Talvez você nunca tenha ouvido falar em Síndrome de Asperger, mas sem dúvidas, em autismo sim. E o Asperger, de maneira mais geral e simples de explicar, é uma das formas mais leves do autismo, que hoje atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 160 crianças no mundo e 2 milhões de pessoas só no Brasil.

Conheça um pouco mais sobre o que é essa síndrome, quais as causas, sintomas e as formas de tratamento.

O QUE É A SÍNDROME DE ASPERGER

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), a Síndrome de Asperger, que recebe esse nome em homenagem ao pediatra austríaco e estudioso do comportamento infantil, Hans Asperger, é um distúrbio neurobiológico que afeta a comunicação e a interação social das pessoas, interferindo na forma como ela percebe o mundo e as outras pessoas ao redor.

Hoje, a Síndrome de Asperger é considerada como parte do grupo de Transtornos do Espectro Autista (TEA), sendo uma forma mais leve do autismo.

Qual a diferença entre Asperger e Autismo?

Vamos tentar entender melhor as diferenças entre essas duas condições para que você não confunda Asperger com Autismo, algo bem comum na cultura geral. Claro que há muitas semelhanças entre si, mas ao contrário do autismo, crianças diagnosticadas com Asperger não são gravemente afetadas com comprometimento cognitivo e atrasos no desenvolvimento da fala.

O autismo é um transtorno que compromete a interação social da pessoa, que apresenta comportamentos viciados, repetitivos e muito restritos, além de sérias dificuldades na linguagem, comunicação e sensibilidade.

Mesmo que a pessoa com Síndrome de Asperger também possa apresentar essas características do autismo, a intensidade dos sintomas são menores. Isso permite que ele viva de uma maneira mais independente, mesmo que seja considerada estranha na forma como interage socialmente.

Na dúvida, um especialista será a melhor pessoa para te responder e diagnosticar uma pessoa que apresente os sintomas, que vamos entender mais a frente quais são.

CAUSAS E FATORES DE RISCO DA SÍNDROME DE ASPERGER

A causa da Síndrome de Asperger ainda não é conhecida, mas pesquisadores desse transtorno acreditam que o aparecimento do Asperger esteja relacionado a alguma anormalidade no cérebro e fatores ambientais.

Outra causa apontada por cientistas é a relação da Síndrome de Asperger com a genética. Nessa teoria, pessoas que têm pais ou parentes próximos com a doença apresentam uma chance maior de desenvolvê-la. Além disso, esse tipo de espectro do autismo é mais comum em crianças do sexo masculino do que do feminino.

É importante destacar que a Síndrome de Asperger não está relacionada com fatores como abuso na infância e privação emocional.

PRINCIPAIS SINTOMAS DE ASPERGER

Você está percebendo que estamos sempre associando o Asperger a crianças, mas isso tem uma motivação. Pois é nessa fase, em geral, a partir dos três anos, e com mais incidência entre os 5 e 9 anos, que os primeiros sinais podem começar a aparecer.

Os sintomas podem variar de caso a caso e se manifestarem em intensidades diferentes. Conheça melhor as principais características de crianças que têm a Síndrome de Asperger:

Na comunicação

  • Excelente habilidade verbal: Em alguns casos, a criança com Síndrome de Asperger tem uma excelente capacidade verbal, usando um vocabulário rebuscado e estranhamente formal para a sua idade, o que o faz preferir conversar com adultos;
  • Dificuldade na comunicação verbal: apesar de uma boa habilidade verbal, é mais complexo para uma criança com Asperger manter conversas e compartilhar os seus pensamentos e emoções;
  • Dificuldade na comunicação não-verbal: possuem dificuldades de compreender a linguagem corporal e não sabem bem como se utilizar de gestos em uma fala;
  • Oposição a regras: é comum que não consigam aceitar regras, como esperar a vez para falar ou realizar alguma atividade;
  • Interpretação literal: incapacidade de entender sarcasmo, ironia, duplo sentido e outros recursos de tom de voz, além de usarem uma comunicação bem direta e serem conhecidos pela extrema honestidade.

Nas interações sociais

  • Obstáculos para se comunicarem: têm dificuldade em iniciar e manter uma conversa;
  • Dificuldade de criar laços: em muitos casos, não conseguem fazer amigos facilmente;
  • Expressão corporal incomum: podem se comportar estranhamente em situações sociais – por exemplo, evitar qualquer tipo de contato visual ou olhar em excesso para uma pessoa;
  • Falta de empatia: podem parecer não ter nenhuma empatia com os sentimentos, desejos e necessidades das outras pessoas.

Comportamento e aprendizado

  • Não lidam bem com mudanças: têm necessidade de uma rotina diária bem estruturada;
  • Podem desenvolver “rituais” incomuns: comportamentos estranhos, rigorosos e repetitivos como torcer mão ou os dedos;
  • Fixação por certas ações: podem desenvolver um interesse intenso e quase obsessivo por algumas atividades ou assuntos;
  • Têm muita dificuldade de regular suas emoções e, por isso, não sabem lidar com situações difíceis emocionalmente. Quando fazem  “birra” ou são muito teimosas, ela pode estar sobrecarregada de emoções;
  • Podem se sentir muito exaustos: depois de longos períodos de socialização, pode haver cansaço físico e emocional;
  • Não têm atrasos no desenvolvimento da fala e do aprendizado: têm inteligência normal ou Q.I considerado acima da média;
  • Podem ter disfunção motora: descoordenação dos movimentos, que costumam ser desajeitados.

