“Os sentidos da vida” é o título de um livro do psiquiatra e escritor de autoajuda Flávio Gikovate. O título é escrito no plural (os sentidos) para apresentar a ideia de que a vida não possui um único sentido, mas vários, infinitos. Além disso, há tantos sentidos quanto podem ser criados por pessoas diferentes, com anseios distintos. 

E, antes de ser considerado algo ruim, essa possibilidade de cada pessoa encontrar um sentido é vista como boa pelo autor, pois, dessa forma cada uma terá a liberdade de criar uma vida ou condições de viver de acordo com aquilo que seja mais próximo de seus interesses e desejos.

No campo da Psicologia e da Psiquiatria quem mais se notabilizou por defender a importância de ter um sentido para a vida foi Victor Frankl. 

Frankl foi um psiquatra judeu que ficou preso em quatro campos de concentração nazista. E seu maior aprendizado nesse período foi o de que pessoas que tinham um sentido para a vida tinham mais chances de sobreviver que aquelas que não tinham.

Além disso, Frankl enfatizava que não importava qual era o sentido que a pessoa atribuísse à sua vida, poderia ser um propósito profissional, religioso, familiar, filantrópico, etc. O fato era que, tanto nos campos de concentração como também em sua clínica privada, Frankl observou que pessoas que desenvolvem metas, objetivos, propósitos têm mais chances de superar desafios e promover saúde e qualidade de vida. 

Vazio existencial

O psiquiatra analisou como os outros seres vivos estão ancorados na biologia. A forma como vivem já vem pré-determinada pela natureza. Já as Sociedades tradicionais do passado tinham seus comportamentos fortemente condicionados pela tradição. Ou seja, a forma como se vivia era baseada nos costumes. O comum de tão repetido parecia até normal.

Ocorre que, no século XX (e mais ainda no século XXI), não há mais tradições fortes, de tal modo que cada pessoa deve encontrar sua própria forma de viver. Isso traz uma liberdade imensa, mas também a responsabilidade de decidir sobre como quero viver. 

Neste cenário, Frankl diz que o vazio existencial se torna o grande problema de nossa época. Esse vazio existencial pode ser entendido como a sensação de deslocamento, de não está encaixado, a sensação que nada faz sentido. E o principal antídoto a este mal-estar, nas palavras de Frankl, está precisamente em criar um sentido.

Criando um projeto de vida

Um dos capítulos do livro do Gikovate é exatamente o “Podemos dar sentido à vida?”, e a resposta do autor é sim. Ele destaca como é fundamental elaborar esse projeto, embora destaque que não é fácil e que frequentemente nossas vidas tomarão rumos independentemente de nossas vontades. Por isso a importância de ter em mente que nosso projeto de vida será influenciado em grande parte por variáveis aleatórias.

Deste modo, criar um projeto de vida é como elaborar um mapa para cruzar um deserto. Ele será útil e se bem elaborado poderá conduzir ao destino almejado. Contudo, deve-se ter em mente que as dunas de areia se movem constantemente e que o mapa nunca corresponde totalmente ao território.

Se não há um sentido único para a vida, nem propósito ou missões universais consequentemente a forma de construir o próprio projeto de vida, será pessoal. Seria quase que uma contradição existencial alguém dizer para outra pessoa como elaborar o projeto de vida, como “encontrar” o propósito. No entanto, há práticas que podem ajudar sobremaneira, sendo o mais próximo que temos de um “passo a passo”.

Como produzir um sentido para a vida.

Separei 4 dicas divididas entre autoconhecimento, metas, agenda e experimentação para que você reflita mais sobre o assunto. Confira abaixo:

  1. Autoconhecimento. Quanto mais nos conhecemos, mais estaremos preparados para saber o que queremos ou não. Dois tipos de listas muito úteis aqui são as listas do que gostamos e do que não gostamos.
  2. Começar com metas pequenas. Um propósito de vida, às vezes, é difícil de ser elaborado. Missões então, há pessoas que preferem nem as ter. Mas as metas são mais simples. O método SMART é bem simples e pode ajudar muito.
  3. Usar agenda de papel. Agendas online ou aplicativos de organização pessoal podem ser muito bons, mas as agendas de papel continuam com suas vantagens.
  4. Experimentar. Muitas vezes, as pessoas não conseguem pensar em algo que queiram fazer de fato, nesses casos pode ser útil experimentar sem expectativas. Por exemplo, um trabalho voluntário. E neste processo, descobrir o que pode ou não ser interessante. Por exemplo, o trabalho voluntário em si pode não fazer sentido, mas ao desenvolvê-lo pode-se ter novas ideias.

Vale dizer que há propósitos de curto, médio e longo prazo. Embora geralmente associemos propósito há algo para a vida toda, o mesmo também pode ser de curto ou médio prazo. Neste caso se  aproximando muito de objetivos ou mesmo metas. Inclusive, como mencionei no ponto 2 (Começar com metas pequenas), metas simples podem ser muito úteis. Principalmente quando não temos um propósito de longo prazo (propósito de vida). 

Mas o que tanto Viktor Frankl como também Flávio Gikovate alertam é o que a sabedoria popular já ensina há muito tempo: “cabeça vazia oficina do diabo”. Ou seja, sem metas, objetivos, missão e propósito a probabilidade de alguém sofrer pelo vazio existencial aumenta consideravelmente.

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Fontes:

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Editora Sinodal, 2013.

GIKOVATE, Flávio. Os Sentidos da Vida. Moderna. 2004.

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Publicado por:

Kelton Medeiros Teles

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Kelton Medeiros Teles

Psicólogo. Especialista e mestre, trabalho com uma abordagem humanista promovendo a saúde de forma integral. Também tenho experiência com treinamentos e Práticas Integrativas Complementares - PICs. Atendo adolescentes e adultos. Você pode ver mais conteúdos aqui: linktr.ee/keltonmedeirosteles. CRP: 11/12921