O momento de escolha profissional é carregado de dúvidas que, em geral, vêm acompanhadas de muita ansiedade. Refletir e definir sua escolha, seu caminho, não é fácil. Em meio a tantas mudanças para assimilar, parece ser impossível ter clareza da sua orientação profissional e de seu projeto de vida.

É um período que ainda estamos tentando decifrar quem somos e a escolha profissional vem como um tempero a mais, nos fazendo pensar em nossa identidade para além do presente: quem queremos ser?

Nossa tendência é escolher da forma que estamos acostumados, ou seja, com base em nossa experiência passada. Mas o que muitas vezes não nos damos conta é quantas diferentes influências atuam de forma interdependente e inconsciente nessa forma já constituída de escolher.

Fatores que influenciam sua orientação profissional

Gostaria de abordar 03 diferentes influências que atuam sobre nossa escolha, muitas vezes sem nem nos darmos conta. Dessa forma podemos refletir sobre elas e chegar o mais próximo possível de um projeto de vida que seja genuinamente seu, idealizado e construído por você e para você. São elas: a influência familiar, dos amigos e da cultura.

Influência Familiar

Desde pequenos, vamos ouvindo referências em nossa família que vão se colando à nossa identidade e, às vezes de forma inconsciente, formando em nós uma visão acerca de quem somos e de como será nosso futuro, querendo escolher por nós nossa orientação profissional. Frases como “esse menino é muito criativo, acho que vai ser artista” ou “olha como ela é inteligente, vai seguir os passos da mãe e ter uma carreira de sucesso” ficam repercutindo dentro de nós e acabam por nos fazer assumir algumas ideias e sonhos compartilhados com os familiares, acreditando serem nossos próprios.

Influência Social

Vamos nos ater aqui aos amigos, grupo tão importante nessa fase que é a adolescência. Ao entrar na puberdade e posteriormente adolescência, o círculo de amigos e colegas ganha força e passa a ser uma referência de nós mesmos. Como nos vemos e como queremos que nos vejam. Vamo-nos juntando por identificação, criando grupos com características semelhantes e que, por isso mesmo, muitas vezes acabam confundindo o que é meu e o que é do outro. Nos percebemos mais conscientes do que gostamos e de como queremos ser, mas muitas vezes essas ideias não são verdadeiramente nossas e sim “emprestadas” de outras pessoas de nosso convívio.

Influência Cultural

Nessa dimensão estamos tratando de características específicas da cultura na qual estamos inseridos: o que é valorizado, o que paga bem, o que dá status, o que está na moda etc. Aspectos que variam de cultura para cultura. Como exemplo, podemos citar a profissão de professor, que em muitos países não é muito valorizada financeiramente, mas que no Japão é um sinal de status, reconhecimento e boa remuneração.

Neste ponto entram também os valores que são veiculados pela mídia e a questão dos padrões culturais de nossa sociedade quanto ao gênero. Há uma construção social que relaciona algumas profissões como predominantemente masculinas ou femininas, como se houvesse competências que só homens ou só mulheres possuem. Todos esses aspectos da cultura influenciam inconscientemente nossas escolhas, pois estão entranhados em nós desde o nascimento, levando-nos a conceber aspectos sobre nós ou sobre as profissões que não são reais, mas construídos e, principalmente, generalizados.

Considerando esses três aspectos que exercem influência sobre nossa autoimagem e nossas escolhas, é importante refletirmos para desconstruir um pouco algumas concepções e podermos, assim, encontrar nossa orientação profissional e fazer uma escolha que seja realmente construída por nós. Isso não quer dizer que temos que desconsiderar esses aspectos ou fazer o contrário do que imaginávamos para termos um projeto de vida autêntico. Precisamos, isso sim, identificar como esses aspectos estão influenciando nosso projeto de vida, refletir sobre eles e verificar se fazem sentido, se estão alinhados com quem realmente somos e o que queremos para nós.

Quanto mais você conhece a si mesmo, mais tem consciência do que é seu e o que é do outro – e isso te permite construir um projeto que seja realmente SEU.

