”
  • “Você é mais privilegiado que muita gente”
  • “Confie em Deus e tudo vai dar certo”
  • “Você é mais forte que isso”

Incentive a busca de ajuda profissional

Amigos e familiares podem dar um conforto necessário para passar por momentos difíceis. Mas o acompanhamento profissional é importante em boa parte dos casos. Por isso, poder falar com um especialista em saúde emocional pode fazer toda a diferença. Conte com o Zenklub para receber apoio e

Aqui no Zenklub você também pode saber se tem depressão com um teste rápido. Clique aqui no questionário de depressão e faça um questionário de 8 perguntas (duração menos de 1 minuto). O teste é adaptado do teste científico Americano criado pelo Dr. Spitzer e Dr William (PHQ – Patient Health Questionnaire).

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