A insegurança é o sentimento de dúvida sobre si mesmo e sobre a própria capacidade, muito ligado ao medo e à incerteza. Ela costuma aparecer na forma de crenças limitantes, ideias fixas de “não sou capaz” ou “não vou dar conta”, que nascem das nossas relações e do ambiente em que crescemos, e que acabam nos deixando em um estado de medo e apatia, podendo tirar o prazer das atividades do dia a dia.
A insegurança não é um defeito de nascença nem um traço permanente. Ninguém nasce inseguro. É um sentimento aprendido ao longo da vida a partir de determinados episódios e compreensões individuais sobre eventos e, por isso mesmo, pode ser trabalhado e transformado. É possível se tornar alguém menos inseguro. Neste texto, vamos te explicar o que é, de onde vem e como lidar melhor com ela.
No fundo da insegurança, quase sempre há uma dificuldade de confiar na própria capacidade. É comum a pessoa insegura falar (para si mesma ou para os outros) coisas como:
São pensamentos que, repetidos, viram uma lente pela qual a pessoa passa a enxergar a si e ao mundo com muita frequência e acabam tendo muito poder sobre a maneira como a pessoa decide agir no mundo.
O sentimento de incapacidade e de não merecimento pode afetar tanto a autoestima, ou seja, o valor que a pessoa atribui a si, quanto a autoimagem, o modo como ela se enxerga. Isso costuma gerar uma busca por preencher esse “vazio” através de figuras de segurança, pessoas que supostamente dariam conta daquilo que falta, o que pode abrir caminho para relações de dependência emocional e afetiva.
A insegurança também alimenta a autossabotagem, quando o medo de fracassar faz a pessoa boicotar as próprias chances antes mesmo de tentar.
Como a insegurança está intimamente ligada ao medo, situações que geram ou geraram muito medo ao longo da vida costumam ser as suas grandes fontes. Alguns exemplos ajudam a entender:
Um contexto familiar de violência. A criança que presencia situações de violência em casa, um lugar onde deveria se sentir segura, tende a internalizar medos que reaparecem na vida adulta, nos relacionamentos pessoais e profissionais.
Bullying na escola. Ser alvo de bullying pode levar a criança a interiorizar que não é aceita pelo que é, passando a se ver como inferior ou incapaz.
Superproteção. Ao contrário do que parece, ambientes sem nenhum estresse também podem gerar insegurança. Uma criança superprotegida, sempre poupada da frustração e com alguém resolvendo tudo por ela, pode crescer com o medo de não dar conta sozinha dos próprios problemas.]
Ambientes punitivos e de expectativas irreais. Ambientes onde a perfeição é sempre o mínimo esperado podem fazer a pessoa criar uma percepção irreal sobre seu próprio desempenho, o que o leva a se esforçar exageradamente para atingir resultados ou a sequer tentar ou desistir fácil ao primeiro sinal de dificuldade.
Relacionamentos tóxicos. Uma pessoa segura e que lida bem com os próprios problemas pode se tornar insegura ao se relacionar com alguém que usa suas próprias questões como problemas irreparáveis ou que diz frases que alimentam novas ideias que nunca foram consideradas, como a comparação, uso de roupas específicas, chantagem emocional ou sexual, entre outras.
O ponto em comum é este: as pessoas não nascem inseguras. Elas são expostas a situações adversas que as levam a interiorizar ideias como “o mundo é perigoso” ou “não sou capaz de lidar com ele” ou “tem algo de errado comigo”. E, se a insegurança é aprendida, ela também pode ser desaprendida.
Existe um conceito da psicologia que ajuda muito a entender a insegurança: a autoeficácia, estudada pelo psicólogo Albert Bandura. Autoeficácia é a crença que a pessoa tem na própria capacidade de organizar e executar aquilo que precisa para alcançar um objetivo.
Quando ela é baixa, aparece justamente a insegurança: a sensação de “não vou conseguir”, que faz a pessoa evitar desafios e desistir mais fácil. Quando é mais forte, a pessoa encara os obstáculos como algo que dá para enfrentar. Esse mesmo mecanismo aparece, por exemplo, na síndrome do impostor, quando a pessoa não consegue reconhecer a própria competência.
A boa notícia, segundo Bandura, é que a autoeficácia se constrói. As principais formas são acumular pequenas experiências de sucesso, observar pessoas parecidas com a gente conseguindo, receber incentivo de quem é próximo e aprender a lidar melhor com o nervosismo diante dos desafios. Ou seja: confiança é uma habilidade que pode ser treinada, assim como a segurança.
Lidar com a insegurança passa por desconstruir as crenças limitantes e reconhecer de onde elas vieram. Alguns caminhos ajudam nesse processo:
Com o apoio de um psicoterapeuta, é possível avaliar as situações que provavelmente construíram o sentimento de insegurança que te incomoda e, a partir do autoconhecimento, lidar melhor com essa questão. A terapia é o espaço para reconhecer as origens dessas crenças, desconstruí-las com calma e ir construindo uma relação mais confiante com você mesmo.
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