O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome, portanto não tem cura, é algo que faz parte da pessoa e que acompanhará por toda a vida. Contudo, não quer dizer que ela terá prejuízos permanentes. Esta síndrome pode ser muito bem manejada com a escolha dos tratamentos que tragam efeitos de longo prazo, é possível conviver bem com esforços mínimos, podendo inclusive dispensar o uso de medicamentos.

Nosso cérebro vai se reconstruindo constantemente, durante toda a vida. Sendo chamado de neuroplasticidade, em função das experiências, das aprendizagens, o cérebro se transforma. E isto tem grande impacto numa concepção integrativa do TDAH.

Principais características de comportamento

  • Desatenção Falha para prestar atenção a detalhes;
  • Dificuldades para manter atenção sustentada nas tarefas;
  • Frequentemente parece não escutar quando se fala diretamente com ele (a);
  • Constantemente não segue instruções ou falha na finalização de tarefas;
  • Tem dificuldade para organizar tarefas ou atividades;
  • Repetidamente perde coisas necessárias para a realização de tarefas;
  • É facilmente distraído por estímulos externos;
  • Levanta-se da cadeira na sala de aula ou em outros locais onde é esperado que permanecesse sentado;
  • Corre ou sobe excessivamente nas coisas;
  • Tem dificuldades para brincar calmamente;
  • Fala excessivamente, explode em respostas antes das questões serem completadas;Tem dificuldades em esperar a sua vez e interrompe os outros.

O que é TDAH?

O TDAH é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais conhecidos na infância. Devido à baixa concentração de dopamina e/ou noradrenalina em regiões sinápticas do lobo frontal, leva o indivíduo a uma tríade sintomatológica de falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, ocasionando sérias dificuldades para o processo de aprendizagem.

Falta de atenção, para o caso da criança portadora de TDAH significa excesso de mobilidade na atenção, ou seja, hipermobilidade, que é quando o indivíduo não consegue manter, por algum tempo, sua atenção em um mesmo objeto, em um mesmo foco. É a atenção espontânea que predomina.

Hiperatividade significa um aumento da atividade motora, deixando a mesma quase constantemente em movimento. Pequenas coisas podem despertar-lhes grandes emoções e a força dessas emoções gera o combustível de suas ações.

Estudos cada vez mais aprofundados e específicos sobre o TDAH desvendam novas técnicas de enfrentamento para esta problemática, novos recursos psicoterapêuticos e medicamentosos, com a finalidade de que haja uma diminuição da interferência que os sintomas do TDAH causam na vida da pessoa, fazendo com que esta consiga aumentar a concentração e controlar a hiperatividade e a impulsividade.

O reflexo do TDAH em crianças em idade escolar

Recursos estes se tornam especialmente necessários para as crianças do período pré-escolar e ensino fundamental, onde a desatenção e a impulsividade comprometem além do processo de aprendizagem, os relacionamentos e a autoestima.

A falta de informação, conhecimento e compreensão que envolve o processo escolar são grandes obstáculos que a criança enfrenta neste período juntamente com as características do transtorno, fazendo com que professores colegas e pais considerem o comportamento desta criança como sendo rebelde e desinteressado, tendo para com ela um tratamento preconceituoso.

Para os indivíduos em que predomina a hiperatividade, uma característica importante que vale ser ressaltada é que estes, inconscientemente, buscam conflitos como uma maneira de ativar seu próprio córtex pré-frontal. Não planejam fazer isso, negam que fazem, e ainda assim fazem. Isso ajuda a aumentar a atividade de seus lobos frontais e a se sentirem mais estimuladas.

Viciados em confusão

Embora não seja um fenômeno consciente, parece que ficam viciadas em confusão. A hiperatividade se manifesta com movimentos frequentes, a criança bate com os pés, mexe as mãos, não para quieta, corre o tempo todo.

Nos portadores de TDAH predominantemente desatentos, parece que quanto mais a pessoa tenta se concentrar, pior para ela. A atividade no córtex pré-frontal se desliga ao invés de ligar. Quando um pai, um professor, um chefe, põe pressão na pessoa que tem déficit de atenção, ela se torna menos eficiente, fazendo com que o supervisor interprete isso como decréscimo no seu desempenho ou má conduta proposital.

O que acontece é que todos nós funcionamos melhor com elogios, mais intenso então, é quem possui essa patologia. É adequado trabalhar com essas pessoas com estímulo e ambientes que sejam altamente interessantes e tranquilos, para que se tornem mais produtivas. O mais incrível é que essas pessoas frequentemente conseguem prestar atenção em coisas bonitas, novas, interessantes ou assustadoras, que oferecem estimulação e ativam o córtex pré-frontal, conseguindo se focalizar e concentrar.

A busca por tratamento da síndrome

A desatenção pode acontecer em situações escolares, profissionais ou sociais. Frequentemente dá-se a impressão de que a mente está em outro lugar ou que não escutou o que foi dito. Há uma dificuldade em completar tarefas, compreender instruções, organizar atividades. Nos portadores de TDAH predominantemente impulsivos, a mente funciona como um receptor de alta sensibilidade, que, ao captar um pequeno sinal, reage automaticamente sem avaliar as características do objeto gerador do sinal captado.

