A Síndrome de FOMO é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. 

FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. Está associada ao sentimento de ansiedade, onde impacta de forma significativa na rotina das pessoas e até mesmo no trabalho.

Pessoas que sofrem com essa síndrome de FOMO, o que nos tempos atuais é mais comum do que parece, sentem a necessidade de atualizar as redes sociais como instagram, twitter, facebook, a todo momento. 

Ou seja, com o digital fica ainda mais claro e intenso os sentimentos dessas pessoas que sofrem com FOMO. Abaixo vamos entender melhor o que é essa síndrome.  

O que é a Síndrome de FOMO?

Sabe aquele medo e ansiedade que as pessoas possuem quando por algum momento pensam em estar perdendo algo importante? Essa síndrome faz com que se tenham sentimentos de inveja, medo de estar sendo excluído de qualquer ocasião.

Esse é um tema muito importante principalmente quando começamos a falar de bem-estar na era digital. Dentro do mundo corporativo essa síndrome se caracteriza pelo sentimento de incapacidade, de aprender e desenvolver tarefas e acompanhar os colegas de trabalho nas tarefas do dia a dia.

Como por exemplo, o colega é mais rápido em desenvolver suas tarefas e por consequência se torna mais produtivo, recebe mais projetos, é convidado a participar de mais reuniões, entre outros pontos, gera um desconforto e causa sentimentos desagradáveis em quem sofre com essa síndrome.

No nosso canal do YouTube, a psicóloga Ariane Melo, que atende pelo zenklub, comenta um pouco mais sobre a síndrome.

FOMO é uma novidade… pero no mucho…

Esse termo foi criado em 2000 pelo estrategista de marketing Dan Herman, porém, nos anos seguintes os pesquisadores Patrick McGinnis e Andrew Przybylski definiram essa síndrome como o desejo de estar permanentemente por dentro do que os outros estão fazendo.

Nessa época não era algo tão evidente e comum de se ouvir falar, mas com o passar dos anos, a evolução da tecnologia e o mundo das redes sociais, tornou-se cada vez mais conhecido.

Síndrome de FOMO e redes sociais: tudo ou nada a ver?

As redes sociais causam sim um impacto negativo, principalmente quando consumido em excesso. Mas, devemos deixar claro que não existe uma receita que ensina a forma correta de se usar as redes sociais.

O que se sabe é que o ideal é impor limites para que o uso excessivo não nos deixe dependentes e façam com que desenvolvamos a síndrome de FOMO.

Um feed cheio do que você gostaria de ser 

Ter acesso ao que as celebridades, influenciadores e até mesmo amigos próximos compartilham, até certo ponto, é bom para que possamos por alguns segundos nos distrair e relaxar.

Mas nem sempre o que vemos é real, afinal as pessoas podem colocar o que quiserem em seus perfis, transmitindo para aqueles que estão vendo uma realidade completamente diferente daquilo que estão vivendo. 

Isso leva algumas pessoas a questionarem sua própria realidade e comparar com o que os influenciadores e celebridades publicaram.

Só que… usando bem, que mal tem?

É como mencionamos acima, utilizando as redes sociais da forma correta e não se deixando influenciar de maneira negativa com tudo que é publicado, não faz mal se distrair por alguns minutinhos. O importante é não desenvolver uma dependência das redes sociais.

Além disso, com a evolução da tecnologia, as redes sociais se tornaram um meio de divulgar trabalho. Mas claro, é importante saber utilizá-las para que a saúde psicológica e emocional sejam afetadas.

Agora preste atenção nesses sinais da Síndrome de FOMO

Okay! Você já entendeu o que é a Síndrome de FOMO e como ela afeta o seu bem-estar, descobriu que essa sensação não é tão nova assim e compreendeu qual é a sua relação com as redes sociais. Agora, então, chegou a hora de você descobrir quais são os sinais que podem indicar que você sofre dessa condição.

Você anda super-hiper-mega conectado

A todo minuto não importa a ocasião, na hora das refeições, no banheiro, em um passeio com os amigos. Qualquer horar é hora ou qualquer lugar, é lugar para estar checando as redes sociais.

Essa necessidade de ter que estar checando as redes a todo momento é um sinal de que algo está errado e que precisa ser corrigido. Afinal, as redes sociais não são a única forma de interação e de se estar por dentro de tudo.

Você fala SIM para todos os convites que recebe

Hoje com as redes sociais e a tecnologia em mãos, temos fácil acesso a todo e qualquer tipo de evento, seja ele um show de um artista que seguimos ou um filme novo que está sendo lançado no cinema.

Esses eventos acabam se tornando tão convidativos que a tendência é aceitar convites sem pensar. Mas, isso pode ser ruim, pois além de prejudicar a saúde financeira acaba afetando também a saúde emocional.

Afinal, geralmente são colocadas muitas expectativas sobre esses eventos, mas nem sempre essas expectativas são atingidas ou superadas e isso gera muita frustração. 

Mas mesmo assim esses convites continuam sendo aceitos e a pessoa continua nesse looping, reforçando mais ainda a crença de que está perdendo algo importante, o que de fato não é verdade.