Questões que nos ajudam a refletir sobre orientação profissional:

  • Se eu morasse em outro lugar, bem distante da minha família, minha opção profissional seria diferente?
  • O quanto minhas opções agradam ou desagradam a minha família? Que sensações isso me traz?
  • Que coisas que eu ouvi ou vi na minha casa que podem estar relacionadas às minhas opções profissionais de hoje?
  • Minhas opções de hoje são similares às dos meus amigos?
  • Tem alguém na minha família que exerce a profissão que estou inclinado a escolher? Como vejo essa(s) pessoa(s)? Que aspecto(s) nela(s) eu admiro?
  • Considerei e descartei alguma opção por como ela é vista culturalmente? Qual aspecto me fez descartá-la? (Após identificar a resposta, considere esse aspecto como um valor seu, algo que você busca e que pode ajudar a direcionar a sua escolha)
  • Considerei e descartei alguma opção por ser exercida por muitas pessoas do sexo oposto ao meu?

Em que outras situações a orientação profissional pode ajudar?

Ao contrário do que imaginamos no início das nossas vidas profissionais, o jornada no mundo do trabalho não é uma estrada em linha reta. Existem curvas, picos, vales, que colocam a prova a nossa performance, estabilidade e confiança em quem somos. Por isso, buscar orientação profissional não é algo exclusivo de quem está escolhendo um trabalho.

O principal objetivo de quem irá orientá-lo é fazer com que, independente da fase, você esteja buscando por áreas de atuação que lhe instigam e estão usando seus talentos. Para além dos testes vocacionais aplicados nos jovens, o profissional o guiará na sua busca por uma profissão que lhe deixe mais feliz. Além disso, vai provocá-lo a fazer reflexões e lhe oferecer um panorama do mercado que você tem a intenção de atuar.

Além do acesso à faculdade, há mais fases da vida em que você beneficiará de orientação vocacional:

Quando sentir que não consegue crescer na sua área

Se fala muito da falta de felicidade no trabalho como sinônimo de insatisfação com a atividade profissional, porém, nem sempre essa é a equação correta. Você pode sentir que é feliz realizando aquele tipo de trabalho, mas sente-se estagnado na sua carreira e não consegue ir adiante.

Nesses momentos, a orientação profissional vai lhe ajudar a entender como você chegou nessa etapa e como planejar sair dela. Claro, não existe saída óbvia, mas é preciso analisar corretamente cada variável. As dificuldades podem estar relacionadas ao ambiente, aos colegas, ao chefe, a posição que você ocupa. O psicólogo que irá lhe orientar vai traçar metas, planejar ações que o ajudarão a sair dessa posição estagnada.

A orientação profissional para os bons momentos

Você está muito feliz, recebeu uma promoção, entrou no cargo que sempre quis, mudou para a empresa dos sonhos. Será que alguém que está satisfeito precisa mesmo de orientação? Claro que sim. É muito fácil perder de vista os objetivos a longo prazo quando passamos por boas marés.

Buscar um profissional que o ajude a gerenciar as demandas que o seu trabalho exigirá de você, pode gerar um sentimento de contentamento ainda maior, como por exemplo um coaching. Além de colaborar com seus planos para que não perca seus objetivos de vista.

Quando você decide mudar de carreira

Se a sua intenção é uma mudança profissional, a orientação servirá como um apoio ao direcionamento que deseja tomar. É como voltar ao início, quando o jovem está fazendo sua escolha de carreira. O orientador auxiliará dando novas opções de acordo com suas habilidades. Ao longo do tempo adquirimos novas experiências e temos um novo entendimento de nós mesmos. Assim, é preciso passar por uma nova avaliação neste ponto.

Está passando por uma dessa fases? Talvez você queria conversar com um profissional nessa área. O Zenklub é a maior plataforma de bem-estar emocional e desenvolvimento profissional do Brasil. Mais de 100 especialistas, entre coaches e psicólogos, à sua disposição de onde você estiver, a hora que você quiser. 

Fernanda Costa

Psicóloga formada há 16 anos pela PUC-SP com experiência na área Clínica e Organizacional. Tenho vivência internacional e experiência com orientação profissional, maternidade e relacionamentos. Atendo a adultos e adolescentes, com abordagem Psicanalítica.
Fernanda Costa