Que as mulheres estão se unindo para conquistar mais espaço e importância na sociedade e no mundo todo, não é novidade. Entre suas diversas bandeiras, como respeito e equidade de gênero, estão também outras frentes, já conhecidas, como o Outubro Rosa e a campanha de prevenção ao câncer de mama.

Esse é um mês que ganhou não só a cor e o símbolo do laço cor-de-rosa, mas espaço na mídia, nas empresas e até mesmo naquela roda de amigas em um bar no fim de semana.   

O câncer de mama é uma realidade antiga e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a partir de 2018, aproximadamente 60 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticado por ano só no Brasil. Ou seja, a cada 100 mil mulheres, mais de 55 desenvolvem essa condição.  

Por esse e por outros motivos, como vamos ver nesse artigo, é tão importante termos um mês especial para informar, dialogar, incentivar e proteger cada vez mais mulheres contra essa doença.

O que é o Outubro Rosa?

O Outubro Rosa é uma campanha mundial que surgiu na década de 90 nos Estados Unidos, para estimular a conscientização da população, em especial das mulheres, sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

O objetivo da campanha Outubro Rosa é aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade causada pelo câncer na mama, que é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de pele.

Durante todo o mês, instituições públicas e privadas disponibilizam gratuitamente ou com preço reduzido, o acesso a exames de prevenção, e ruas, monumentos e pontos públicos das cidades ganham os tons da campanha.

Desde 2010, o INCA, no Brasil, participa desse movimento, promovendo apresentações, eventos, debates e materiais educativos para disseminar a informação da campanha contra o câncer de mama.

Outubro Rosa: história

A origem da campanha tem reflexos do século XX em que alguns estados americanos já promoviam isoladamente iniciativas com o tema da campanha de câncer de mama. Aos poucos essa ação tomou maiores proporções, até ser oficializada pelo Congresso Americano.

Vale lembrar dentro dessa história, a importância de Nancy Brinker, fundadora do instituto Susan G. Komen Breast Cancer Foundation que, em 1983, deu o primeiro passo e promoveu a “Caminhada pela Vida” em Dallas, com o objetivo de dar mais visibilidade ao tema e ao projeto, e também arrecadar fundos para as pesquisas.

Em 1991, as fitas cor-de-rosa ganham espaço e se tornam símbolo oficial da campanha, ao serem distribuídas na Caminhada pela Vida, em Nova York. De lá para cá, as corridas continuaram acontecendo e engajando cada vez mais mulheres e homens em todo o mundo.

O laço rosa chega, oficialmente, posteriormente como símbolo do mês Outubro Rosa, junto com a ideia dos laços incentivadores de diversas outras campanhas, que engloba não só essas iniciativas sobre o tema, como também a participação da população e engajamento de empresas, mídias e entidades.

O câncer de mama

O câncer de mama é causado pela multiplicação de células anormais da mama, que juntas formam um tumor. Há diferentes tipos de câncer nas mamas e sua identificação e diagnóstico pode ser feito a partir de uma avaliação médica com um especialista ou pelo exame do toque, ou autoexame das mamas, feito pela própria mulher.

O exame com especialista é algo recorrente para mulheres que recebem acompanhamento de um especialista em ginecologia em seus exames anuais preventivos. Já o autoexame deve ser feito de 3 a 5 dias após a menstruação, mensalmente.

Fatores de risco

O câncer de mama não tem uma causa específica, mas pode envolver alguns fatores que indicam maior predisposição a desenvolver o câncer de mama, sendo o principal deles a idade.

Fatores hereditários e genéticos

  • Histórico familiar de câncer no ovário;
  • Casos de câncer de mama em homens da família;
  • Casos de câncer antes dos 50 anos na família;
  • Alterações genéticas, em especial, dos genes BRCA1 e BRCA2.

Fatores comportamentais e ambientais

  • Sedentarismo;
  • Obesidade e sobrepeso, principalmente, após a menopausa;
  • Excesso de consumo de ácool;
  • Exposição frequente a radiações ionizantes (raio-x).

Fatores Hormonais e Reprodutivos

  • Menstruação antes dos 12 anos;
  • Primeira gravidez somente após os 30 anos;
  • Não amamentar;
  • Não ter tido filhos;
  • Menopausa após os 55 anos;
  • Uso de contraceptivos hormonais;
  • Uso de reposição hormonal pós-menopausa por mais de cinco anos.

Vale lembrar que não necessariamente mulheres que apresentam algum desses fatores de risco terão obrigatoriamente câncer na mama; e que homens também desenvolvem esse tipo de câncer, mas representam apenas 1% do total de casos.

Mamografia e Autoexame

Estudos indicam que as mulheres são muito assíduas do próprio corpo e a grande maioria dos casos de câncer na mama são identificados a partir da queixa das próprias mulheres ao médico, e essa pode ser sim uma boa notícia.