Eu perdi? Eu perdi? Eu me atrasei? O que eu perdi?

 

Você tem comportamentos impulsivos

Quando a pessoa sofre com a síndrome de FOMO, é possível que ela tome atitudes impulsivas, sem pensar nas consequências.

Comprar algo apenas porque viu um famoso falar sobre, assumir tarefas sem saber se é capacitado para desenvolvê-las, aceitar ir para determinados lugares sem pesar em suas finanças. São comportamentos assim que também caracterizam uma pessoa que sofre de FOMO.

Você tem dificuldade de se concentrar

Com o celular sempre em mãos facilitando o acesso às redes sociais, hoje em dia é mais comum encontrar pessoas com dificuldades de se concentrar, mas ainda conseguem deixar o celular um pouco de lado e rapidamente focar no que de fato é necessário. 

Mas, quem sofre com a síndrome de FOMO se desconecta do “mundo real” e perde a concentração, não conseguindo focar em realizar até mesmo tarefas simples do dia a dia. 

É uma sensação constante de que o momento presente não é tão interessante quanto ele poderia ser. Então… pra que se concentrar, né?

Se esse for o seu caso, mais um ponto de atenção!

Você tem se sentido muito mal-humorado

Quando se dedica muito tempo acompanhando a vida dos outros e perdendo o foco da sua própria vida e comparando o que o outro tem ou o que a vida do outro tem, que a sua não tem, é comum que se esteja de mal humor.

A síndrome de FOMO aos poucos vai afetando a saúde emocional das pessoas e causa um desgaste muito grande.

E não se esqueça

Conforme citamos acima, a síndrome de FOMO é mais comum do que se imagina e afeta muito mais pessoas do que pensamos. 

Se você se identificou com várias das características citadas acima, aí vai o alerta, é possível que você sofra com essa síndrome. Por isso, é muito importante que você busque ajuda de um profissional qualificado.

Qual é a pior rede social para a Síndrome de FOMO?

Hoje, qualquer rede social é ruim para quem sofre com a síndrome de FOMO. Mas, podemos dizer que o Instagram é tida como a pior quando se trata de saúde emocional e psicológica.  

Ficar acompanhando a vida de influenciadores e famosos pode causar questionamentos desagradáveis sobre a própria vida, mesmo sabendo que, nem tudo que é publicado é real.

Síndrome de FOMO pode ocorrer em jovens?

A síndrome de FOMO não escolhe idade, porém, podemos dizer que os jovens são os mais afetados hoje em dia, pois possuem mais facilidade e domínio sobre a tecnologia e suas modernidades.

De acordo com os dados divulgados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a saúde mental e emocional dos jovens entre 10 e 19 anos são responsáveis por 16% das carga global de doenças sofridas por eles.   

Como a tecnologia vem evoluindo constantemente e acompanhar essa evolução não é algo fácil, alguns usuários estão mais vulneráveis a utilizar em excesso essa tecnologia.

Por isso, podemos dizer que grande parte das consequências desses distúrbios estão ligadas à relação problemática e excessiva com a tecnologia.

Na maioria dos casos, o portador da síndrome de FOMO não percebe a sua dependência das redes sociais e acredita que esse “vício” é algo normal. E como não reconhece esse vício, não entende que ele pode estar afetando sua saúde mental e até mesmo sua vida como um todo.

O FOMO nos períodos de isolamento social

A Covid-19 pegou todos de surpresa, principalmente com as consequências que ela trouxe para todos. Mas, o que ninguém esperava é que todos teriam que enfrentar o isolamento social, o que trouxe danos assustadores para o psicológico de todos.

Esse isolamento deixou bem claro como essa síndrome afeta muitas pessoas, com o cancelamento dos eventos em geral e a impossibilidade das pessoas interagirem, foi um gatilho muito grande para que muitos pusessem em evidência ou até mesmo desenvolvessem a síndrome de FOMO.

Além disso, a maioria das empresas se adaptaram ao trabalho home office, o que também colaborou para que muitos desenvolvessem essa síndrome, pois, a distância até mesmo dos colegas de trabalho, despertou em muitos o sentimento de exclusão.

Também ganharam destaque e evidência sentimentos negativos como a solidão na era digital. Isso porque todos estão acostumados com a rotina e o fato de estar rodeado por pessoas, o que proporciona para muitos o sentimento de pertencer a um grupo.

Ou seja, se antes do isolamento social as pessoas já viviam conectadas de forma excessiva, com a chegada do isolamento isso se agravou muito mais, até porque a única forma de interação naquele momento eram as redes sociais.

Como evitar a Síndrome de FOMO

Como já sabemos, a síndrome de FOMO é causada pelo uso excessivo das redes sociais. Mas, com algumas atitudes e estratégias é possível evitar que essa síndrome seja desenvolvida. 

Abaixo vamos conhecer melhor, quais são essas estratégias. 

