Escrito pelo filósofo alemão Eugen Herrigel, o livro “A arte cavalheiresca do arqueiro zen” (ed. Pensamento) narra a história do autor como discípulo de um mestre zen. Durante sua estada no Japão, onde foi professor por quase seis anos na Universidade de Tohoku, o discípulo toma aulas numa peregrinação que culmina na revelação do eu interior.

Valendo-se da arte do arco e flecha, o filósofo convida o leitor a refletir sobre a própria existência e defende que, para que consigamos reencontrar a origem de nossa alma, é preciso lançar mão de quase todos os conceitos que temos sobre nós mesmos. Ele está correto. Como o tiro com arco, a vida às vezes pode parecer resumida em questões como “de onde viemos?” e “para onde vamos?”, mas a verdade é que devemos nos focar nas coisas que fazemos enquanto ela nos é presenteada.

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Na história, Herrigel propõe-se ao aprendizado da arte do arqueiro tal como praticada pelos zen-budistas (um dos ramos mais originais do budismo, o zen propõe a transcendência do intelecto, o desprezo pelas palavras, o silêncio, gestos iluminantes e iluminados e a comunhão com o cosmo). Durante os cinco anos que demora para aprender a arte do arco e flecha, o discípulo descobre que a tarefa não é fácil.

Muitas reflexões importantes aparecem nesse livro. Cito uma: “A arte genuína não conhece nem fim nem intenção. (…) O que obstrui o caminho é a vontade demasiadamente ativa.” Essa passagem nos convida a entender que a consciência traz a liberdade.

O livro nos faz lembrar que temos o que é a verdadeira intenção diante da vida: aquela centelha quase divina que portamos, mas que acaba se perdendo com as necessidades.

Nessa espécie de fábula moderna, o leitor compreende trilhar o caminho para dentro de si é tarefa árdua que exige uma desconstrução de nós mesmos.

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Zenklub

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