A autoestima é definida, de acordo com o dicionário Oxford Languages, como a qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus atos e julgamentos.

 A maneira como o indivíduo se vê, se enxerga, tem relação com essa construção da autoestima. Para melhor compreender esse conceito trago uma citação de Carvalho (2007) apud Moysés (2001), que descreve “a auto-estima como um sentimento de valor decorrente da percepção que o indivíduo tem de si mesmo, a autora associa o conceito de auto-estima com o de autoconceito devido a uma certa semelhança e dependência entre os dois. Formou-se assim um certo consenso de que o autoconceito é a percepção que a pessoa tem de si mesma, ao passo que auto-estima é a percepção que ela tem do seu próprio valor.” 

O papel da família

Desde a infância, a forma como somos tratados pelos nossos pares, acolhidos, elogiados e/ou julgados, servem como referência para a construção da nossa identidade, da forma como nos enxergamos. 

E essas influências vem do contexto social, histórico e cultural no qual estamos inseridos. Sendo imprescindível, levar em consideração os atravessamentos de classe, etnia e gênero.

Por exemplo, comentários como “você é muito inteligente” ou “você não serve para nada”, são parâmetros que interferem no modo como nos enxergamos no mundo e em relação à sociedade. Apesar de muitas vezes acharmos que são “pequenos” comentários, as nossas palavras têm grande impacto na vida do outro.

Nossas primeiras relações acontecem no ambiente familiar. E o modo como esta família se relaciona e gerencia sua rede de contatos, afeta diretamente a forma como também aprenderemos a fazer contato – com o mundo e com as pessoas. 

Essas relações podem ser facilitadoras para o crescimento ou gerar bloqueios, afetando a forma como nos ajustamos criativamente às situações, sensibilizando a nossa autoestima. 

A função da família é atuar como um heterossuporte, auxiliando na satisfação do indivíduo até chegar ao alcance do auto suporte. 

Mas, pode acontecer desse heterossuporte falhar – e aqui podemos refletir, será que nossos pais e/ou responsáveis tiveram acesso a uma base familiar que os ajudassem a desenvolver um auto suporte? 

A partir desse questionamento, é possível entender que se a base familiar não oferecer um suporte de qualidade – e aqui podemos imaginar um campo nutritivo, afetuoso e amoroso – mas, sim um espaço tóxico – e aqui, podemos pensar em um campo de linguagem agressiva, atitudes preconceituosas e/ou que invalidam a liberdade de ser e sentir do sujeito –, esse indivíduo poderá se ajustar de maneira disfuncional, gerando sofrimentos e adoecimentos emocionais. 

O elefante preso na cadeira

Tem uma imagem que circula na internet de um elefante preso, por uma corda frágil, em uma cadeira. De acordo com Paulo Coelho, a história é a seguinte:

Ainda criança, o bebê-elefante é amarrado, com uma corda muito grossa, a uma estaca firmemente cravada no chão. Ele tenta soltar-se várias vezes, mas não tem forças suficientes para tal.

Depois de um ano, a estaca e a corda ainda são suficientes para manter o pequeno elefante preso; ele continua tentando soltar-se, sem conseguir. A esta altura, o animal passa a entender que a corda sempre será mais forte que ele, e desiste de suas iniciativas.

Quando chega a idade adulta, o elefante ainda se lembra que, por muito tempo, gastou energia à toa, tentando sair do seu cativeiro. A esta altura, o treinador pode amarrá-lo com um pequeno fio, num cabo de vassoura, que ele não tentará mais a liberdade.

Essa imagem, de forma resumida, gera a seguinte reflexão: o elefante não tem noção da força que tem. 

Quando estamos com baixa autoestima, incrédulos das nossas potencialidades, é como se fossemos elefantes presos em cadeiras e  ainda não descobrimos as nossas potencialidades. 

Em diversos momentos, a família e o ambiente social pode funcionar como a corda que nos prende e impede de alcançar a nossa liberdade. E assim, vai-se construindo ideias e pensamentos limitantes, como:

  • Eu não sou capaz;
  • Não sou digno (a) de ser amado (a);
  • Eu não tenho qualidades; 
  • O que faço não é bom e suficiente. 

Entender e ampliar a consciência sobre como essas relações nos afetam, ampliar o autoconhecimento sobre nossas potencialidades e sobre os pontos que precisam ser cuidados, é de extrema importância para que, compreendamos que somos mais que a opinião dos outros e que não precisamos reproduzir as formas de relacionamento disfuncionais encontradas no nosso campo social e familiar. 

Lembre-se: 

  1. Nós estamos em constante transformação;
  2. Nossas feridas e traumas precisam ser acolhidos e cuidados;
  3. Podemos errar e começar novamente;
  4. Se você não veio de uma família emocionalmente saudável, comece o seu processo de cura para que uma família emocionalmente saudável venha de você.

Eu posso te ajudar

É isto. Se cuida e comenta se fez sentido para você. Estou à disposição e posso te auxiliar no seu processo de autoconhecimento. 

Referências: 

CARVALHO, Maria Lidia. Compreendendo a autoestima no enfoque da Gestalt-terapia. 2007.

DA ROCHA, Rúbia Janelo; TAVARES, Laís Nadai. DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL INFANTIL E A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA COMO HETEROSSUPORTE: UM OLHAR DA GESTALT-TERAPIA.

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Publicado por:

Julia Evelyn Lima da Costa

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Julia Evelyn Lima da Costa

Psicóloga Clínica com ênfase na Gestalt-terapia. Especialista em Psicologia da Educação, com experiência em autoconhecimento, traumas e abusos, transtornos de ansiedade e depressivos, suicídio, morte e luto. CRP 17/4570.