Com o estresse do dia a dia, muitas pessoas que têm ansiedade não possuem a disponibilidade de lidar com o transtorno através somente de meditação ou exercício físico para se acalmar e buscam medicamentos.
A fluoxetina para ansiedade é uma alternativa. Porém, antes de iniciar qualquer tratamento, é necessário consultar psicólogos, psiquiatras e estar informado sobre o remédio.
A fluoxetina é um antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. O medicamento age inibindo a absorção de serotonina pelos neurônios, que, quando tem os níveis baixos, pode causar depressão, síndrome do pânico, ansiedade ou sintomas obsessivo-compulsivos.
Este remédio é vendido somente com prescrição médica e pode ser encontrado em forma de cápsulas de 10 mg, comprimidos de 20 mg ou na forma de solução em gotas de 20mg/mL, administradas por via oral.
Segundo o psiquiatra diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista, Henrique Bottura, o medicamento é indicado para o tratamento da ansiedade.
“A fluoxetina inibe seletivamente a recaptação do neurotransmissor serotonina, na região da comunicação entre um neurônio e outro. Isso favorece a neurotransmissão serotoninérgica e está associado, sim, a melhoria de sintomas tanto depressivos quanto de ansiedade”, afirma Henrique.
“Existem relatos científicos que dizem que a fluoxetina foi o primeiro antidepressivo da classe dos inibidores seletivas da recaptação da serotonina que, além do efeito antidepressivo, mostrou-se eficaz no tratamento das síndromes ansiosas”, acrescenta o médico referência em saúde e bem estar, Gustavo Sá.
A medicação é mais indicada para adultos e tem a finalidade de aliviar sintomas não somente da ansiedade ou até ansiedade social, mas também relacionados às seguintes condições:
Os efeitos colaterais costumam se manifestar nas duas primeiras semanas do uso. As ocorrências mais comuns, nesses primeiros dias, são:
Porém, caso surjam alguns dos sintomas raros abaixo, é necessário procurar um médico imediatamente.
Além disso, caso alguns dos sinais abaixo comecem a se manifestar, um psicólogo ou psiquiatra deve ser comunicado:
O remédio deve ser ingerido por via oral, com água, sempre no mesmo horário do dia, orientado pelo médico. Dê preferência para tomar pela manhã ou no período da tarde, a fim de evitar insônia.
Caso você esqueça de ingerir o medicamento, tome-o assim que lembrar. Não é recomendável tomar doses em dobro do remédio com o objetivo de recompensar o que foi esquecido. Caso tenha dificuldades de lembrar da frequência do uso, opte por um alarme que te notifique do horário do remédio.
O psiquiatra explica que o remédio não proporciona um efeito instantâneo e que o corpo do paciente passa por um processo de adaptação, podendo perceber uma piora discreta na ansiedade ou depressão.
“O efeito vem em duas, três ou até quatro semanas. Nos primeiros dias, o paciente acaba enfrentando uma piora inicial, por se tratar de um processo adaptativo”, diz Henrique.
Diversos estudos realizados ao longo de 30 anos já concluíram que a fluoxetina é segura, quando utilizada da forma correta entre os adultos. Dependendo do objetivo da medicação, o remédio pode ser usado por crianças de, no mínimo, 8 anos, porém, é essencial que os pais estejam constantemente monitorando o tratamento.
Pessoas acima de 60 anos também podem fazer uso do tratamento com fluoxetina. Porém, caso o idoso tome outros medicamentos regularmente, é necessário que o médico considere os efeitos causados pela interação das substâncias.
Sim, porém existe o risco de malformação fetal. Especialistas já revelaram que o risco para a mãe e bebê é baixo, mas cabe ao ginecologista e obstetra, aliado ao psicólogo, avaliar os benefícios da continuidade da medicação ao longo da gestação. Por isso, sempre consulte seu médico.
A fluoxetina pode sim passar pelo leite materno. Porém, somente um médico pode avaliar se o remédio deve ser mantido ou se a dose deve ser reduzida, por exemplo. Avalie junto com um profissional da saúde a real necessidade do uso do medicamento durante o período de amamentação.
É necessário evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento com fluoxetina. Isso porque a interação dos dois pode causar tontura, sonolência, dificuldade de concentração, problemas de raciocínio e julgamento.
Dentre os remédios que não devem ser usados em conjunto à fluoxetina, os principais são:
“Não. Isso é um mito. A fluoxetina não causa dependência química”, explica Gustavo Sá.
Sentimentos de apreensão e nervosismo são normais, porém, a partir do momento que a ansiedade passa a causar prejuízos na rotina ou nas relações interpessoais, é necessário procurar um médico.
Diferentemente do que se imagina, existem diversos tipos de ansiedade e somente um acompanhamento psicológico, associado ao tratamento psiquiátrico, será capaz de fornecer o diagnóstico do tratamento mais indicado.
Porém, caso você apresente alguns dos sintomas abaixo, procure ajuda profissional.
Referências:
CARLINI, Elisaldo A.; NOTO, Ana Regina; Nappo, Solange Aparecida; SANCHEZ, Zila Van der Meer; FRANCO, Vera Lúcia da Silva; SILVA, Luiz Carlos Franco; SANTOS, Vilmar Ezequiel; ALVES, Décio de Castro. Fluoxetina: indícios de uso inadequado. Disponível: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852009000200005
WOJEICCHOWSK, Cristiane; SANTOS; Patrícia. Efeitos da Fluoxetina. Disponível em: http://www.periodicos.unc.br/index.php/agora/article/view/154
Gustavo Sá– médico referência em saúde e bem estar. CRM SP 218406
Henrique Bottura- psiquiatra diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista. Colaborador do ambulatório de impulsividade do Hospital das Clínicas de São Paulo. CRM 108707