Ainda assim, muitas não tem a informação correta de como realizar o autoexame ou não tem acesso a exames como a mamografia.

Vamos começar esclarecendo como é o passo a passo do autoexame, lembrando que na dúvida é importante consultar um médico para que ele ensine a fazer:

Fase 1) Observação visual

  • Fique na frente do espelho;
  • Observe os seios com os braços relaxados e caídos;
  • Levante os braços e observe de novo;
  • Com as mãos pressionando a cintura, observe novamente.

Fase 2) Toque

  • Levante um dos braços e coloque as mãos atrás da cabeça. Com a outra, apalpe com cuidado, fazendo movimentos circulares;
  • Faça também movimentos convergentes, para cima e para baixo, e também em direção a axila;
  • Pressione os mamilos para checar se há secreção;
  • Repita com o outro lado.

Lembre-se que a etapa do toque, a palpação deve ser feita com os dedos das mãos unidos e esticados.

Sobre a mamografia, que é uma radiografia da mama, o Ministério da Saúde garante que é a melhor forma de prevenção, pois a partir da radiação o exame consegue gerar imagens do interior da mama, sendo capaz de identificar tumores menores que um centímetro – no autoexame somente a partir de dois centímetros.

É bom saber que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o exame da mamografia, a partir da indicação médica, para mulheres de todas as idades.

O autoexame não pode substituir a mamografia, nem mesmo a sua ida ao médico de forma regular e preventiva. O MS indica a mamografia como exame regular a cada dois anos, para mulheres a partir de 50 anos de idade.  

Sinais e sintomas do câncer de mama

Os principais sinais do câncer de mama são:

  • Nódulo ou caroço fixo, duro e, muitas vezes, indolor nos seios ou nas axilas ou pescoço;
  • Mudanças no mamilo (bico do peito);
  • Pele dos seios avermelhada ou retraída;
  • Eliminação espontânea de líquido nos mamilos.

Na identificação de qualquer sintomas, deve-se procurar um médico para que o diagnóstico seja feito da forma mais precoce possível, facilitando o tratamento e a cura.

Como prevenir o câncer de mama?

Assim como diversas outras doenças o câncer de mama pode ser prevenido, em até 30%, com a adoção de hábitos mais saudáveis:

  • Pratique atividades físicas regularmente;
  • Mantenha o peso corporal de acordo com o seu perfil;
  • Evite o excesso de consumo de bebidas alcoólicas;
  • Alimente-se de maneira saudável;
  • Não deixe de amamentar;
  • Vá regularmente ao ginecologista fazer exames preventivos.

Tratamento do câncer de mama

Não há uma regra única que especifique como é feito o tratamento do câncer de mama, assim como os demais tipos de câncer. Na verdade, tudo depende do estágio em que o câncer se apresenta e das condições médicas de cada paciente.

O tratamento poderá envolver quimioterapia, radioterapia e diferentes tipos de cirurgia. Por causa das diferentes opções de tratamento, a equipe médico de uma única paciente pode envolver especialistas, como oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas, nutricionistas e até mesmo psicólogos.

Toda decisão deverá ser tomada em conjunto com a equipe médica, assim como todas as questões relacionadas aos efeitos colaterais específicos de cada procedimento. É uma boa opção buscar outras opiniões de diferentes especialistas, sem adiar o começo da sua luta contra o câncer.

Além da questão física

O câncer atinge, além da dor e da aparência física, diretamente o nosso bem-estar emocional. Não é fácil lidar com uma doença tão cheia de significados, sem muito diagnósticos precisos e receitas rápidas que cure todo esse mal.

O câncer de mama, e todos os demais, atinge também nosso consciente, nossa felicidade, a autoestima e nos desestabiliza emocionalmente. Esse desequilíbrio não é só prejudicial por alguns momentos, ele também pode deixar toda a história desse tratamento e dessa luta ainda mais difícil.

O tratamento com medicamentos e especialistas, como já falamos, é possível e desanimar não deve nem passar pela sua cabeça, mas, se ainda assim, você entender que uma ajuda focada no seu emocional será uma arma surpresa e poderosa, não deixe de procurar um psicólogo para acompanhar seu novo desafio.  

Conversar, abrir os seus medos e receio daqueles dias mais difíceis de conviver, não atrapalha em nada, ao contrário, só ajuda. Lembre-se sempre, toda ajuda conta e você pode seguir mais otimista nessa causa.

Mantenha-se informado

Para mais informações sobre o câncer de mama e o Outubro Rosa, acesse o site oficial da campanha no Brasil ou procure o INCA. A luta contra o câncer depende da participação e do engajamento de todos nós.

 

Zenklub

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Proporcionar um estilo de vida mais saudável e permitir que as pessoas se empoderem da sua saúde emocional e bem-estar é o objetivo do Zenklub. Para além das matérias no blog, no site você pode consultar um psicólogo por vídeo-chamada de onde estiver. São mais de 80 psicólogos a um clique de distância.
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