A história de hoje é da CEO da INTI, uma plataforma “one-size-fits-all”, Nicolle Stad. Ela é paulistana, tem 35 anos, mãe de dois cachorrinhos shih-tzus e vai nos contar seus desafios e superações como mulher e empreendedora dentro desse universo tão masculino da tecnologia e das startups.

Vamos começar entendendo como você se preparou e se graduou para chegar ao cargo de CEO em uma Startup.

Sou formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM e fiz MBA na FIA. Tenho experiência no desenvolvimento de negócios autônomos há dez anos, com foco no setor de varejo, demandas de mercado e estrutura organizacional de negócios. Liderei equipe estratégicas de alta tecnologia para implementar soluções de automação de mercado para os maiores museus do Brasil.

O que te inspirou e motivou a sair dessa posição e empreender?

Sempre fui uma pessoa que pensou fora da caixa. Em meus empregos corporativos, me sentia refém da visão do outro, e me faltava liberdade para trabalhar minha criatividade e colocar em prática a minha visão estratégica do negócio. Em Março de 2014, após pedir demissão de um cargo gerencial de uma multinacional francesa, decidi arriscar e abri o meu primeiro negócio, e fundei a INTI.

Analisando a tendência do mercado de tecnologia e startups ser predominantemente masculino, quais desafios você enfrentou por ser mulher e empreendedora?

Honestamente, isto para mim nunca foi um problema. Sempre soube conduzir reuniões, mesmo sendo ocasionalmente a única mulher numa mesa repleta de homens. Nunca parti de um ponto inferior por ser mulher. Sempre tive diálogos horizontais, de igual para igual, independente de quem estivesse do outro lado. Adicionalmente, procuro estudar e me informar bem acerca do meu modelo de negócios e do mercado. Quando existe segurança no discurso e o conteúdo é coeso, as pessoas enxergam um CEO antes de um homem ou mulher.

E no mercado de trabalho em geral, como você identifica os desafios das mulheres e que também fazem parte da sua trajetória?

Um grande desafio que enfrento atualmente é que hoje, aos 35 anos, estou me aproximando da idade limite para ser mãe sem riscos adicionais à gravidez. Contudo, a empresa me consome tanto tempo que sinto que uma gravidez implicaria em realizar uma escolha entre a família e a carreira. Isto hoje é um grande dilema para mim.

Apresenta um pouco a INTI para gente e explica o que seria esse modelo de negócios “one-size-fits-all”?

Antes de virar INTI, nós éramos IT.ART, uma plataforma que objetivava trazer ao mercado cultural algo que faltava: um módulo de doação e membership para ajudar as instituições culturais e sociais a captar recursos junto à pessoas físicas. Depois de conquistar 18 dos 20 maiores museus de São Paulo, pivotamos (termo muito usado entre empreendedores de startups, que deriva inglês to pivot, que significa “mudar” ou “girar”) nosso produto para algo maior e assim viramos a INTI.

A INTI é uma plataforma “one-size-fits-all”, ou seja, ela permite que qualquer modelo de negócios faça sua gestão de venda de produto online. Somos um meio de pagamento inteligente que elimina a necessidade de um middleman (intermediário de negócios) dando ao cliente plenos poderes de vender o que quiser, desde produtos a ingressos, assinaturas, season tickets, doações pontuais e recorrentes ou o que você puder imaginar. O melhor desse modelo é que toda a venda do produto continua acontecendo no site da empresa cliente, e para os usuários a sensação é de estar comprando dentro de um mesmo canal, sem interrupções.

Quais desafios a INTI enfrenta hoje?

Hoje, nosso maior desafio é encarar de frente a nossa concorrência: grandes tiqueteiras e plataformas que simplificam os meios de pagamento. É preciso que haja confiança por parte dos nossos clientes em apostar numa empresa menor para entregar um resultado diferenciado. Tem dado certo, nunca perdemos um cliente, e nos orgulhamos muito de falar isto.

E os próximos passos que você tem com INTI?

Estamos em momento de captação de investimento externo. Hoje, minha rotina envolve diversas reuniões com investidores e fundos de Venture Capital (nome dado para descrever todas as classes de investidores de risco em empresas de médio porte, que já possuem faturamento expressivo, mas buscam novas oportunidades de crescimento). Após esta fase de captação, passaremos por um processo de expansão do negócio.

E como você cuida do seu bem-estar físico e emocional para levar positivamente e de forma equilibrada o seu dia a dia dentro dessa correria?

Eu gosto muito de cuidar da minha saúde física e mental, pois são pilares essenciais para lidar com um dia a dia tão corrido. Faço meditação diariamente logo que acordo e, sem seguida, pratico exercícios funcionais.

Voltando para o tema de empreendedorismo feminino, qual dica você daria para outras mulheres que desejam alcançar sucesso profissional?

Esqueçam que são mulheres, olhem no espelho e vejam um empresário ou um CEO. Estudem seus negócios e seus mercados, falem com propriedade e não carreguem o fardo de se sentirem diferentes por fazerem parte de uma minoria neste mercado do empreendedorismo.

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