Assim como a ciência psicológica, o cinema surgiu com o desenvolvimento industrial e as contradições inerentes à sociedade moderna. Foi na França, em 1895 que, pela primeira vez na história, foram feitas as primeiras projeções de filmes dos irmãos Lumiére, os inventores do cinematógrafo. Sua difusão foi rápida: no início do século XX já existiam centenas de aparelhos semelhantes distribuídos pela Europa.

O surgimento da sétima arte possibilitou que as pessoas conhecessem outras realidades sem a necessidade de passar pela experiência imediata, já que inicialmente o cinematógrafo se destinava à apresentação de imagens documentais, como registros de situações cotidianas, paisagens, hábitos e costumes de civilizações geográfica e culturalmente distantes uma das outras.

A invenção do cinema teve grande impacto no psiquismo humano – e ainda tem nos dias de hoje. Não há cinema que não passe pela psicologia, e até mesmo os mais triviais filmes carregam em seus personagens estereótipos psicológicos da nossa cultura que podem render análises incríveis. Pode se olhar o cinema como olhamos a nossa própria vida, de forma abrangente e consequente. A narrativa cinematográfica pode ser estudada como uma representação, como um conjunto de ideias que compõem a trama, a estrutura, mais próxima de uma abordagem sintática e o ato, um processo dinâmico de apresentação de uma história a um receptor.

Em apenas um século, o cinema tornou-se uma arte ativa em nossa sociedade, atingindo todas as camadas sociais, produzindo cultura e proporcionando reflexões sobre ela.  O cinema tem uma recepção coletiva e contínua, e as histórias dramatizadas nas telas dos cinemas são impactantes, uma vez que suscitam sentimentos vivenciados pelos seus apreciadores.

Vemos como necessários os estudos que discutem se a mediação da linguagem cinematográfica pode ser uma via de desenvolvimento e apropriação de conceitos, objetivando promover humanização ao revelar a natureza histórico-social humana.

A psicologia histórico-cultural iniciada pelo psicólogo russo Lev Vigotski (1896-1934) contrapõe-se aos ideários que consideram a historicidade dos fenômenos humanos e propõe que cada indivíduo carrega em si as marcas contraditórias, conflitivas, da sua sociedade.  Um filme não é pensado, é percebido.

Sobre o autor:
É psicólogo e atende por vídeo-chamada no Zenklub.