Ninguém gosta de falar sobre suicídio ou até mesmo pronunciar esse termo, mas, esse mês, esse tema se torna extremamente relevante, pois estamos vivendo o setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

O setembro amarelo, assim como tantos outros meses, como o outubro rosa e a discussão sobre a prevenção ao câncer de mama, novembro azul e a conscientização sobre o câncer de próstata, são períodos em que a bandeira da educação e disseminação da informação é mais abrangente e esse movimento é sim, muito importante para a sociedade.

Hoje vamos falar sobre esse tema e contribuir um pouco mais para essa conscientização tão significativa de um problema que já afetou a vida de milhares de famílias.

O que é o setembro amarelo?

Como antecipamos, o setembro amarelo é uma campanha de prevenção e conscientização sobre o suicídio. Sua origem foi em 2015 e foi estimulada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psicologia (ABP).

O objetivo do setembro amarelo é alertar a todos, mundialmente, sobre a realidade do suicídio, problema que afeta milhares de pessoas em todos os cantos do planeta. Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que 800 mil pessoas no mundo morrem dessa forma anualmente, uma a cada 40 segundos, o que equivale a 1,4% dos óbitos totais.

No Brasil, os dados não são diferentes, e, também segundo a OMS, no nosso país a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio, um dado maior do que as mortes por câncer ou AIDS. Além disso, estamos em oitavo lugar no ranking de taxas de suicídio no mundo, dado em que não temos que nos orgulhar, mas sim olhar com cautela e tomar medidas preventivas.

O dia 10 de setembro é considerado o dia mundial oficial da campanha por iniciativa da International Association for Suicide Prevention, e, nesse dia, e também durante o mês de setembro, diversos espaços públicos e pontos turísticos se enfeitam com a cor amarela, e ONGs e instituições responsáveis abrem o centro da discussão a respeito do tema.

Por que a cor amarela?

Segundo a Associação de Psiquiatria do estado de Santa Catarina, estado do Sul do Brasil, afirma que a cor é inspirada no caso do americano Mike Emme, que, aos 17 anos, tirou a própria vida propositalmente, conduzindo o seu carro amarelo, um Mustang 68 que ele mesmo havia pintado e restaurado.

Na oportunidade, a família e amigos de Mike distribuíram em seu funeral cartões com fitas amarelas com mensagens de apoio para pessoas que enfrentam o mesmo problema. Essa campanha ficou conhecida como “Yellow Ribbon”, em português, Fita Amarela.

A atitude dessas pessoas conduzem justamente o raciocínio que é feito ao nomearmos uma campanha de prevenção como o setembro amarelo: a informação e a abertura do diálogo sobre o problema, evita e previne novos registros.

Sobre suicídio

O suicídio é a morte da esperança, o fator decisivo de uma pessoa que desiste de viver, pois já não tem mais uma perspectiva de futuro.

Em momento anterior, já abordamos no blog sobre o tema do suicídio, e vale lembrar as palavras do psicólogo e especialista do Zenklub Rodrigo Correa sobre o tema.

“A vida tem a finalidade de um significado para um futuro. Ao cometer o suicídio, a pessoa não está buscando a morte, mas sim dar fim a essa vida sem perspectiva de um bom futuro. É a decisão de que viver é pior, diante das circunstâncias.”, comenta Rodrigo.

“A escolha de tirar a vida é uma atitude de desespero, não se faz isso quem está em paz consigo ou quem ainda enxerga uma luz no final do túnel. O suicídio contempla a fuga. A fuga não é controlada por quem está fugindo, mas sim por aquilo que nos persegue”, completa.

Como perceber os sinais?

Muita gente se pergunta: “mas como perceber que uma pessoa querida e próxima pode cometer suicídio?” Afinal, quando esse ato acontece, muitas vezes, somos pegos de surpresa e ficamos sem entender as motivações e o porquê.

A intenção de tentativa de suicídio, pode vir acompanhada com outros problemas emocionais e alguma doença mental, como os transtornos de ansiedade, depressão e compulsão alimentar. Para esses casos, é como se um sinal antecipado já tivesse sendo enviado, assim como a necessidade de um tratamento com psicólogo e psiquiatra.

Outro fator bem comum nos dias de hoje e que pode ser um indicativo, segundo o especialista Rodrigo, são as redes sociais e as manifestações, em que, principalmente, jovens registram seus sentimentos de tristeza e de decepção com vida, com tom pessimista e negativo.

Não há um registro comum, mas sim um trabalho de observação, apoio e diálogo que precisa ser estabelecido entre as pessoas. Parece uma tarefa difícil, talvez seja, mas na dúvida, nunca deixe de buscar apoio emocional, seja com um especialista ou com órgãos que defendem a causa de prevenção ao suicídio, como o CVV, para entender como se posicionar e ajudar.   

Sobre o CVV

O Centro de Valorização da Vida, foi fundado em São Paulo, em 1962, e é uma associação civil sem fins lucrativos que presta apoio emocional e de prevenção do suicídio. O órgão que é referência no Brasil, conta com uma equipe 24 horas por dia, treinada e especializada em ajudar, por telefone ou pessoalmente, pessoas que pensam em suicídio.

Para a equipe do CVV o suicídio pode ser prevenido, na maioria dos casos, e esse é o seu grande objetivo com o projeto. Em 2017, foram mais de dois milhões de chamadas, o dobro do registrado em 2016, o que mostra a eficiência e expansão da proposta.

O contato com o CVV, que pode e deve ser compartilhado por todos nós, é 141 (para os estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná) ou 188 (demais estados). As ligações são garantidas com sigilo e anonimato. Como falamos, há também atendimento presencial em diversos estados, com 93 postos de atendimento, além do chat e e-mail.

Acesse o site do CVV, informe-se e compartilhe essa fonte de prevenção.

Como participar do Setembro Amarelo?

Não é preciso ser um membro do CVV ou um psicólogo ou alguém que teve um caso de suicídio muito próximo para se engajar na causa do Setembro Amarelo. Empresas e qualquer tipo de pessoa pode participar contribuindo na divulgação de informações, materiais informativos e incentivar espaços de discussão para palestras.

Para isso, procure a organização do Setembro Amarelo pelo site e siga as orientações confiáveis sobre o tema. Vamos todos nos mobilizar para mudar esse triste cenário.

 

 

 

Mari Soares

Mari Soares

Carioca, balzaquiana, trabalhadora de Sampa, comunicóloga, feminista, curiosa, solteira e sem filhos.
Mari Soares