A impulsividade se manifesta como impaciência, responder precipitadamente antes do término das perguntas, dificuldade de aguardar a sua vez para falar, interromper ou intrometer nos assuntos alheios, causando muitas dificuldades nos contextos sociais, escolares ou profissionais.

A dificuldade escolar é uma queixa frequente de pais e professores de crianças com TDAH. É por este motivo que os pais normalmente recorrem com veemência a neuropediatras, psicólogos e psicopedagogos.  De acordo com dados estatísticos, a dificuldade escolar está entre as sete queixas mais frequentes. Para o SAEB, (Sistema Nacional da Educação Básica), o desempenho escolar depende de diferentes fatores: características da escola (físicas, pedagógicas, qualificação do professor), da família (nível de escolaridade dos pais, presença dos pais, interação dos pais com escola e deveres) e do próprio indivíduo (saúde mental, visual, auditiva, nutricional, etc).

É preciso aceitar a criança com TDAH

Somado a esses e outros fatores, tem-se discutido muito o problema das crianças portadoras de TDAH, considerando que sua atividade motora e mental é inadequada, excessiva e muitas vezes denominada erroneamente, como agitação ou inquietação por vontade própria.  Os pais que ainda não perceberam ou não aceitaram que o filho possui o transtorno de hiperatividade e/ou déficit de atenção, ao ingressar o filho na escola, sentirão a necessidade de se inteirar dessa problemática, mais precisamente na fase de alfabetização e daí para frente. Ou porque a conduta “arteira” não é bem vinda, ou porque as notas não vão muito bem.

A prevalência do déficit de atenção e hiperatividade está entre 3% e 5% em crianças em idade escolar e costuma ser mais comum em meninos do que em meninas. É considerada uma das patologias psiquiátricas mais frequentes nesse grupo etário, devendo ser assistida por profissionais experientes nas áreas de neuropediatra, psiquiatria ou interdisciplinares.

Característica de quem tem TDAH

As crianças com TDAH apresentam maior dificuldade para aprendizagem e problemas de desempenho em testes e funcionamento cognitivo em relação aos seus colegas, principalmente por dificuldades nas suas habilidades organizacionais, capacidades de linguagem expressiva e/ou controle motor fino ou grosso. O funcionamento intelectual dessas crianças não difere das outras, o transtorno parece não afetar as capacidades cognitivas gerais, o TDAH não está relacionado à falta de capacidade, mas a um déficit de desempenho.

A maioria das crianças portadora desse transtorno tem desempenho escolar abaixo do esperado devido à realização incoerente de tarefas, desatenção e problemas de procedimentos em sala de aula, fazendo que constantemente percam mérito por participação e comportamento.

Muitas crianças e adultos com TDAH têm letra feia e consideram o ato de escrever difícil e estressante, preferem digitar, por não ser um movimento harmônico contínuo, e sim uma atividade motora de começa e para. Também se queixam da dificuldade de tirar os pensamentos da cabeça e colocá-los no papel, os dedos não sabem dizer o que o cérebro está pensando.

Conhecimento sobre o assunto pode ajudar

É preciso que os professores conheçam um pouco sobre o TDAH, para não criarem barreiras em relação ao aluno e tentarem dar uma maior atenção a quem possui o transtorno. Estudar em turmas pequenas, sentar próximo ao quadro e ao professor, sala com poucos detalhes que possam dispersar a atenção, permissão especial para ter mais tempo de fazer as tarefas sem punições, são algumas dicas que podem ajudar muito essa criança.

A criança com TDAH deve aprender aos poucos, e aplicar em seu dia-a-dia mais eficácia, ou seja, não apenas focar um processo ligado à tarefa, mas chegar a um resultado satisfatório, do que eficiência (aplicar muita energia, tempo, dedicação e empenho para a realização de uma determinada tarefa). Desta forma, o desgaste emocional será menor e os resultados, mais satisfatórios.

Essa criança provavelmente realizará tarefas que proporcionam desafios e emoções, mesmo que seja exaustiva, em condições muito melhores do que tarefas que lhe exijam concentração e tempo. É necessário criar estratégias para melhorar o funcionamento cerebral. A reabilitação Neuropsicológica visa ativar a neuroplasticidade, e reestruturar as funções vizinhas do cérebro. Seja por técnicas de auto monitoramento e autocontrole desenvolvidas através de terapia, exercícios de ginástica cerebral, mudança de hábitos pessoais, familiares e de estilo de vida.

Você acredita que seu filho sofra de TDAH? Você pode conversar com um de nossos profissionais sobre o assunto.

Bruna Moreira

Neuropsicóloga & Coaching. Atuo na área clínica na cidade de Curitiba. Meu objetivo é desenvolver a capacitação de seres humanos evoluídos, ensinar com que aprendam a lidar com suas frustrações no cotidiano.
Bruna Moreira