Empoderamento é hoje um termo muito usado, mas será que você já parou para pensar na importância e na responsabilidade social, emocional, profissional e pessoal que ele carrega em si? Talvez não. E esse termo é algo tão rico de influência que você precisa sim se informar para perceber isso e para bravar por aí sobre empoderamento feminino.

Durante muito tempo foi negado às mulheres o direito de assumirem posições de poder na sociedade. Isso gerou uma falta de representatividade, diferenças salariais, desrespeito aos direitos já adquiridos e ausência de políticas públicas específicas. Mas o que fazer para empoderar as mulheres e aumentar a presença delas em posições de destaque no Brasil?

Isso que vamos trazer nesse artigo, informação, avaliação do cenário e dicas para que cada vez mais mulheres e todas as pessoas se inspirem para lutar por um espaço mais justo e de equidade.

Breve contexto histórico

Empoderar é uma adaptação do termo empowerment, que trouxemos para o nosso dicionário com a característica de atribuir significado ao ato de conceder ou dar poder a si próprio ou a outra pessoa. Em outras palavras, resgatamos o verbete inglês para dar mais contexto a uma evolução histórica social, que é a luta por direitos iguais entre os gêneros, em especial as mulheres.

A inferioridade feminina diante dos homens passou por diversos momentos de transformações sociais, posicionamento e de marcos de lutas que aos poucos deram voz às mulheres. Com a organização ao redor do mundo todo, elas trouxeram à tona temas importante referentes a educação, igualdade corporativa, direito ao voto, saúde, violência doméstica, sexismo, racismo e outras tantas bandeiras tão importantes quanto.

Hoje, o que vemos, é que muitos direitos foram conquistados, mas outros parecem estar parados em outro século. Por isso, ainda nos vale o dever de apropriação do termo empoderar, para levantar discussões em nosso cenário atual.

Lanterna dos afogados

Em 2017, o ranking mundial de desenvolvimento humano realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostrou que o Brasil ocupa a 90ª no índice de desigualdade de gênero. Países como Líbia, Malásia e Líbano estão à frente no que diz respeito a questões relacionadas à empoderamento, saúde reprodutiva e na atividade econômica.

Os dados que refletem nesta classificação sobre a desigualdade de gênero são:

Mercado de Trabalho: mesmo sendo 51,5% da população total do país, apenas 43,8% das mulheres fazem parte da força de trabalho ativa;

Educação: De acordo com o IBGE a taxa de mulheres com graduação superior completa é maior que o total de homens;

Remuneração: Mulheres recebem, em média, 23,9% a menos que os homens;

Liderança: Apenas 37% das mulheres com trabalho ativo ocupam cargos de direção e gerência. Em comitês executivos de grandes empresas esse número cai para 10%;

Do lar: homens dedicam 10,5 horas da sua semana para cuidar de afazeres domésticos, enquanto as mulheres 18,1 horas para essas atividades;

Política: mulheres representam 52% do eleitorado do país, mas menos de 600 mulheres ocupam cargos políticos na Câmara dos Deputados e Senado Federal;

Feminicídio: em 2016, 4,6 mil mulheres foram assassinadas no país;

Estupro: 49,5 mil casos de estupro em mulheres foram registrados no Brasil em 2016. O equivalente a 135 casos por dia;

Assédio: 40% das mulheres entrevistadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmam terem sido vítimas de assédio na vida pessoal e profissional.

Ponto de partida

Mesmo com o cenário atual nada favorável e o histórico de luta tão difícil para as mulheres, como acabamos de ver, acreditamos que a mudança de mentalidade e de comportamento está acontecendo e pode evoluir ainda mais.

Para isso, também é importante reverter esse ponto de partida inferior e, acreditar e atuar de maneira mais empoderada. Veja algumas atitudes, em diferentes campos, que podem contribuir para esse exercício com você e para outras mulheres:

1 – Seja responsável por você mesma

Não que você já não seja, mas por diversas vezes delegamos aos outros o poder de dizer como nós devemos ser. Isso inclui a responsabilidade de assumir as próprias escolhas, de cuidar de si e de realizar os objetivos. É importante ouvir, mas tão relevante quanto, é você saber que você está no comando e na influência das escolhas da sua vida.

2 – Não tenha medo de experimentar

Todas nós, mulheres, percebemos que existem um conjunto de regras, muitas vezes silenciosas, que regem o nosso comportamento. Para empoderar mulheres é preciso não ter medo de tentar algo novo, mesmo que isso não seja considerado um terreno normalmente percorrido por nós.

Uma forma prática de refletir a respeito é olhar os exemplos que você tem de mulheres que são engenheiras ou escolhem estudar área de exatas. São poucas, não é mesmo? Ninguém disse que você não poderia estudar essas competências, mas é tão “natural” associarmos essas atividades aos homens, certo?  

Então, não deixe de buscar exemplos de mulheres inspiradoras que se permitiram em seus desafios em solos não tão propícios, e seja você a próxima referência.

3 – Informe-se e tenha argumentos

O que mais nos leva a perder a esperança por uma luta é a falta de informação e de argumentos para debater em nosso ambiente social. Quantas vezes você desistiu de tentar se posicionar em uma reunião, por que outros homens se colocam mais alto? Quantas vezes você teve que explicar que você pode sim ser uma boa mãe e cuidar também de si própria e daquilo que você tem como sonho? Ou teve que explicar para os amigos que mulheres podem gostar e podem também discutir sobre futebol em uma mesa de bar?

Isso tudo cansa, mas quando você domina as reflexões sobre empoderamento feminino e representatividade, você consegue mais fôlego para falar e para lutar.

4 – “Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”

É com esse tema que milhares de mulheres estão saindo às ruas para convocar outras mulheres na luta por direitos. Você pode até estar se virando bem sozinha,  consegue ter sucesso nas diversas áreas da sua vida e é respeitada pelos seus semelhantes em todos os ambientes, mas há outras como você que não. Por isso, porque não unir forças e levantar a bandeira da esperança de um cenário mais justo, e isso é independente se você é negra, branca, pobre, rica, lésbica, hétero, gorda, magra, cabelo preto ou rosa.

Alguém lá nos tempos da sua avó já disse “a união faz a força”. E faz mesmo. Basta a gente descobrir o poder que nós temos juntas.

ONU Mulheres e o Pacto Global

A Organização das Nações Unidas (ONU) trouxe uma contribuição para o mundo e, em conjunto com o Pacto Global, criaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres. Essa é uma prova de que empoderamento não está só nas redes sociais e na boca de algumas blogueiras feministas do YouTube. A escala é muito maior, percebeu essa importância?

Mas qual objetivo desses princípios? Na teoria, são sete itens que visam instruir a comunidade empresarial a implementar valores e práticas que sejam mais equânimes, veja só:

1 – Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;

2 – Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação;

3 – Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;

4 – Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;

5 – Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing;

6 – Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social;

7- Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

A sociedade patriarcal e os homens machistas piram” nesses princípios, e agora que você já ganhou um pouco mais de informação sobre o assunto, tem até a lista da ONU nas mãos, que tal compartilhar com outras mulheres e disseminar a cultura do empoderamento e de mais direitos iguais para todos e, principalmente, para todas nós!

Mari Soares

Mari Soares

Carioca, balzaquiana, trabalhadora de Sampa, comunicóloga, feminista, curiosa, solteira e sem filhos.
Mari Soares