Para cuidar, precisamos nos cuidar. Essa é uma regra muito importante para quem é um cuidador. Se você é cuidador de um paciente com uma doença crônica, doença mental, idoso ou qualquer pessoa que dependa de você, saiba que, para que continue com essa função, terá de olhar com um pouco mais de carinho para você mesmo. Muitas vezes não há tempo para isso, mas se você adoecer quem é que cuidará de você? Pense nisso.

A tarefa de cuidar não é fácil; muitas pessoas deixam de lado a própria vida para se dedicar ao outro. O adoecimento, seja qual for, que causa dependência para as atividades de vida diária afeta a vida do cuidador e da família como um todo. Há um acúmulo de tarefas que geram a necessidade de reorganização de papéis e adaptação em várias esferas, muitas vezes inclusive com a necessidade de adaptar até mesmo o ambiente.

Neste cenário, também não é incomum que sejam criadas mudanças na vida financeira e social, nos relacionamentos dentro de casa. Uma pessoa, no caso o cuidador, acaba por assumir uma responsabilidade muito maior, sendo a responsável por zelar por si próprio e com a nova condição, por um terceiro, seja ele familiar, amigo, vizinho ou qualquer pessoa que não consegue mais ser autossuficiente em sua própria vida. Consequentemente, esse cuidador passa a adiar , substituir ou cancelar seus próprios planos de vida, na esfera pessoal e até na profissional.

 

É muito difícil conseguir lidar com essa nova realidade sem o apoio externo. Muitas vezes é necessário delegar funções, pedir ajuda e equilibrar as novas responsabilidades. Às vezes, parece claro o quanto necessitamos de auxílio, mas se não dissermos, não externarmos para os outros , fica o sentimento de que está tudo certo e você está dando conta.

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Quando o cuidador precisa de cuidados

Ter um tempo para você não é um luxo, é algo indispensável para manter suas atividades no médio e longo prazo. Descansar, se distrair, manter a própria saúde mental é um dos principais pontos para conseguir seguir em frente. Sempre que possível, invista em autocuidado, tenha alguém de confiança para poder revezar e tenha consciência de que as tarefas não serão feitas exatamente da mesma forma que você as faz.

Tire pelo menos uma hora do dia para você, tenha o seu momento. Não existe receita, faça o que funcionar melhor para você: pode ser uma atividade física,um hobby, sair com um amigo para tomar um café, ir ao cinema, fazer terapia, meditação, enfim, qualquer coisa que permita que você possa se desligar durante um momento, desabafar, descarregar o estresse.

Não se esqueça: cuide-se para poder cuidar. São muito frequentes casos de cuidadores que entram em depressão, chegam ao esgotamento e adoecem também. E neste caso, tanto você quanto quem depende de você, podem ficar desamparados.

Quando a mulher adoece parece que fica ainda mais difícil o ato de cuidar, pois essa função historicamente foi designada a elas. Atualmente, muitos homens têm desempenhado esse papel, portanto daqui um tempo essa realidade pode mudar, mas o que se vê é que quando em uma família a mulher adoece a desestruturação é ainda maior.

A maioria dos cuidadores são mulheres, portanto se você é um homem cuidador procure ajuda e orientação, há muitas coisas que quando o homem adoece a mulher por instinto, experiência com filhos, presta atenção e podem passar despercebidas para o homem. Estes casos são vistos, principalmente, em higiene pessoal e troca de roupas (como roupas de cama e até roupas íntimas).

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, pedir ajuda é um ato de sabedoria. É preciso se preservar física e mentalmente, pois a doença causa dependências que acompanham o paciente e quem zela por ele, até o fim, muitas vezes por longos períodos e até de forma definitiva. São frequentes casos onde se torna necessário anos de dedicação e doação, por isso é extremamente necessário se manter saudável.

Existem grupos presenciais e online (em mídias sociais e fóruns) para cuidadores que podem ajudar muito nesse processo. A contribuição vem de experiência pessoais, ouvir e aconselhar outros que estão na mesma situação, expressar seus sentimentos, refletir sobre o papel do cuidador e o destino da sua própria vida pessoal. Encontrar recursos de enfrentamento e desenvolver estratégias mais eficientes são ferramentas muito eficazes para o familiar-cuidador.

Pesquise sobre a doença e as melhores formas de cuidado, não esquecendo que as principais virtudes de um cuidador são a paciência, carinho e afeto. A pessoa que depende de você não escolheu estar nessa posição, muitas vezes você também não escolheu estar nessa situação, mas se o destino acabou levando a este cenário, faça da melhor forma que puder para que depois não haja arrependimentos.

O papel do psicólogo pode ser de grande importância na saúde mental do próprio cuidador. No momento da sessão, o cuidador tem um tempo exclusivo para si mesmo, onde pode compartilhar suas percepções e sentimentos mais profundos, sem ser julgado pelo mundo exterior e, assim, conseguir ficar um “pouquinho mais leve”.