De tudo que envolve a maternidade, a amamentação é um dos temas mais frequentes. Especialmente para as mães de primeira viagem, a expectativa é de pegar o bebê nos braços e imediatamente começar essa tarefa maravilhosa e tão recomendada. É assim que costumamos ver nos filmes, mas, na prática, é tudo bem diferente. 

Os benefícios da amamentação são muitos, mas diversos obstáculos podem surgir. Desde conseguir a pega correta, até a volta ao trabalho, uma série de fatores pode dificultar essa jornada. Mas com algumas dicas e uma boa dose de empenho, é possível ter sucesso nessa missão tão bonita e de resultados duradouros. 

Por que devo amamentar o meu bebê?

Em primeiro lugar, porque o leite materno é o único alimento que o seu bebê precisa durante os primeiros seis meses de vida. Nem mesmo água é necessária para um bebê que está em amamentação exclusiva, ou seja, não utilizando qualquer outra fonte de nutrientes além do leite materno. 

Em segundo lugar, porque amamentar é um ato de amor. Libera ocitocina e endorfina, hormônios relacionados ao bem-estar, e estimula o instinto materno. Juntos, mãe e bebê se conhecem, aprendem um sobre o outro e iniciam uma jornada de cumplicidade e afeto. Em terceiro lugar, porque o leite materno é muito prático: está sempre pronto, na temperatura ideal, na medida certa e de graça!     

Golden Hour

A primeira hora de vida do recém-nascido, chamada de Golden Hour (Hora de Ouro em português) ou Hora Mágica, é um momento extremamente importante porque concretiza o vínculo entre mamãe e bebê. É crucial para o desenvolvimento socioafetivo da criança.  

Neste momento, o toque pele a pele, cheiros, o som do batimento do coração materno e tudo que envolve esse primeiro contato ajudam a confortar o bebê na transição do útero para o mundo exterior. É assim que ele regula naturalmente seus batimentos cardíacos e a respiração. 

É, também, o estímulo que o corpo da mãe precisa para a contração do útero, reduzindo o risco de hemorragias, e para a apojadura, popularmente conhecida como a descida do leite. Então, os benefícios da amamentação na primeira hora de vida são justamente o incentivo para reforçar a produção de leite e garantir a proteção imunológica para o bebê que acaba de sair de um ambiente seguro.

Inicialmente, o fluxo pode se resumir a algumas gotinhas, suficientes para o recém-nascido. Nos primeiros dias, o que o bebê recebe é o colostro, cuja função principal é fornecer anticorpos e nutrientes. Esse líquido prepara o intestino do bebê para receber o aleitamento que vem a seguir. Não é à toa que dizem que o leite materno é a primeira vacina do bebê. 

Por quanto tempo devo amamentar o meu bebê?

A recomendação é global: segundo a Organização Mundial de Saúde, o bebê deve ser amamentado exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida, quando começa a introdução alimentar. Mas, mesmo com a entrada dos alimentos sólidos no cardápio do bebê, a indicação é que ele possa mamar até os dois anos. 

Um estudo da Universidade de Medicina da Virginia, nos Estados Unidos, apontou que o risco de morte súbita é 70% menor nos bebês amamentados exclusivamente com leite materno até os seis meses, em comparação com os bebês que receberam complementação, como leite de vaca ou mingau.

Muitas pessoas acreditam que a amamentação é automática, mas há uma série de detalhes iniciais que podem comprometer a eficiência da amamentação. Porém, uma vez superados, é possível seguir amamentando pelo tempo desejado.

Quais são os benefícios da amamentação?

São vários os benefícios da amamentação para a mãe e bebê – e eles são bastante duráveis. Para desfrutar dessas vantagens plenamente e pelo maior tempo possível, é bom poder contar com uma rede de apoio. 

Essa ajuda vai desde as instruções e dicas fornecidas por profissionais, como enfermeira, pediatra e obstetra, até o amparo de amigos e familiares com questões práticas, como a limpeza da casa e compras no mercado, por exemplo.   

Durante a estadia na maternidade, a mãe deve aproveitar ao máximo a presença das enfermeiras, que são experientes em questões como a pega eficaz, a posição confortável da mãe e os sinais de fome e saciedade do bebê. 

