Para esse post sobre transtornos alimentares, entrevistamos um dos nossos especialistas e reunimos as principais informações que você precisa saber.

Transtornos alimentares

E lá se foi o Janeiro Branco, o mês da saúde emocional, e chega fevereiro com toda sua ferveção. Mas saber se cuidar é uma prática que devemos cultivar no ano inteiro! Mesmo em tempos de carnaval. Ou melhor: especialmente em tempos de carnaval.

Os dias de folia vão chegando, aquela empolgação sobe e… a autoestima desce? A vontade de curtir se jogar na festa muitas vezes faz crescer a pressão estética – ou seja, aquela pressão por ter um corpo dentro dos padrões -, que afeta negativamente diversas pessoas. Por conta disso, todo o período do verão se torna especialmente sensível para aqueles que sofrem de transtornos alimentares.

Com o recente desabafo corajoso de Taylor Swift sobre sua própria luta para se aceitar e superar seu distúrbio, esse debate cresceu e ganhou mais visibilidade nesse momento tão sensível do ano. Então, entramos em contato com Heloise Mazzia, psicóloga clínica e especialista do zenklub, que nos respondeu algumas perguntas que você também deve estar se fazendo. 

O que são transtornos alimentares?

o que são

Segundo Heloise, esses distúrbios são doenças psiquiátricas que, além de comprometer o comportamento alimentar, afetam a percepção corporal do indivíduo.

E ainda completa:

A pessoa passa a ter pensamentos e emoções sobre sua alimentação e adequação das formas do seu corpo, afetando o seu dia a dia, bem como suas relações sociais.

O que causa os transtornos alimentares?

fatores transtornos alimentares

Nunca existe somente uma causa para o surgimento de uma doença psiquiátrica. Então, quando abordamos esses distúrbios, falamos de: fatores que predispõem, desencadeiam e mantêm o transtorno.

Fatores que predispõem os transtornos alimentares

predisposição

Esses são os fatores que indicam pessoas que têm uma chance maior de desenvolver a doença, embora nunca funcionem como regra. Desses, Heloise destaca os seguintes:

Ser do sexo feminino, relação familiar conturbada (com educação rígida e perfeccionista), algum familiar com diagnóstico de transtorno alimentar, outras doenças psiquiátricas já diagnosticadas (como, por exemplo, depressão e transtornos de personalidade), baixa autoestima, autocrítica exacerbada, influência da cultura da magreza, do ideal de vida perfeita, e anseio pela beleza dentro dos padrões.

Fatores que desencadeiam

distorção

A adolescência é um período notoriamente sensível e que pode desencadear transtornos alimentares, por conta das mudanças que os jovens passam. Assim sendo, Heloise comenta que: 

Há um cenário constituído de um adolescente que está insatisfeito com o seu corpo e que, com isso, começa a introduzir em sua rotina hábitos de dietas restritivas – para emagrecer, como principal finalidade. Até que isso acaba saindo de seu controle, a ponto de restringir drasticamente sua alimentação, formando-se um quadro de anorexia ou de bulimia, por exemplo.

Já gatilhos psicológicos que desencadeiam transtornos alimentares são: separação dos pais, abuso sexual infantil, bullying, perdas familiares e problemas escolares.

Fatores que mantêm

limite

Por fim, há também as condições que fazem com que a doença seja mantida, em vez de curada – sobre as quais, Heloise esclarece:

Fatores como biológicos, psicológicos e sociais mantêm a doença, principalmente se ela não for tratada adequadamente.

Do ponto de vista psicológico, a doença traz, para o indivíduo acometido, uma sensação de controle sobre o próprio corpo. Isso, por si só, é uma demanda complexa para trabalhar em consultório, pois, na maioria das vezes, ter controle sobre o peso e alimentação é uma fonte – às vezes a única – de satisfação para paciente que vem de um contexto social que propicia isso, conforme abordado nos fatores de predisposição.

Qual é a diferença entre anorexia e bulimia?

transtornos alimentares visão distorcida

Sobre anorexia e bulimia, primeiramente é preciso entender que:

Ambos os transtornos têm como característica o distúrbio de imagem corporal, onde a pessoa se enxerga muito maior do que é. Essa visão distorcida da realidade retroalimenta o transtorno, mantendo o indivíduo nessa condição.

