Daniele Nazari, psicóloga e coach que você encontra na nossa plataforma, está de volta em mais um post colaborativo do nosso blog. Dessa vez, pedimos para ela falar um pouco sobre: liderança feminina, como mulheres podem se desenvolver nessa área e como elas podem inspirar homens também.

Liderança feminina: é preciso se masculinizar?

Com as novas discussões de gênero, dizer que algo é masculino ou feminino cada vez menos faz sentido. Mesmo assim, sendo esse um fenômeno muito recente, ainda temos em nossa mente a percepção de que algumas características são mais exclusivas aos homens, enquanto outras são das mulheres. Nesse sentido, vemos que muitas mulheres que procuram ocupar posições de liderança se veem obrigadas a se masculinizar, o que pode ter impactos sérios em seu bem-estar. Segundo Daniele:

A visão tradicional que se tem de um líder está muito associada ao sexo masculino, e muitas vezes é considerada como uma característica natural do homem. A mulher não tem a mesma visibilidade e, na busca de igualdade de gênero, acaba por absorver e atuar com características masculinas para ser aceita.

Quando falamos das características necessárias para ter uma boa liderança, geralmente pensamos em traços aparentemente inerentes ao gênero masculino, tais como força, tirania, voz mais grossa, seriedade, ou até mesmo apenas ser homem. Isto está muito vinculado ainda à tradição que se tem de família, em que o homem é o responsável pelo sustento familiar, o líder da casa.

Aos poucos, as coisas estão mudando

É certo que traços percebidos como masculinos fazem parte de muitas mulheres – e essas qualidades não devem ser perdidas por pressões externas. Ao passo que a ideia de submissão da mulher, reforçada pela masculinidade tóxica, está sendo quebrada sem que isso lhes tire sua feminilidade. Ou seja, de diversas maneiras, estamos vendo uma clara melhora para as mais diferentes mulheres.

Essa imagem tem se modificado mediante a ruptura da visão feminina de ser ‘mulher do lar’: mulheres ocupando cargos organizacionais já faz parte da nossa sociedade, mas infelizmente ainda é absorvido muito preconceito que às vezes impedem esse crescimento com maior intensidade. Um exemplo é chamar mulher de “histérica” quando ela tem que falar mais alto ou ser mais assertiva; uma vez que a voz feminina é mais fina que a masculina, esse adjetivo não apareceria para um homem. Ou então quando justificam promoções de trabalho pela aparência física, relação com o gestor, ou apenas pelo tempo de empresa, e não por sua competência.

A realidade é que há um crescimento efetivo de mulheres em cargos de liderança, e cada vez mais a quebra de pensamentos tradicionais têm ocupado espaço nas organizações.

Competências femininas para mais liderança feminina 

Mesmo com as várias dificuldades ainda presentes, entre as citadas acima e muitas outras, essa necessidade de se masculinizar tem caído, enquanto que traços vistos como femininos são mais e mais valorizados:

Percebe-se a valorização da característica feminina desde trabalhos manuais como soldagem, em que precisa ter delicadeza para soldar materiais, até o papel de líder em que precisa ter empatia, boa comunicação e visão do negócio. O destaque é que a mulher está sendo vista como ela é, com características próprias e que contribuem para o desenvolvimento empresarial.

As mulheres que são líderes hoje estão nesse patamar pela sua competência, pela sua inteligência, pela dedicação e estudo sobre o que fazem. Quando você fala com uma mulher líder é perceptível o domínio que ela tem do negócio, e isso é uma característica que todo líder deve ter, seja homem ou mulher.

Liderança feminina: sem medo da feminilidade

Daniele também compartilhou com a gente quais são, então, essas características femininas que podem ser abraçadas pelas mulheres em busca da construção da liderança feminina

Mulheres têm mais facilidade para comunicação e entrosamento, ou seja, possuem a habilidade de lidar com pessoas de forma mais favorável. Portanto, não é à toa que o setor de Recursos Humanos é composto por mais mulheres do que homens para uma comunicação efetiva com os funcionários.

Falando ainda sobre RH, tradicionalmente é este o setor responsável em passar informações da gestão para os colaboradores, e quando há mulheres na liderança de uma empresa, parece que a gestão está mais acessível para ouvir aqueles de cargo menor, como um ambiente acolhedor.

Para além das mulheres

Não somente as mulheres podem abraçar mais essas características ditas femininas: os homens também podem se desenvolver na liderança ao desenvolvê-las também. Além da melhor facilidade no relacionamento interpessoal, Daniele ainda destaca as seguintes habilidades mais geralmente associadas às mulheres e que auxiliam no enriquecimento da liderança: empatia, bondade, otimismo, determinação, dedicação, segurança para tomada de decisão e atenção.

De qualquer maneira, ainda nesses casos, existe uma disparidade clara no tratamento entre homens e mulheres:

Um bom exemplo para reflexão é imaginar um homem líder atencioso. A dedicação e atenção ao trabalho são características esperadas de mulheres, logo, um comportamento atencioso por parte de um homem fica notável a sua diferença de liderança e é muito valorizado por isso, enquanto que uma mulher com o mesmo comportamento ainda é considerado o básico de atuação.

Liderança feminina: sobre se fortalecer

Claro que para conseguir encontrar esse desenvolvimento para assumir cargos de liderança, enquanto se apropria de características que atraem preconceito, é preciso fazer um trabalho de fortalecimento, que cuide da saúde emocional. Uma boa maneira de fazer isso é em conjunto, com grupos de apoio de mulheres. Mas, segundo Daniele Nazari, é preciso fazer um passo antes disso:

A quebra da crença sobre o papel feminino na sociedade é o passo mais difícil: antes de pensar em um movimento social é preciso entender que esse movimento é inicialmente interno. O fortalecimento feminino vem de modo intuitivo sobre como ela se vê, sobre o que ela gosta de fazer, sobre o que ela acredita, olhar para dentro, acreditar e confiar naquilo que ela está vendo.

Forçar o papel masculino quebra quem ela é, assumindo atributos que não são próprios e não condizem com a forma de pensar. Isso, consequentemente, gera estresse, frustração e ansiedade, que trazem reflexos na saúde emocional e física. A mulher se desconecta de sua essência no momento que tenta atribuir características que não são suas.

Autoconhecimento e autoconfiança para construir a liderança feminina

Assim sendo, se conhecer vai permitir que você invista na sua essência: seja ela permeada por características ditas femininas, masculinas ou por ambas. 

O empoderamento feminino acontece através da autenticidade, da força que carrega dentro de si em acreditar naquilo que sente, ser segura de seus atos. A maior dica para alcançar a liderança feminina é ter autoconfiança, característica que às vezes é até vista como masculina; mas uma mulher autoconfiante tem embasamento do conhecimento próprio, reconhece sua dedicação, sua superação e percebe o quanto é merecedora de estar neste papel de líder.

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Zenklub

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