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Com certeza você já ouviu falar de autismo ou sobre pessoas autistas. É um tema que vem sendo cada vez mais abordado pela mídia, retratado em filmes, séries e na literatura. Mesmo assim, o autismo ainda é visto pelas pessoas com alguns preconceitos e, muitas vezes, acompanhado de uma visão equivocada do que é esse transtorno e quais são as características de uma pessoa autista. E você, sabe realmente o que é o Autismo?

O que é o autismo?

O nome autismo é dado a um conjunto de transtornos de desenvolvimento que causam problemas na linguagem, dificuldades de comunicação, interação social e comportamento das pessoas.

Em 2013, no lançamento da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o autismo recebeu uma nova nomenclatura: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Dessa forma os graus de autismo puderam ser melhor avaliados, estudados e trabalhados por especialistas e a ciência em geral, a partir dessa consideração de espectros.

O autismo tem cura?

O autismo não tem cura, ou seja, uma criança diagnosticada com autismo, seguirá autista durante toda as fases da sua vida, a diferença está no desempenho dessas pessoas, que, ao ser diagnosticadas como autista devem buscar acompanhamento médico e psicológico, para que ela possa desenvolver adequações sociais mais eficientes. Ou seja, quanto mais cedo o autismo for detectado e quanto mais cedo ele for trabalhado, mais eficiente será o tratamento.  

Em geral, é possível estabelecer o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista entre os 3 primeiros anos de idade.

Quais são as causas do autismo?

Não existe uma causa única e determinada para o aparecimento do autismo na infância. Até os anos 80, o autismo era considerado um transtorno adquirido por influência de fatores do ambiente. O que se sabe hoje, porém, é que o autismo é resultado de uma série de alterações no funcionamento normal do cérebro, em que a comunidade médica acredita, que fatores genéticos representam cerca de 90% das causas do autismo, enquanto fatores ambientais só são responsáveis por 10%.

Mesmo a genética tem o maior papel no surgimento do autismo, nenhuma alteração genética específica foi apontada, até hoje, como a responsável por todos os casos desse transtorno. Pelo contrário, é provável que existam muitas mutações genéticas que podem desencadear o autismo.

Quais os principais sintomas do espectro autista (TEA)?

Todas as pessoas que têm autismo apresentam sintomas em comum como dificuldades de comunicação, interação e comportamento social, além de terem, na maioria das vezes, comportamentos rotineiros e repetitivos. No entanto, os sinais de autismo vão afetar cada pessoa de maneira e intensidade diferentes, dependendo de fatores como o grau de comprometimento, associação ou não com deficiência intelectual, e com presença ou não de fala.

Algumas pessoas autistas podem ter dificuldades de aprendizado em diversas fases da vida, desde o estudo na escola até aprender atividades da do dia a dia consideradas simples, como tomar banho ou preparar a própria refeição. Enquanto muitos podem levar uma vida relativamente “normal”, outros autistas podem precisar de ajuda profissional durante toda a vida.

Autismo infantil: como identificar os primeiros sinais? 

Como falamos, os primeiros sinais de autismo geralmente surgem quando a criança tem entre 2 e 3 anos de idade, momento em que ela tem uma maior interação e comunicação com as pessoas e o ambiente. Veja algumas características que podem te ajudar a identificar se uma criança pode apresentar o Transtorno de Espectro Autista:

Na interação social

  • Não olhar nos olhos ou evitar não olhar nos olhos mesmo quando alguém fala com ela;
  • Risos e gargalhadas inadequadas ou fora de hora, como durante um velório ou uma cerimônia de casamento;
  • Não gostar de carinho ou afeto e por isso não se deixa abraçar ou beijar;
  • Dificuldade em relacionar-se com outras crianças e por isso prefere ficar sozinho do que brincar com elas;
  • Repetir sempre as mesmas coisas, sons e palavras; brincar sempre com os mesmos brinquedos.

Na Comunicação e Linguagem

  • A criança sabe falar, mas prefere não falar nada e mantém-se calada por horas, mesmo quando fazem perguntas para ela;
  • Repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas sem se importar se está chateando os outros;
  • Mantém sempre a mesma expressão no rosto e não entende gestos e expressões faciais dos outros;
  • Quando fala, a comunicação é monótona e com tom pedante.

