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Terror noturno: saiba o que é, como lidar e os tratamentos

Escrito por Rui Brandao | 02/12/2024

Terror noturno é uma das parassonias, que são alterações da consciência que ocorrem entre o sono profundo e a vigília. Para ser mais exato, o terror noturno é uma parassonia do sono não-REM. Ele acontece no sono profundo, no primeiro terço da noite, e não na fase REM, que é quando vêm os sonhos e os pesadelos. Cada episódio dura, em média, de 1 a 10 minutos. É mais comum na infância, atingindo cerca de 6% das crianças, mas também aparece em 1% a 2% dos adultos.

No caso do terror noturno, o paciente muitas vezes acorda gritando como se tivesse vivenciado um pesadelo terrível. Além do terror noturno, outras parassonias são, por exemplo:

  • Enurese (perda involuntária da urina durante o sono);
  • Sonambulismo;
  • Acordar com confusão mental;
  • Distúrbio comportamental do sono REM;
  • Paralisia do sono;
  • Pesadelos;
  • Alucinações hipnagógicas (ver, ouvir ou sentir coisas que não são reais no momento da transição da vigília para o sono);
  • Alucinações hipnopômpicas (ver, ouvir ou sentir coisas que não são reais no momento da transição do sono para a vigília);
  • Sonilóquios (falar dormindo).

Diferença de terror noturno e pesadelo

Terror noturno e pesadelo são vistos como sinônimos por algumas pessoas. No entanto, diferente de um pesadelo, no caso do terror noturno a pessoa tende a não se lembrar do acontecimento. Além disso, a diferença principal é que o terror noturno tende a ocorrer no primeiro terço da noite, enquanto o pesadelo geralmente acontece ao final do sono.

Quais os sinais e sintomas do terror noturno?

Identificar o problema é o primeiro passo para buscar ajuda. Então veja quais são os indicativos do terror noturno:

  • Medo incontrolável;
  • Sensação de perigo, como se estivessem diante de algo ameaçador;
  • Coração acelerado;
  • Tremores pelo corpo;
  • Suor excessivo;
  • Confusão ao acordar;
  • Falta de ar;
  • Olhar fixo e vidrado;

Em outras palavras, o paciente com terror noturno vivencia um estresse excessivo ao acordar, o que gera grande sofrimento.

Em quem esse problema é mais frequente?

Crianças até 7 anos são as mais acometidas. No entanto, o terror noturno pode acontecer em adultos ou até mesmo em idosos. Em qualquer caso, é essencial buscar ajuda médica para realizar o diagnóstico correto de terror noturno e excluir outras doenças como, por exemplo, epilepsia.

Terror noturno em adultos

Apesar de ser associado às crianças, o terror noturno também atinge adultos, e costuma ter algumas particularidades. Nessa fase, os episódios tendem a ser mais agitados e, às vezes, agressivos, com risco maior de a pessoa se machucar ou machucar quem está perto. Diferente das crianças, o adulto às vezes guarda fragmentos do que aconteceu.

Quando os episódios são frequentes, vale investigar fatores como estresse, falta de sono, consumo de álcool, apneia do sono e uso de certos medicamentos. Se houver impacto na qualidade de vida ou risco de lesão, é importante procurar avaliação médica.

Quais são as causas do terror noturno?

Há vários fatores que podem levar ao problema, entre eles:

  • Cansaço extremo;
  • Privação de sono;
  • Estresse;
  • Febre;
  • Presença de luzes ou barulhos exagerados;
  • Apneia obstrutiva do sono (AOS);
  • Síndrome das pernas inquietas;
  • Uso de determinados medicamentos;

É importante ressaltar que parte considerável das causas do terror noturno são reversíveis por meio de medidas comportamentais.

Como os pais podem ajudar as crianças?

O principal meio pelo qual os pais podem ajudar é através da mudança de hábitos da criança e também construindo um ambiente de proteção para eventuais crises.

Assim, é importante que a criança tenha uma rotina de sono, dormindo e acordando em horários parecidos. Além disso, o ideal é que as crianças não sejam expostas a telas à noite, a fim de que isso não lhes cause prejuízos no sono.

Colocar as crianças em camas com grades acolchoadas também é uma boa opção. No caso de pacientes que têm histórico de quedas da cama, evitar ao beliches e também procure colocar um piso com amortecimento de impacto ao redor do leito.

O que fazer durante um episódio de terror noturno

Ver uma crise assusta, mas saber como agir faz diferença:

  • Não tente acordar a pessoa. É consenso na ciência que interromper o episódio à força pode prolongá-lo e deixar a pessoa mais confusa ao despertar.

  • Mantenha a calma. O episódio passa sozinho, quase sempre em poucos minutos, e não causa dano real.

  • Cuide da segurança do ambiente. Afaste objetos com que a pessoa possa se machucar, sem segurá-la à força.

  • Não precisa contar o que aconteceu depois. Como ela costuma não se lembrar, relatar os detalhes pode gerar ansiedade à toa.

  • Observe um padrão. Anotar horário e frequência ajuda o profissional a entender os gatilhos e indicar o melhor caminho 

Conclusão

O terror noturno é uma parassonia que afeta principalmente crianças até os 7 anos de idade, mas pode acometer, além do público infantil, o adulto e até mesmo pode ocorrer em idosos.

O principal tratamento para o terror noturno é a orientação psicológica através da qual são sugeridas medidas cognitivo-comportamentais para controlar os sintomas.

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