Anorexia

Frequentemente associada a mulheres muito magras, a anorexia pode, sim, levar a condições extremas. Mas essa doença não é restrita somente a pessoas do gênero feminino e nem necessariamente leva a uma ultra magreza. Como Heloise explica abaixo, esse transtorno é definido por comportamentos específicos (em vez de traços físicos): 

A anorexia tem por característica a diminuição do peso propositalmente. Há uma restrição alimentar severa: por vezes, jejuns prolongados, acarretando em grave desnutrição e quadro clínico preocupante.

Bulimia

Muito abordada pela mídia brasileira nos anos 2000, a bulimia ficou associada à regurgitação forçada, que, de fato, está presente em parte dos hábitos de pessoas que sofrem com bulimia. No entanto, a bulimia se dá, principalmente, por um ciclo vicioso, que pode, ou não, envolver a regurgitação:

A bulimia caracteriza-se pelo ciclo entre uma dieta restritiva com momentos de jejum e um período de descontrole, que é chamado de compulsão alimentar. Isso acarreta em métodos compensatórios e purgativos para perda de peso mais rápida e, em seguida, o ciclo de restrições alimentares começa novamente.

Atenção

Caso você queira saber mais sobre esses dois distúrbios, acesse o post Anorexia e Bulimia: o que é, como identificar e como tratar? e leia o texto na íntegra.

Além disso, atente-se ao seguinte ponto destacado por Heloise:

É importante frisar que transtornos alimentares, nesse caso, anorexia e bulimia, colocam o indivíduo num quadro clínico que inspira cuidados, pois a não ingestão de nutrientes e sais minerais, bem como os métodos purgativos utilizados, para perder peso, de forma ilusória, podem provocar consequências fatais.

Quais são outros distúrbios alimentares menos falados na mídia?

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Alguns transtornos que não são mencionados com tanta frequência são: Transtorno de Compulsão Alimentar – Ingestão de um grande volume de alimento em poucas horas (duas horas), com sensação de perder o controle sobre a comida; Vigorexia – compulsão por atividade física; Ortorexia – Obsessão por comer de maneira saudável, “comer limpo”; Transtorno PICA – ingestão frequente de substâncias não comestíveis como por exemplo: giz de cera, talco, sabonete, pedras, entre outros.

Como oferecer ajuda?

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Perguntamos para Heloise o que uma pessoa pode fazer quando suspeita que um amigo ou familiar tem algum dos transtornos alimentares. Confira sua resposta:

Na maioria dos casos, principalmente nos casos de anorexia, amigos ou familiares enfrentam certa resistência para falar da condição pois, nem sempre, o indivíduo reconhece que precisa de ajuda.

Assim sendo, as pessoas mais próximas podem ajudar ouvindo de forma aberta e amorosa essa pessoa, auxiliando-a a buscar profissionais que sejam especializados nessa demanda e com os quais ela se sinta à vontade – finalizando essa rede de apoio, cuidado e presença. Na maioria dos casos, principalmente nos casos de anorexia, amigos ou familiares enfrentam certa resistência para falar da condição pois, nem sempre, o indivíduo reconhece que precisa de ajuda.

Qual é o tratamento para transtornos alimentares?

tratamento transtornos alimentares

O tratamento mais efetivo para transtornos alimentares consiste em uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, psiquiatra e nutricionista, que seja especializadas em transtorno alimentar e trabalhe em conjunto para a melhora do paciente.

Além disso, reforçamos a importância de se procurar uma rede de apoio, tanto de amigos e familiares, como de pessoas que já passaram por condições similares. Como forma de inspiração, acesse: Eu venci a anorexia e a bulimia

Como o zenklub pode ajudar?

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No nosso app (Android e iOS), você encontra conteúdos que te acompanham na sua jornada de amor-próprio e na busca pela autoestima. Não somente, pelo app mesmo, você encontra especialistas, como a Heloise, com quem você pode conversar e aprender a como se cuidar.

E uma das melhores maneiras de você ter acesso a tudo isso é assinando o zenPremium. Quem fizer nossa assinatura, por apenas R$14,90, faz sua 1ª sessão de terapia de graça, tem desconto de 10% em todas as sessões marcadas mensalmente, acessa o um mapa zen, que guarda dados de toda a sua jornada emocional, além de conferir conteúdos especiais com foco em saúde emocional.

Ah! E não se esquece: havendo qualquer suspeita sobre transtornos alimentares, não hesite em procurar ajuda. Comece conversando com alguém próximo e, assim que possível, busque ajuda de um especialista. 

Zenklub

Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas se empoderem da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no site você pode consultar um psicólogo por vídeo-chamada de onde estiver. São mais de 80 psicólogos a um clique de distância.
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