No comportamento e personalidade

  • Não tem medo de situações perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros;
  • Aparentemente não sente dor e parece que gosta de se machucar ou de machucar os outros de propósito;
  • Olha sempre na mesma direção como se estivesse parado no tempo;
  • Fica se balançando para frente e para trás por vários minutos ou horas ou torcer as mãos ou os dedos constantemente;
  • Dificuldade a se adaptar a uma nova rotina ficando agitado, podendo se auto agredir ou agredir os outros;
  • Ficar extremamente agitado quando está em público ou em ambientes barulhentos.

Adolescentes e adultos autistas: quais os sintomas?

Os sintomas de autismo podem ser mais leves em adolescentes e adultos por dois motivos principais: ou os sinais do transtorno passaram despercebidos durante a infância ou devido a melhora por meio de tratamentos especializados.

Veja algumas características comuns em jovens autistas:

  • Ausência de amigos: geralmente o contato com pessoas se limita ao círculo familiar, colégio ou relações virtuais pela internet;
  • Evita sair de casa: tanto para atividades habituais, como utilizar transportes e serviços públicos, como para atividades de lazer, preferindo sempre atividades solitárias e sedentárias;
  • Falta de autonomia: principalmente para trabalhar e desenvolver uma profissão;
  • Costumam ter sintomas de depressão e ansiedade;
  • Dificuldade de interação social, e interesse apenas em atividades específicas.

Quais os tipos de autismo?

Segundo a classificação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), existem 3 tipos principais do Transtorno de Espectro Autista, cada um representando uma intensidade e maneiras diferentes de como o autismo se manifesta:

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é considerado o autismo leve, ou seja é a forma mais branda do espectro autista. Ela se diferencia do autismo clássico por não implicar qualquer atraso de linguagem significativa ou prejuízos.

Esse tipo de autismo tem algumas características marcantes, como excepcionais habilidades verbais, problemas com simbologias e com interações sociais e também comportamento obsessivo em interesses especiais.

A síndrome afeta três vezes mais meninos e, pelo fato do autista que tem Asperger apresentam inteligência acima da média, alguns especialistas a chamam de “Autismo de Alto Funcionamento”. Por outro lado, pessoas com Asperger têm grande chance de desenvolver transtornos como depressão e ansiedade na fase adulta.

Transtorno Invasivo do Desenvolvimento

Pessoas que são diagnosticadas com o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, dentro do espectro autista, são aquelas que têm um grau de autismo um pouco mais grave do que a Síndrome de Asperger e mais leve do que o transtorno autista.

Quem tem esse tipo de transtorno pode apresentar diversos e diferentes sintomas, mas os mais comuns são: interação social prejudicada; competência linguística superior ao transtorno autista, mas inferior a Síndrome de Asperger; menos comportamentos repetitivos.

Transtorno Autista

O transtorno autista abrange todas as crianças e adultos que apresentam sintomas mais graves do que os manifestados na Síndrome de Asperger e no Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Nesse tipo de autismo, a capacidade social, cognitiva e linguística é bastante afetada, além de terem comportamentos repetitivos em grande intensidade.

Esse grau do espectro autista normalmente é diagnosticado antes dos três anos de idade e ele pode ser identificado por meio de alguns sinais como: desenvolvimento atrasado da linguagem atrasada, dificuldade em fazer pedidos usando a linguagem; falta de contato com os olhos quando se fala e auto-estimulação comportamento como balançar ou bater as mãos.

Níveis do Autismo

Além desses tipos de transtornos, o autismo também apresenta três diferentes níveis:

Nível de Gravidade
Comunicação Social
Comportamento restrito e repetitivo
Nível 1: LeveNesse nível há dificuldades e pouco interesse em iniciar uma interação social
Inflexibilidade no comportamento interferindo no funcionamento de um ou mais contexto. Além de apresentarem uma dificuldade significativa em trocar de atividade, se organizarem e planejarem.
Nível 2: MédioGrande déficit nas habilidade sociais e ocorrem prejuízos de interação, mesmo quando há apoioInflexibilidade no comportamento que também dificulta o entendimento de mudanças, além de apresentarem comportamentos restritos ou repetitivos frequentes
Nível 3: GraveDeficiência grave na comunicação verbal e não verbal, além da dificuldade de interação social
Mesmos níveis comportamentais das pessoas com nível 2

Autismo: tratamentos

O diagnóstico precoce, como falamos, sem dúvidas é o melhor começo para o tratamento, já que criará mais chances de ampliar os níveis funcionais. O principal objetivo do tratamento com autista é reduzir os sintomas a partir do suporte ao aprendizado e ao desenvolvimento, maximizando assim as habilidade sociais e a capacidade de comunicação.

