Pessoas de diferentes faixas etárias buscam na tecnologia uma forma de iniciar um relacionamento. Porém, por mais que distâncias sejam encurtadas e que possíveis “partidos” estejam a um like de distância, tudo continua sendo sobre como se relacionar e se apresentar para o mundo exterior.  

Toda essa facilidade em conhecer pessoas também pode atrapalhar na profundidade das relações e a chance de conhecer a essência dos outros, criando um grande risco da relação se tornar superficial. Para evitar frustrações e aumentar as chances de encontrar alguém que compartilhe seus objetivos, pergunte-se sobre alguns pontos.

O que você procura?

Motivos para fazer parte de um aplicativo de relacionamento não faltam: existem usuários que querem conhecer o máximo de pessoas, aqueles que querem ter um relacionamento casual, os que acabaram de sair um de namoro ou casamento (muitas vezes longos e/ou traumáticos), os que buscam um compromisso mais sério (com intenção de casar, ter filhos, constituir família), os que se sentem frustrados pelas experiências tradicionais de conhecer pessoas, os que se sentem mais aptos a paquerar no mundo virtual e até mesmo os que procuram viver o momento, sem fazer planos que não sejam de curto prazo.

Para encontrar alguém com um perfil semelhante, o primeiro passo é você identificar o que espera e estar disponível para o seu próprio objetivo. Não existe certo e errado, existem metas e objetivos pessoais. Defina os seus.

Como você se apresenta?

Os aplicativos acabam exigindo uma tomada de decisão instantânea. São pouco segundos que definem se a outra pessoa é alguém por quem você se interessa ou não.

Quando for se apresentar tenha essa característica em mente. O que você considera que te faz especial? Destaque estes pontos. Seja sincera (o), mas lembre-se que o objetivo é destacar as suas principais características positivas, não falar sobre os seus defeitos.

Procura algo mais sério? Deixe isso claro, mas não esqueça que as relações evoluem quando conhecemos melhor o outro. Elas têm o seu tempo, vamos nos abrindo, criando e atraindo interesse. Encontrar um marido ou esposa, ter filhos, é uma consequência que não deveria ser um objetivo inicial. Seu príncipe ou a mulher da sua vida dificilmente serão identificados apenas por algumas fotos e um texto descritivo curto.

Falando em imagens, procure as fotos que você considera que a(o) definem melhor. Quais

fotos retratam de uma maneira mais fiel como você vê o mundo, suas crenças, seu estilo? Não é fácil transmitir isso só em imagens, mas escolha as que você acha que definem melhor a sua personalidade. Isso é mais importante do que escolher fotos apenas pela estética.

Você é mais formal? Mais descolada(o)? Mais sistemática(o)? Seja fiel e coerente com quem você é e o que você procura.

As diferenças entre um relacionamento convencional  

Antes do aplicativo, como e onde você conhecia novas pessoas e o que despertava um primeiro interesse? Possivelmente, você conhecia pessoas por intermédio de amigos e familiares ou ia até um bar, uma balada e olhava à sua volta e ocasionalmente identificava uma pessoa interessante.

Hoje esse processo, apesar de ser apenas virtual, continua mais ou menos o mesmo. Muitas vezes, o primeiro fator que desperta o interesse é visual. Porém, todos nós, algum dia, nos surpreendemos positivamente ou conhecemos alguém muito legal, apesar de não ter achado ele ou ela visualmente atraente em um primeiro momento.

Ficou em dúvida se era melhor dar like ou não? Provavelmente você terá pouco a perder, se

der match, às vezes pode acabar conhecendo alguém muito legal. Lembre-se: o like é apenas a aceitação de uma próxima etapa que é se permitir conhecer alguém e permitir que alguém te conheça. Sempre é possível mudar de ideia e muitos matchs não irão passar de apenas um contato supérfluo virtual.

Protocolos de relação (não existe regra!)

Deu match. Agora, alguém tem que se manifestar. O que fazer?

Mais uma vez, qual é a sua verdadeira intenção no aplicativo? Curiosidade de saber se alguém se interessaria por você? Conhecer pessoas sem intenção de relacionamento amoroso? Relacionamento casual? Relacionamento sério? Qualquer que seja sua resposta, se for preciso, dê o primeiro passo ou responda, “converse”, conheça, identifique as características e objetivos da outra pessoa para decidir se vale a pena levar para frente ou não. Esteja aberta(o) a conhecer alguém independentemente da sua intenção, afinal de contas você resolveu entrar no aplicativo por algum motivo.  

Não esqueça de seguir alguns protocolos básicos de segurança, se a relação ganhar força a ponto de se transformar em um encontro real. Prefira lugares públicos e com outras pessoas, até se sentir seguro(a) com o novo pretendente ou amigo(a).

Viva o momento (tudo tem o seu tempo)

Tenha paciência, encontrar a pessoa certa leva tempo. Seja tête à tête ou no mundo virtual.

Esteja aberta(o) a conhecer e aprofundar seus relacionamentos, pode ser que não seja a pessoa  certa, mas pode render boas risadas, se tornar um amigo(a), bater na trave etc. Tenha em mente que as coisas acontecem quando tiverem que acontecer. É clichê, mas é verdade.

Tire o peso e a ansiedade, são sentimentos que não vão ajudar, as relações continuam sendo como sempre foram: baseadas em conversa, convivência, proximidade, qualidades e defeitos. A única coisa que mudou é que hoje as pessoas podem estar a um clique de distância.

Esse texto é a visão de uma psicóloga, que apesar de não utilizar aplicativos para relacionamento, convive com amigas, amigos, pacientes e familiares que são usuários do Tinder e Happn e percebe que esses aplicativos se inseriram de forma relevante na maneira como nos relacionamos. Me interesso pela dinâmica das relações, forma de funcionamento e a mecânica das ações nos aplicativos.  

Luciana Taguti

Profissional com 16 anos de experiência e bagagem profissional nas principais áreas de atuação do psicólogo, estando apta a compreender e auxiliar nos principais problemas de relacionamentos amorosos e familiares, questões profissionais e dilemas do trabalho, doenças crônicas e psicossomáticas
Luciana Taguti