“De 1 a 3% da população são psicopatas”, é o que afirmam especialistas, e isso significa que uma em cada 30 pessoas, podem ser diagnosticadas com psicopatia, sendo 6 milhões de psicopatas no Brasil. Talvez agora pareça um número mais alarmante do caso e, por isso, precisamos entender melhor o que é esse transtorno, como ele acontece, quais as causas e fatores que influenciam esse transtorno e como você consegue ajudar alguém nessa situação.

O que é psicopatia?

Caracterizada pela primeira vez pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, em 1941, a psicopatia era tratada como um conjunto de traços de personalidade e comportamentos específicos, entendidos como “normais” e até agradáveis para quem tinha uma relação superficial, mas que escondia ou camuflava um caráter duvidoso, ausente de emoções e empatia, e egocêntricos.

A psicopatia ou sociopatia ou transtorno da personalidade antissocial, é um distúrbio mental de difícil identificação e diagnóstico, e que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) possui as seguintes características:

“Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.”

Ou seja, esse tipo de transtorno pode ser identificado a partir de um aprofundamento maior na relação social, que deve envolver a observação da conduta da pessoa e as suas relações e interações diante das diversas situações.

Características de um psicopata

Há alguns traços mais comuns que observamos no comportamento e hábitos de quem possui o transtorno.

1) Falta de empatia: é comum acharmos que os psicopatas não possuem qualquer sentimento de empatia por outras pessoas, mas na verdade, eles são capazes de elegerem pessoas e momentos para demonstrar algum tipo de afeto nesse sentido. Essa escolha seletiva os faz ainda mais manipuladores e dissimulados em suas relações;

2) Impulsividade: dificilmente aceitam ser contrariados, rejeitados ou frustrados, por isso reagem impulsivamente de forma mais agressiva e explosiva, sem se importar com o sentimento ou envolvimento de outros ao redor;

3) Egocêntricos e Megalomaníacos: possuem orgulho exacerbado e sempre acham que estão certos. Essa certeza de seus atos os fazem nunca sentirem medo das suas ações, renegam reconhecer os seus atos e, consequentemente, não são capazes de sentir remorso;

4) Mentiroso: sua mentira é patológica a ponto de nem saberem mais quando estão inventando algo. Não há também uma preocupação em não se aproveitar da boa-fé de outras pessoas a partir da enganação que seu discurso provoca;

5) Busca aventuras: a sua incapacidade de sentir medo ou preocupação em gerar o medo em outras pessoas, faz o psicopata buscar sempre desafios que coloquem à prova a sua capacidade de quebrar regras e de fugir da monotonia atrás de adrenalina;

6) Antissocial: regras e parâmetros sociais não entram no mundo dos psicopatas, que constantemente buscam quebrar esses fatores para se sentirem mais grandiosos e orgulhosos de si;

7) Falta de emoção: psicopatas não costumam se relacionar com outras pessoas por questões emocionais verdadeiras, como amor e afeto, mas sim para se aproveitar do que essas pessoas podem lhe oferecer.

Psicopatia na infância

Os sinais da psicopatia já podem ser observados na infância, mas são classificados até os 18 anos como Transtorno de Conduta. O alerta para pais e responsáveis pode ser observados a partir de comportamentos irregulares e frequentes, como atitudes desobedientes e desrespeitosas, de maldade com outros e mentiras constantes, sem remorso ou culpa.

Veja a lista com os principais sinais desse Transtorno de Conduta:

  • Hábito de mentir;
  • Não sentem culpa, remorso ou constrangimento ao serem flagrados cometendo atos errados;
  • Desafiam a autoridade de pais e professores;
  • Maltratam irmãos, colegas e até bichos de estimação;
  • Não toleram frustrações;
  • Violam as regras sociais;
  • Se preocupa apenas com seus interesses e ganhos;
  • Frieza emocional;
  • Sexualidade precoce acentuada;
  • Introdução precoce ao mundo do álcool, drogas e outros vícios.

Vale ressaltar que essas são características gerais e que é muito importante que os pais e responsáveis ao perceber qualquer sinal busquem ajuda de um especialista, como psicólogos e psiquiatras, para ter acesso a melhor forma de ação e tratamento.