Não existe um tipo de tratamento único e específico, pois cada autista apresenta a sua própria dificuldade e grau de resposta as atividades, por isso, apenas um especialista poderá determinar quais são as melhores práticas para cada pessoa.

Veja algumas possibilidades de tratamento:

Fonoaudiologia

A fonoaudiologia é um dos tratamentos mais importantes para o autista, já que se concentra nas habilidades de linguagem e comunicação da pessoas. Esse profissional pode ajudar o autista a melhorar sua comunicação social e o uso funcional da linguagem.

Ludoterapia

A ludoterapia é indispensável para crianças diagnosticadas com autismo. Por meio de brinquedos e jogos que atraem o interesse da criança, o terapeuta trabalha para facilitar a interação social e o contato visual da criança.

Grupos de habilidades sociais

Como o próprio nome já diz, são reuniões entre pessoas que têm autismo, nos mais variados graus, para praticar interações comuns no dia a dia, e assim melhorar sua comunicação e comportamento social.

Análise Aplicada do Comportamento (ABA)

A ABA é uma análise comportamental da criança por meio de princípios da teoria do aprendizado. Como o autismo é um transtorno que pode trazer excessos comportamentais, a ABA tem o objetivo de amenizar certos comportamentos considerados nocivos e estimular outros, como a maneira que a criança se dá ao ambiente exterior.

Medicação   

Não existe uma medicação direcionada propriamente ao tratamento do autismo, mas existem medicamentos que podem ajudar a melhorar alguns problemas comportamentais e emocionais que aparecem em pessoas com autismo, como: agressividade; ansiedade; hiperatividade; impulsividade; irritabilidade, alterações de humor e ataques de raiva.

Para pais, amigos e familiares

Por causa de todas essas dificuldades de comunicação, interação social e alterações comportamentais, o autismo não afeta só a pessoa que tem o transtorno e sim, impacta a rotina de toda a família. Os cuidados necessários para uma criança autista e os desafios que os pais têm que enfrentar podem ser muito exaustivos fisicamente e emocionalmente. Por isso, separamos algumas dicas que podem ser muito úteis para conviver melhor:

Construa uma rede de apoio

Tomar decisões sobre a educação e o tratamento do seu filho autista não é uma tarefa fácil. Por isso, é muito importante o suporte de uma equipe de profissionais qualificada e de confiança. Outra dica valiosa é procurar o apoio de outras pessoas que enfrentam os mesmos desafios de um caso de autismo.

Tire um tempo para si mesmo

Lidar com os desafios do autismo pode ser extremamente exaustivo. Não esqueça de reservar um tempo só para você e relaxar um pouco. Isso evita que seus relacionamentos pessoais e familiares não sejam afetados por essa rotina estressante.

2 de abril: dia mundial de conscientização do autismo

A Organização das Nações Unidas (ONU), instituiu o dia 2 de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ou apenas Dia do Autismo, com objetivo de alertar e ampliar o debate sobre a doença, entre membros da sociedade e entidades representativas. O primeiro evento ocorreu em 2008 e desde então, vêm se provando uma excelente ferramenta de quebra de preconceitos e de falta de informação.

Autismo na mídia

A conscientização sobre o autismo também é uma responsabilidade da mídia, que tem como principal papel informar e trazer mensagens positivas e estimulantes para quem convive com esse transtorno por perto. Filmes sobre autismo, documentários, relatos e casos de superação, sempre são uma boa pedida para quem quer tr ainda mais conhecimento sobre o tema.

Filmes como Tudo que eu Quero (2017) e clássicos como Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (1993), com Leonardo DiCaprio, trazem para as telas o tema sobre os espectros do autismo, relatando a vida de seus personagens.

Além disso, pessoas famosas como Lionel Messi, jogador de futebol argentino, a cantora, Courtney Love, o nadador Michael Phelps, e o cineasta Tim Burton, são sinônimos de pessoas com certo grau de autismo que conseguiram sucesso e bom desempenho na carreira mesmo com os sintomas da doença.

Saiba mais sobre o transtorno e sobre opções de tratamento

Procure sempre se informar sobre o autismo e as novidades sobre tratamento e técnicas de interação. Existem muitos mitos sobre a questão e sempre há novos estudos buscando tecnologias e terapias inovadoras para o tratamento dos sintomas do autismo.

No Zenklub você pode encontrar o seu apoio psicológico online com os nossos especialistas. O importante é não deixar de buscar ajuda.

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