Hoje em dia, a ansiedade e depressão são condições que acometem muitas pessoas. Mas nem sempre pessoas ansiosas ou tristes recebem um ou outro diagnóstico. Por isso, o Código Internacional de Doenças (CID) decidiu catalogar o transtorno misto ansioso e depressivo.
Este transtorno não está enquadrado no DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais nº 5 – que é um conjunto de transtornos mentais registrados pela Associação Americana de Psiquiatra.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao menos 18,6 milhões de brasileiros sofrem de algum transtorno de ansiedade. Além disso, a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2019 apontou que 10,2% (16,3 milhões) das pessoas com mais de 18 anos sofrem da doença.
Essas são pessoas que completaram todos os critérios tanto para os transtornos de ansiedade (por exemplo, transtorno de ansiedade generalizada).
Mas e quem não completou?
Pois bem, pode ser um caso de transtorno misto ansioso depressivo.
Para saber mais sobre o assunto, continue lendo o conteúdo!
O transtorno misto ansioso depressivo é um quadro no qual não se faz o diagnóstico nem de depressão, nem de algum transtorno de ansiedade, mas mesmo assim a pessoa apresenta sintomas de ambas as condições.
Por exemplo, uma pessoa que esteja sentindo tristeza há mais de duas semanas, com insônia e tenha história de 1 ataque de pânico anteriormente, pode ter o transtornos misto ansioso e depressivo.
A pessoa diagnosticada com o transtorno misto ansioso e depressivo pode receber o CID F41.2.
Diferente do que algumas pessoas pensam, o transtorno misto ansioso e depressivo, na maioria dos casos, não é capaz de causar aposentadoria por invalidez, uma vez que há tratamentos eficazes disponíveis e o transtorno em si é menos grave que outros (como o transtorno depressivo recorrente, por exemplo).
Antes de mais nada, é importante que se verifique se os sintomas de ansiedade e tristeza são agudos ou crônicos.
Isto é, ocasionados por alguma ocasião específica (por exemplo, em uma situação de luto é esperado que se tenham esses sintomas), ou se eles persistem por um tempo sem que uma circunstância emocionalmente forte tenha ocorrido.
Isso posto, os principais sintomas de uma pessoa depressiva e ansiosa são:
Sintomas: Transtorno misto ansioso e depressivo |
• Baixa autoestima • Desejo de ficar em solidão • Fadiga, indisposição e falta de energia • Tristeza que persiste por mais de 14 dias • Perda de interesse nas atividades que anteriormente eram prazerosas (sintoma chamado de anedonia) • História de ataques de pânico • Calafrios, adormecimentos • Preocupação exacerbada com eventos futuro • Fácil irritação, impaciência e auto agressões (diferenciar do transtorno de escoriação) • Insônia (dificuldade de pegar no sono ou de manter uma noite de descanso contínua) • Inquietude, falta de foco e concentração • Alterações no apetite (perde-se a fome ou come-se mais do que o habitual – comida como um refúgio para as tensões do dia a dia) |
Caso apresente pelo menos 4 desses sintomas por mais de 4 semanas, é importante que se procure ajuda de um especialista em saúde mental para receber uma avaliação individualizada e, assim, detectar se é um caso de transtorno misto ansioso depressivo ou não.
Para preencher todos os critérios do CID F41.2 e diagnóstico do transtorno misto ansioso depressivo, é preciso afirmar que os sintomas:
De acordo com a psicóloga Thaiana F. Brotto – CRP 106524/06 o transtorno misto de ansiedade e depressão é uma doença relativamente nova e foi criada a fim de reunir as pessoas que têm sintomas de depressão e ansiedade, mas não preenchem os critérios para outros diagnósticos nesse sentido.
Além disso, é comum a associação de um transtorno de ansiedade com um transtorno depressivo maior.
Em um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, identificou-se que dos 253 pacientes com transtorno de ansiedade generalizada analisados, 53.7% apresentavam transtorno depressivo como comorbidade e 14.6% tinham depressão recorrente.
Um dos motivos para essa associação entre depressão e ansiedade é que ambas as condições têm relação com a falta de determinados neurotransmissores no cérebro, em especial a serotonina.
Essa questão repercute em uma semelhança no tratamento, sobre o qual iremos saber mais na sequência.
O transtorno misto ansioso e depressivo tem cura desde que seja feito o tratamento adequado. Este inclui os seguintes pontos:
Uma vez que você tenha percebido alguns sintomas de ansiedade e depressão no seu dia a dia, o melhor a fazer é buscar ajuda de um profissional especializado em saúde mental.
É muito complicado, por vezes, ter disposição para se dirigir até uma clínica médica ou um consultório psicológico.
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Para encerramos nosso conteúdos sobre o transtorno misto ansioso, trouxemos um resumo com as principais informações passadas:
Referências:
1) KAPLAN, H. B.; SADOCK, B. J.; GREBB, J. A. Compêndio de psiquiatria: Ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.
2) Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
3) Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. Descrições Clínicas e Diretrizes. Trad. Dorgival Caetano. Artes Médicas, Porto Alegre. 1993. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2774544&pid=S1677-2970200000010001300006&lng=pt
4) Juarez Roberto de Oliveira Vasconcelos, Alice Peixoto da Silva Lôbo, Valfrido Leão de Melo Neto. Risco de suicídio e comorbidades psiquiátricas no transtorno de ansiedade generalizada. J. bras. psiquiatr. vol.64 no.4 Rio de Janeiro. 2015. Disponível em: https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/risco-de-suicidio-e-comorbidades-psiquiatricas-no-transtorno-de-ansiedade-generalizada