Saber como lidar com o transtorno de personalidade paranóide é um exercício de confiança.
Afinal, uma das características mais marcantes de tal condição é a desconfiança excessiva nos amigos e cônjuge.
Hoje em dia, somos muitas vezes condicionados a desconfiar do outro. Por isso, confiar legitimamente em alguém que não se conhece pode parecer loucura.
Mas a confiança é importante para construir relacionamentos sólidos, seja com familiares, amigos ou companheiros amorosos.
No caso de quem possui o transtorno de personalidade paranóide há sempre uma “pulga atrás da orelha” acerca do outro, o que pode prejudicar bastante os envolvimentos interpessoais.
Assim, é importante aprender como lidar com o transtorno de personalidade paranóide. Acompanhe o artigo até o final e tenha uma ótima leitura!
O transtorno de personalidade paranóide é uma condição que se encaixa nos transtornos de personalidade, ou seja, que recebe o diagnóstico após os 18 anos de idade.
Há vários outros transtornos de personalidade, entre eles o transtorno de personalidade narcisista que é bastante diferente do TPP.
Assim, o transtorno de personalidade paranóide afeta cerca de 2,3% a 4,4% da população estadunidense e a dificuldade maior que deriva de tal condição é a dificuldade em confiar no outro.
O transtorno de personalidade recebe o CID 10 – F60.0 (personalidade paranóica) que se enquadra nos Transtornos específicos da personalidade (F60).
Os sintomas do transtorno de personalidade paranóide envolvem basicamente o desconfiar do real significado de atitudes do outro, sejam de:
Além de tal desconfiança, outros sintomas possivelmente presentes no transtorno de personalidade paranóide são:
Além disso, um dos sintomas que podem aparecer no transtorno de personalidade paranóide são os delírios (os mesmos que caracterizam transtornos psicóticos como o transtorno delirante persistente), que são crenças tão fortes que não podem ser modificadas por meio de argumentos racionais.
O diagnóstico é realizado em algumas etapas.
Em primeiro lugar, o profissional da saúde mental faz uma anamnese, isto é, uma entrevista minuciosa que analisa a queixa principal do paciente.
Após uma análise aprofundada dos sinais e sintomas, o especialista aplica testes de personalidade para verificar se os critérios se enquadram no transtorno de personalidade paranóide.
Segundo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), alguns dos pontos que falam a favor de tal condição são:
Além desses pontos, para o diagnóstico da condição é importante diferenciar um outro transtorno mental que tenha características semelhantes.
Embora tenha sintomas e sinais parecidos com outras condições mentais, há como diferenciar o transtorno de personalidade paranóide.
Isso depende de uma avaliação cuidadosa e paciente do profissional responsável pelo caso.
Por exemplo, ao realizar uma anamnese minuciosa é possível diferenciar a intolerância à frustração do TPP de um transtorno de personalidade borderline. Pois neste caso as frustrações ocorrem por uma instabilidade do humor, enquanto no TPP ocorre por conta da falta de confiança no outro.
Além disso, a diferença do TPP com a esquizofrenia ocorre porque nesta última condição há associação mais frequente de:
Além do CID10 F60.0 a pessoa com o transtorno de personalidade paranóide comumente recebe do psicólogo ou psiquiatra outros diagnósticos (são as chamadas comorbidades) como:
Como lidar com alguém com o transtorno de personalidade paranoide pode ser bastante desafiador.
Afinal, por mais que se mostre atos amorosos e de serviço, a pessoa com a condição pode acreditar que tais ações são parte de uma farsa, de uma enganação.
Por isso, em primeiro lugar é importante entender que quem sofre de condições como os transtornos de personalidade estão diante de um sofrimento interior.
Isso ajudará a compreender que a desconfiança não é algo pessoal, mas sim um reflexo de uma dor psíquica interior.
Assim, como lidar bem com um pessoa com transtorno de personalidade paranóide envolve ter paciência e buscar apresentar que não há razões concretas para desconfiar de determinada pessoa.
Essa busca pouco a pouco ajudará quem sofre da condição a compreender que o mecanismo de confiança envolve não somente percepções internas, mas principalmente observações de atos e condutas externas das outras pessoas.
Assim como os outros transtornos da personalidade, o transtorno de personalidade paranóide não tem cura, mas possui tratamento.
As intervenções terapêuticas serão tão mais eficazes quanto maior for o acompanhamento psicológico e a qualidade da relação profissional-paciente.
Da mesma forma como ocorre no transtorno de personalidade borderline (limítrofe), quem sofre TPP possui dificuldade de confiar plenamente no terapeuta, o que dificulta o tratamento.
Dessa maneira, o tratamento do transtorno de personalidade paranóide envolve basicamente a prática regular de terapia a fim de compreender as outras pessoas com cautela antes de emitir julgamentos acerca da confiabilidade de cada um.
Nesse contexto, as relações interpessoais de uma pessoa com TPP melhoram e ela pode viver uma vida muito mais feliz!
Embora a cura nos transtornos de personalidade não seja uma opção factível, há como lidar plenamente bem com o transtorno de personalidade paranóide.
No entanto, é importante buscar um terapeuta que gere identificação na pessoa com a condição a fim de manter a consistência e estimular a confiança entre profissional e paciente.
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Referências:
1) KAPLAN, H. B.; SADOCK, B. J.; GREBB, J. A. Compêndio de psiquiatria: Ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.
2) Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
3) Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. Descrições Clínicas e Diretrizes. Trad. Dorgival Caetano. Artes Médicas, Porto Alegre. 1993. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2774544&pid=S1677-2970200000010001300006&lng=pt
4) DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 2 ed., Porto Alegre: Artmed, 2008