Como é feito o diagnóstico?

A partir de testes neuropsicológicos e da observação, por um especialista, de situações comportamentais, emocionais, de memória e de socialização, é possível diagnosticar a Síndrome de Asperger.

Geralmente, os pais são encaminhados a um especialista, mediante a indicação do pediatra da criança. Entre as opções mais comuns nessa indicação temos:

  • Psicólogo: irá diagnosticar e tratar questões do emocional e do comportamental da criança;
  • Psiquiatra: poderá diagnosticar e tratar problemas emocionais e comportamentais, além da capacidade de prescrição de medicamentos que irão auxiliar na evolução do tratamento;
  • Neurologista: irá avaliar e tratar condições cerebrais.

Não se esqueça, em caso de suspeita sobre a condição do seu filho em relação a Síndrome de Asperger ou do próprio autismo, procure ajuda do pediatra ou de um especialista da sua confiança, que irá indicar qual melhor caminho que você deve seguir.

A SÍNDROME DE ASPERGER TEM CURA? QUAIS OS TRATAMENTOS?

A Síndrome de Asperger não tem cura, mas pode ser controlada com diferentes tipos de terapia e, em alguns casos com medicamentos. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor é a chance da criança se adaptar ao convívio social.

A forma de tratamento mais eficiente é multidisciplinar e envolve vários especialistas como psicólogos, pediatras, fonoaudiólogos e psicopedagogos. É muito importante também que professores, pais e outros membros da família também se envolvam nesse processo. Entenda melhor como tratar os sintomas da Síndrome de Asperger:

Treinamento de habilidades sociais

Podem ser individuais ou em grupo. Nesse treinamento, terapeutas ensinam as crianças a interagirem com outras pessoas, estimulando habilidades sociais positivas com elogios, por exemplo.

Terapia de linguagem

Nessa terapia, a criança é ensinada a melhorar sua comunicação com outras pessoas. Ela pode aprender coisas como usar de diferentes tons de voz para enfatizar diferentes informações e estratégias de como manter uma conversa na compreensão de gestos, como acenos com as mãos e contato visual.

Terapia cognitivo comportamental

Orientada para crianças mais velhas, essa terapia irá auxiliar as formas de pensamento, controle das emoções e dos comportamentos repetitivos. É também uma ferramenta de controle de sensações como colapsos nervosos, obsessões e desconfortos.

Terapia de interação sensorial

Orientada para crianças mais novas, é geralmente realizada por terapeutas ocupacionais que irão projetar o tratamento para questões relacionadas à aprendizagem e ao processamento de referências sensoriais.

Terapia de linguagem

Nessa terapia, a criança é ensinada a melhorar sua comunicação com outras pessoas. Ela pode aprender coisas como usar de diferentes tons de voz para enfatizar diferentes informações e estratégias de como manter uma conversa na compreensão de gestos, como acenos com as mãos e contato visual.

Psicoterapia

As sessões com um psicólogo podem ser extremamente benéficas em todas as fases da vida da pessoa com a Síndrome de Asperger. Ela pode melhorar sua autoestima, aprender a interagir com outras pessoas de forma mais adequada, compreender melhor seus sentimentos e lidar com desconfortos emocionais.

Medicamentos

Não existe um medicamento específico para tratar a Síndrome de Asperger. Mesmo assim, se for necessário, você pode consultar um psiquiatra para indicar remédios que controlem sintomas como hiperatividade, agitação e irritabilidade.

É importante lembrar que a automedicação é extremamente perigosa para esse e outros casos de transtornos ligados a problemas emocionais e físicos. Sempre pergunte ao especialista a real necessidade de aplicação de uma medicação, assim como o formato que será ministrado.

É POSSÍVEL PREVENIR O ASPERGER?

Por se tratar de uma síndrome de causas desconhecidas, não é possível adotar medidas de prevenção. O mais importante para prevenir que os sintomas se agravem é identificar e tratar com um especialista de o início do aparecimento dos sinais.

FAMOSOS COM SÍNDROME DE ASPERGER

Muitas pessoas públicas como o empresário Bill Gates, o cineasta Woody Allen, o nadador americano Michael Phelps, o ator Keanu Reeves e o jogador de futebol Lionel Messi, assumiram publicamente a convivência com a Síndrome de Asperger, e o principal ponto de olharmos para esses nomes é entendermos que mesmo que você ou alguém próximo tenha o Asperger, não há porque desistir de continuar investindo no desenvolvimento pessoal e profissional.

COMO A FAMÍLIA PODE AJUDAR

Como falamos, os pais, familiares e professores também têm um papel essencial no tratamento da criança com Asperger. Veja algumas técnicas que você pode usar para ajudá-la a lidar com os desafios do dia a dia:

  • Entenda e respeite o tempo de aprendizado da criança;
  • Incentive a comunicação dela com outras crianças;
  • Converse com ela de maneira objetiva e visual, para melhorar a compreensão;
  • Caso haja a necessidade de uma mudança de rotina, se programe para comunicar à criança com dias de antecedência pessoas com Síndrome de Asperger não lidam bem com mudanças súbitas;
  • Incentive a aprendizagem e o conhecimento de diferentes temas.

Se ainda assim você encontrar dificuldades para lidar com uma criança com Asperger, não deixe de procurar você também um apoio psicológico. No Zenklub, você consegue realizar esse tratamento online, de onde e quando você puder.

ENTIDADES DE APOIO

Você também pode contribuir com doações e trabalho voluntário para órgãos e entidades que apoiam a causa do autismo

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