Quem nunca sofreu um ataque de raiva na vida que atire a primeira pedra. Mas acontece que no transtorno explosivo intermitente (TEI) as coisas são muito mais intensas e frequentes nesse sentido.
Segundo os dados da Associação Americana de Psiquiatria, a prevalência do transtorno explosivo intermitente é de 2,7% na população geral, predominando na faixa etária entre 16-35 anos e com baixo nível de escolaridade.
Se você deseja entender mais sobre o TEI e como diferenciá-lo de um ataque de raiva comum, continue com a gente até o final!
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o transtorno explosivo intermitente é uma condição que possui as seguintes características:
Assim, o TEI é um desequilíbrio do comportamento que suscita na pessoa a impulsividade e reações realmente intensas à contradições simples do dia a dia.
O que é comum no transtorno explosivo intermitente são as alterações rápidas do humor, bem como a percepção de uma contínua tensão por parte de quem sofre da condição.
O transtorno explosivo intermitente possui sintomas que nem sempre são característicos da condição.
No entanto, ao se avaliar a condição global do quadro e depois de se excluir outros possíveis diagnósticos (como, por exemplo, o de transtorno bipolar) é possível chegar a uma conclusão.
Assim, os sintomas mais comuns do transtorno explosivo intermitente são:
No entanto, não é comum no transtorno explosivo intermitente que a pessoa tenha episódios de alteração da personalidade, como ocorre em outras condições como no transtorno dissociativo.
Pode que você, após ver a lista dos sintomas, esteja se identificando com alguns deles.
Mas não precisa se desesperar, porque nem todo ataque de raiva é TEI, ok?
Para te ajudar a entender melhor as diferenças entre transtorno explosivo intermitente e um ataque de raiva do dia a dia, confira a tabela a seguir:
TEI | Ataque de raiva | |
Frequência | Acontece com frequência. No mínimo duas vezes na semana por pelo menos 3 meses. | Acontece esporadicamente. |
Intensidade | São surtos realmente fortes que podem colocar em risco a integridade dos envolvidos, pois a pessoa com TEI pode arremessar objetivos ou até mesmo partir para a agressão. | São menos intensos, nos quais a pessoa consegue se conter e não causar nenhum tipo de dano físico a outrem. |
Causa | Como todo transtorno mental possui uma causa multifatorial. Assim, no caso do TEI, há uma relação com questões biológicas e genéticas bem estabelecidas. Ou seja, a pessoa com TEI possui alterações nos neurotransmissores e hormônios que favorecem a prática recorrente dos ataques de raiva. | Pode estar associado a um contexto de vida complicado, estresse excessivo ou alguma alteração pontual que esteja causando sofrimento. São ataques de raiva “justificáveis”. |
Planejamento | Não há como prever quando alguém com TEI irá ficar com raiva. Afinal, os surtos nesse caso derivam da impulsividade da pessoa. | Podem ser premeditados e feitos de forma calculado. |
Arrependimento | Por notar que a reação foi desproporcional ao evento estressor, geralmente a pessoa com TEI se arrepende do ataque de raiva. | Às vezes a pessoa pondera bastante sobre determinada situação antes de ter um ataque de raiva. Por isso, nem sempre há arrependimento. |
Não é nada simples lidar com uma pessoa com transtorno explosivo intermitente.
Por isso, separamos 3 dicas simples para que você possa ter uma boa relação com quem enfrenta essa dificuldade.
Segundo o psicólogo americano Marshall Bertram Rosenberg, escritor do livro “Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, a empatia é uma arma poderosa para evitar conflitos.
Assim sendo, tente sempre adotar uma comunicação não-violenta, deixando bem claro que compreende a situação do outro.
Às vezes é natural perdemos a paciência com alguém.
Mas sabendo que a pessoa com a qual estamos lidando tem TEI, o ideal é respirar fundo umas 20 vezes antes de retrucar ou falar alguma coisa.
Afinal, aos mínimos estímulos, a pessoa com TEI pode entrar em surto e causar um problema maior.
Por isso, se você sentir que está prestes a perder a paciência, busque se afastar e tente se acalmar.
O melhor remédio para transtorno explosivo intermitente é uma boa terapia.
Por isso, para lidar melhor com alguém com TEI, oriente a busca por um profissional especializado.
É importante que você use uma linguagem calma e demonstre que essa sugestão não é um ataque pessoal, mas sim uma forma de melhorar a qualidade de vida da pessoa.
O transtorno explosivo intermitente, por ser uma condição que envolve a personalidade (assim como o transtorno de personalidade histriônica, por exemplo), não possui exatamente cura.
Por outro lado, a pessoa com TEI pode aprender como lidar com sua personalidade explosiva e, assim, viver uma vida funcional e feliz.
Vale destacar que é imprescindível que a pessoa com os sintomas do transtorno explosivo intermitente busque um psicólogo ou psiquiatra para dar início o quanto antes ao tratamento.
O tratamento medicamentoso do transtorno explosivo intermitente deve ser indicado por um médico psiquiatra que pode lançar mão de:
Mas vale destacar que os ataques de raiva provém de situações em que uma pessoa se sinta:
Assim, é importante que o tratamento do transtorno explosivo intermitente vá além do medicamentoso, uma vez que abordagens práticas na rotina de cada um podem evitar os surtos e dificuldades de convivência.
Nesse aspecto a terapia cognitiva-comportamental (TCC) possui grande importância dentro do tratamento não medicamentoso do transtorno explosivo intermitente, uma vez que reduz:
Pode ser que a agressividade infantil exacerbada seja um caso de transtorno explosivo intermitente.
Contudo, vale destacar que o diagnóstico de TEI só pode ser feito se a pessoa tiver mais que 6 anos de idade.
Por vezes, os sintomas de transtorno explosivo intermitente se sobrepõem a outras condições comuns na infância. Mas segundo o DSM-V:
“O diagnóstico de TEI pode ser feito em adição ao diagnóstico de Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante ou transtorno do espectro autista nos casos em que as explosões de agressividade impulsiva recorrentes excederem aquelas normalmente observadas nesses transtornos e justificarem atenção clínica independente.”
A raiva pode ser sintoma não só de transtorno explosivo intermitente, mas também de que algo não está bem na sua vida.
Por isso, se você sente esse sentimento com frequência, o ideal é procurar um especialista em saúde mental para te avaliar de maneira individual.
Na Zenklub você conta com mais de 4000 profissionais da saúde mental, incluindo psicólogos, psicanalistas, coaches e terapeutas que certamente te ajudarão a compreender melhor o que há por trás dos ataques de raiva!
Referências:
1) MC ELROY. Recognition and treatment of DSM-IV intermittent explosive disorder. J Clin Psychiatry. 1999 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10418808/
2) COCCARO. Intermittent explosive disorder as a disorder of impulsive aggression for DSM-5. “American Journal of Psychiatry,”. 2012 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22535310/
3) KAPLAN, H. B.; SADOCK, B. J.; GREBB, J. A. Compêndio de psiquiatria: Ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.
4) Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.