A gravidez psicológica, chamada cientificamente de pseudociese, é um transtorno em que uma mulher que não está grávida acredita com convicção que está, e o corpo passa a apresentar sintomas reais de gestação, como ausência de menstruação, aumento da barriga e das mamas e até a sensação de o bebê se mexer.
Não é fingimento nem “coisa da cabeça” no sentido de invenção: a pessoa realmente acredita, e os sintomas físicos são involuntários. É uma condição rara ligada a fatores emocionais, e tem tratamento.
Em 2013, uma mulher foi operada no Rio de Janeiro ao chegar no pronto-socorro apresentando sinais claros de trabalho de parto. Ao tentar retirar o bebê, a surpresa dos médicos: não havia uma gestação real…
Para descobrir mais sobre o interessante tema da gravidez psicológica, continue com a gente!
Gravidez psicológica é fingimento ou delírio?
Vale deixar isso claro logo de início, porque é o que mais gera preconceito. Gravidez psicológica não é o mesmo que mentir sobre uma gestação para obter algo, nem é um delírio psicótico, como o que pode ocorrer em quadros de esquizofrenia.
Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a mulher com pseudociese realmente acredita estar grávida, a ponto de convencer também quem está ao redor. É uma condição de saúde, não uma fraqueza nem uma farsa, e merece acolhimento.
Como saber se estou tendo uma gravidez psicológica?
Nem todo mundo sabe, mas a mente e o corpo estão intrinsecamente conectados.
Tal união se reflete a ponto de o que se pensa gerar sintomas físicos.
Ou seja, a gravidez psicológica pode sim gerar impactos no próprio corpo da mulher.
Nesse sentido, há uma série de sintomas que podem indicar a presença de uma gravidez psicológica, entre eles:
- Ausência de menstruação;
- Náuseas e enjoos matinais;
- Desejos alimentares;
- Ganho de peso;
- Sonolência;
- Aumento do volume abdominal;
- Crescimento das mamas;
- Seios doloridos;
- Sentir “movimentos do bebê”;
- Produção de leite nas mamas;
- Aumento do apetite.
Como se pode notar, a gravidez psicológica atrasa até mesmo a menstruação, o que exige atenção para o reconhecimento dela.
No entanto, embora a gravidez psicológica tenha sintomas semelhantes a uma gestação real, há diferenças como, por exemplo, o exame beta-HCG negativo em casos de gravidez psicológica.
Quais são as causas de uma gravidez psicológica?
A gravidez psicológica tem, assim como a maior parte dos transtornos da mente (como, por exemplo, a depressão), uma causa multifatorial.
Isto é, o motivo pelo qual surgem os sintomas de gravidez psicológica envolve, na maioria dos casos, fatores:
- Biológicos (como, por exemplo, alterações hormonais);
- Psíquicos;
- Sociais.
No entanto, há expressiva relação de gravidez psicológica em mulheres que:
- Desejam muito engravidar e encontram dificuldades para isso;
- Tiverem várias perdas gestacionais;
- Perderam um filho;
- Apresentam outros transtornos psíquicos (por exemplo, depressão nas mulheres);
- Sofreram abusos sexuais;
- Têm um grande receio de engravidar, como acontece durante a adolescência, por exemplo.
Como é o diagnóstico
O diagnóstico é feito por exclusão: confirma-se que não há gravidez e, ainda assim, os sintomas persistem. Na prática, o ginecologista solicita o exame de beta hCG, que dá negativo na pseudociese, e uma ultrassonografia, que mostra o útero sem saco gestacional ou feto (Rede D’Or).
Quando a ausência de menstruação continua sem explicação, o médico pode pedir exames adicionais para descartar outras causas, como alterações na hipófise que elevam a prolactina. Por isso, o primeiro passo é sempre procurar um ginecologista.
Tratamento: um cuidado em várias frentes
Como a raiz é emocional, o tratamento principal é a terapia, mas ele costuma envolver mais de um profissional. O ginecologista cuida dos sintomas físicos, ajudando a regular o ciclo menstrual; o psicólogo trabalha as causas emocionais que desencadearam o quadro; e, quando necessário, o psiquiatra entra para acompanhar sintomas de ansiedade ou depressão associados (Rede D’Or).
Mostrar à mulher, com delicadeza e pelos exames, que não há uma gestação costuma ser o ponto de partida. Mesmo quando os sintomas somem, o acompanhamento psicológico segue sendo importante para tratar a origem e reduzir o risco de o quadro voltar.
O lado emocional: luto, frustração e o papel da terapia
Por trás da pseudociese quase sempre há uma dor real. Descobrir que a gravidez não existe pode trazer um luto, uma frustração profunda, e às vezes vergonha, principalmente para quem sonhava muito em ter um filho ou já vinha de perdas. Esses sentimentos são legítimos e merecem cuidado.
É aqui que a terapia faz diferença. Num espaço seguro e sem julgamento, o psicólogo ajuda a pessoa a entender o que aquele desejo (ou aquele medo) representa, a elaborar a frustração e a cuidar de questões que costumam vir junto, como ansiedade e tristeza. Não se trata de “provar que ela está errada”, e sim de acolher a experiência e ajudá-la a seguir em frente, com a possibilidade, inclusive, de gestações saudáveis no futuro.
Como apoiar quem está passando por isso
Se alguém próximo está vivendo uma gravidez psicológica, a forma como as pessoas ao redor reagem pesa muito. Alguns cuidados ajudam:
- Não confronte com deboche nem acuse de mentira. Para ela, tudo é real. Ironia e cobrança só aumentam o sofrimento;
- Acolha o sentimento, não só o fato. Antes de “você não está grávida”, vale o “estou aqui com você”;
- Incentive o cuidado profissional com gentileza, oferecendo ir junto ao ginecologista e apoiar a busca por terapia;
- Tenha paciência com o tempo dela. Aceitar a notícia pode levar tempo, e isso não é teimosia;
- Cuide-se também. Apoiar alguém nesse momento cansa; buscar orientação para si é válido.
Quanto tempo dura uma gravidez psicológica?
O tempo de duração de uma gravidez psicológica varia de caso a caso.
Por exemplo, alguns casos podem ser esclarecidos em poucas semanas, após a realização do teste beta HCG, que dá negativo em casos de gravidez psicológica.
No entanto, os casos podem se perdurar até os tradicionais 9 meses quando há uma somatória de fatores, entre eles:
- Teste de gravidez (de farmácia) dá um falso positivo, ou seja, o resultado é como se a mulher estivesse grávida, mas não está;
- A “gestante” não tem acesso ou não procura um serviço de pré-natal (o recomendado são no mínimo 6 consultas).
Assim, em casos extremos, a mulher pode ser submetida a uma cirurgia e a obstetra que está realizando a cesariana pode se deparar com um útero completamente vazio!
O cuidado psicológico no Zenklub
De fato, não há profissional mais importante para tratar a gravidez psicológica que o próprio terapeuta.
Por meio das sessões de terapia a mulher irá compreender melhor quais foram os fatores causadores da condição, bem como conseguirá lidar com as expectativas frustradas e outras angústias que possam estar presentes.
Se você ou alguém que você ama está passando por isso, saiba que não é preciso enfrentar sozinha. O acompanhamento psicológico é parte central do tratamento, e no Zenklub você encontra psicólogos para terapia online, no horário que couber na sua rotina.