Quanto mais precoce é feito um diagnóstico, maiores são as chances de reverter quadros mais graves na vida da pessoa.

Como identificar um psicopata?

O psicólogo canadense Robert D. Hare, especialista em psicologia criminal e psicopatia, idealizou, em 1991, um “checklist” de 20 itens que podem identificar ou diagnosticar uma pessoa como psicopata.

Esse checklist recebeu o nome de Escala de Robert Hare, e diz que uma pontuação igual ou acima de 30 pontos (o máximo são 40), além de considerações como a anatomia cerebral, a genética e o ambiente em que ela se encontra, podem determinar a psicopatia.

Para entender a pontuação, considere que a cada item do checklist há uma escala de 3 pontos, em que 0 é para itens que não se aplicam, 1 item que se aplica um pouco e 2 item que definitivamente se aplica. Entre as perguntas estão questões que medem seu grau de impulsividade, afeto, autoestima, culpa, agitação, histórico comportamental, sexuais, capacidade de manipulação, versatilidade criminal e relação com negações e frustrações.

No Brasil, a escala e o teste de psicopatia foi validado e traduzida apenas nos anos 2.000, e tanto no Brasil como no mundo, só pode ser aplicado e avaliado por um médico especialista.

Sociopatia X psicopatia

Muitos especialistas ainda discutem se há diferenças entre pessoas sociopatas e psicopatas. A verdade é que há distinções perceptíveis entre as duas condições e em comum características como o desrespeitos por normas, leis e costumes; desacato ao direito de outros; tendência a um comportamento violento e falta de culpa e remorso.

Os sociopatas são normalmente agitados e nervosos, convivem as margens da sociedade e raramente conseguem se manter em relacionamentos, empregos ou a ambientes por muito tempo. São inconstantes e apresentam desabafos violentos emocionais, como ataques de raiva. A principal diferença que podemos notar em relação aos psicopatas, é que os sociopatas conseguem criar vínculo e apego com determinada pessoa ou grupo, de forma menos planejada ou manipuladora.

3 mitos da psicopatia

Como toda generalização de conceitos, a psicopatia também tem seus mitos que devem ser compreendidos por serem de suma importância:

1º) Nem todo psicopata é violento. A raiva e as explosões desmedidas são realmente uma característica marcante entre eles, mas não é uma regra.

2º) Nem todo psicopata sofre de psicose, assim como nem todo psicótico sofre de psicopatia. Psicopatas costumam ser muito realistas, racionais e têm a capacidade de ter a consciência sobre os seus atos.

3º) Muitas pessoas acreditam que seja impossível tratar ou curar um paciente diagnosticado com psicose, mas a verdade é que quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento for encontrado, melhor. Além disso, o que verdadeiramente acontece é que é bem difícil um psicopata buscar ou querer tratamento, mas é de conhecimento que muitos que se tratam, conseguem estabelecer relações mais positivas no seu meio.

Psicopatia no cinema

Não é difícil encontrar grandes títulos do cinema com o tema psicopatia e para quem gosta de conhecer mais sobre transtornos mentais e sociais através da tela do cinema, há algumas dicas de filmes com psicopatas como: Seven – Os sete crimes capitais (1995), Funny Games – Violência Gratuita (1997), A Tortura do Medo (1960), Hannibal (2001), Na Companhia de Homens (1997) e Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011).

Como ajudar um psicopata

Como reforçamos aqui algumas vezes, é importante a identificação dos sinais de psicopatia desde a infância ou juventude, e essa difícil tarefa cabe, principalmente, aos pais que precisam ter a sensibilidade de compreender os atos do filho e de não deixar de estarem próximos.

A qualquer sinal, em crianças e adultos, deve-se buscar ajuda de um especialista, seja para tratar a quem precisa ou para buscar apoio a si próprio, de compreender melhor como agir nas situações de crise ou desconforto.

O mais importante é entender que não se está só nesse desafio e que há muitos especialistas que podem contribuir para dar chances de recuperar um estilo de vida socialmente aceito e produtivo.

 

Zenklub

Zenklub

Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas se empoderem da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no site você pode consultar um psicólogo por vídeo-chamada de onde estiver. São mais de 80 psicólogos a um clique de distância.
Zenklub