Diminuir o tempo de utilização dos aparelhos que permitem acesso a internet

Diminuir o tempo nos celulares ou outros aparelhos que permitem seu acesso às redes sociais, é fundamental para que você se conecte com o “mundo real”. Muitas pessoas já incluíram esse objetivo em suas promessas de ano novo.

Ocupar o tempo livre com outras atividades

Ao invés de ocupar suas horas de folga ou finais de semana focados nas redes sociais, em estar por dentro de tudo o que as pessoas publicam, faça uma caminhada ao ar livre, leia pelo menos dois ou três capítulos de um livro. isso é um grande passo para sua desintoxicação das redes sociais.

Viver com mais intensidade os momentos

Ao invés de se preocupar em encontrar o ângulo perfeito, a frase ou música que se encaixa à aquele momento que você quer compartilhar, deixe as redes sociais de lado e curta mais o agora, o instante. 

Existem momentos que precisam ficar guardados apenas em nossas memórias e não precisam ser compartilhados.

Dar mais atenção e prioridade às pessoas que estão ao seu lado

Estar junto de quem gostamos, matar a saudade de um amigo que não vemos a muito tempo ou de um parente que mora longe. São esses momentos que precisamos deixar de lado as redes sociais e curtir cada segundo.

Entender que nem tudo o que compartilham nas redes é o que está sendo vivido no momento

É importante ter em mente que nem tudo o que as pessoas publicam nas redes sociais, é o que elas estão vivendo ou o que estão sentindo naquele exato momento.

As redes sociais são manipuladas por seres humanos que possuem a liberdade de compartilhar o que quiserem, como uma vida perfeita de muitas alegrias e sem nenhum problema, viagens e luxos, mas, por trás da telinha a realidade pode ser completamente diferente.

Portanto, é muito importante ter em mente que nem sempre aquela felicidade que se vê em um feed é a mesma felicidade vivida na realidade.

Superando a Síndrome de FOMO

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Diante de tudo que vimos acima, temos a impressão de que a síndrome de FOMO não é algo simples de superar. Mas, podemos adiantar que é possível sim encontrar maneiras de lidar com essa síndrome, esse medo de ficar de fora.

Abaixo vamos contar algumas maneiras de lidar com esse medo.

Mude sua relação com os outros

Sabe quando sua mãe ou alguém próximo à você te falava “ok, mas você não é o fulano”, então, isso é a mais pura verdade. Cada pessoa tem sua maneira de ver e entender as coisas e principalmente, cada um tem sua experiência de vida.

O fato de você ter vivido a mesma experiência que a outra pessoa, não quer dizer que você tenha compreendido e encarado da mesma forma que ela. Afinal, cada um tem sua maneira de lidar e compreender as experiências vividas.

Por isso, não se deixe levar e afetar pela vida dos outros, e não deixe que esse medo de ficar de fora te afete de forma significativa. 

A pessoa que sofre com a síndrome de FOMO, fica tanto tempo ligada nas redes sociais, focado no que as pessoas estão compartilhando e sentindo inveja das experiências que essas pessoas estão vivendo.

Quando chega a sua vez de viver essa experiência, fica preocupado de que forma irá compartilhar e quantas pessoas irá alcançar para que desperte esse mesmo sentimento, o de inveja. 

Então, aí vai um conselho: Viva cada momento sem se preocupar em compartilhar tudo nas redes sociais. 

Tirar uma foto daquela viagem ou com aquele amigo que você não vê a muito tempo, para depois em outra ocasião compartilhar, não faz mal algum. O problema é, você está vivendo aquele momento e compartilhando nas redes sociais em tempo real.

Mude sua relação consigo mesmo

Se cobre menos, a vida de ninguém é perfeita e sem problemas. Essa cobrança excessiva agrava ainda mais a síndrome de FOMO. Procure ver as coisas que acontecem em sua vida por perspectivas diferentes. 

Se algo não aconteceu da maneira que você gostaria, com calma, tente observar e entender o que pode ser feito para mudar e melhorar tal situação.

Mude sua relação com a internet

Aprenda a se policiar e saber entender qual o melhor momento para se compartilhar as coisas e utilizar as redes apenas como uma breve distração e não para comparar a vida do outro com a sua.

Conclusão

Hoje, é necessário que a gente se adapte e conviva bem com o mundo digital. Por isso, é muito importante encontrar o equilíbrio para uma vida social saudável, um ambiente corporativo que te motive e saúde emocional. 

A síndrome de FOMO pode ser uma barreira para alcançar o bem-estar e seus objetivos. Não deixe de procurar ajuda e orientação profissional caso sinta que esses sinais e sintomas podem atrapalhar o seu dia a dia. 
Procure um profissional especializado que vai te ajudar. Clique aqui e agende uma sessão.

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Publicado por:

Rui Brandao

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Rui Brandao

Rui Brandão é médico, com experiência em Portugal, Brasil e Estados Unidos da América, e mestre em Administração pela FGV em São Paulo. Hoje é CEO & Co-fundador do Zenklub, plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal que oferece conteúdos, profissionais e ferramentas especializadas para mais de 1.5 milhões de pessoas no Brasil.