Benefícios da amamentação para a mãe

Os benefícios da amamentação para a mãe envolvem a recuperação do corpo após a gravidez e a prevenção de doenças. Durante a amamentação, o organismo da mulher libera hormônios relacionados à afetividade e ao bem-estar. Outro grande benefício é o vínculo afetivo com o bebê, que promove o desenvolvimento saudável da criança.

Recuperação: incentiva a contração uterina, favorecendo o restabelecimento do tamanho normal do útero. Além disso, reduz o sangramento, prevenindo a ocorrência de hemorragias e de anemia. Outra vantagem é o emagrecimento pós-parto – mulheres que amamentam têm suas medidas reduzidas mais rapidamente. O ato queima cerca de 500 calorias por dia.  

Câncer: reduz as chances de desenvolver câncer de mama, de ovário e útero.

Outras doenças: amamentar combate a osteoporose, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. 

Saúde emocional: lembra da ocitocina? Ela tem um efeito antidepressivo, ajudando a controlar a ansiedade e a depressão. Também acalma, reduz o estresse e a pressão arterial. 

Benefícios da amamentação para o bebê

Os benefícios da amamentação para o bebê envolvem a proteção imunológica, a prevenção de doenças na infância e a promoção do bom desenvolvimento do aparelho fonador. O leite materno contém os nutrientes necessários e na versão mais fácil de ser digerida. Mais que isso, contém anticorpos, enzimas e glóbulos brancos, que protegem o bebê contra infecções e doenças. 

Aparelho fonador: entre os benefícios da amamentação, fonoaudiologia é um destaque. O exercício de mamar recruta uma ampla musculatura, prevenindo o crescimento incorreto dos dentes e dificuldades na fala. 

Prevenção de doenças: dos benefícios da amamentação exclusiva, a prevenção de doenças é um dos mais importantes. Entre elas, destacam-se infecções, resfriados e gripes, obesidade, diabetes, alergias, hipertensão, doença de Crohn, linfoma e doença celíaca. E, se ficarem doentes, os bebês amamentados se recuperam mais rapidamente porque o corpo da mãe produz os anticorpos necessários. 

Apoio emocional e inteligência: um bebê amamentado tem mais contato com a mãe, sensação de segurança, amor, cuidado e proteção. Isso permite que ele se torne uma criança mais confiante. Outro dado interessante é que adolescentes amamentados quando bebês costumam apresentar melhor desempenho em testes de inteligência e maior frequência escolar.  

Amamentação e COVID-19

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a melhor opção para a mãe que contraiu COVID-19 é seguir amamentando normalmente. A conclusão é de que os riscos para o bebê são inferiores aos prejuízos. 

Até o momento, não há evidências de que o vírus seja transmitido pelo leite. A mãe precisa apenas reforçar as medidas de proteção contra o contágio, como máscara (dando preferência para as cirúrgicas), higienização das mãos e desinfecção de superfícies. 

Quais cuidados devo tomar ao amamentar o meu bebê?

Amamentar não é fácil, especialmente no começo, quando acontece o puerpério. O bico do seio pode ficar machucado, as mamas doem e podem ficar ingurgitadas – ou seja, muito cheias de leite. 

Essa fase inicial é desafiadora, mas, uma vez superada, permite que a amamentação seja prazerosa e muito recompensadora. Algumas dicas simples podem ajudar bastante as mamães de primeira viagem. Confira!

A pega correta

O bebê precisa de orientação para acertar a pega. É assim que ele pode extrair o leite em quantidade satisfatória, sem ferir o bico do seio. Além disso, evita a ingestão de ar com o leite, reduzindo as cólicas e soluços. 

A pega correta acontece quando o bebê abocanha todo o bico e quase todo o mamilo que o circula. Os seus lábios estão curvados para fora, lembrando a boca de um peixinho. Para isso, a mãe pode abrir bem a boquinha do bebê, forçando gentilmente seu queixo para baixo e ajeitando o seio dentro da boca dele, assim como os seus lábios. 

Chupeta, mamadeira e copinho

Em alguns casos específicos, o pediatra pode recomendar a complementação da amamentação com as fórmulas à base de leite de vaca. Nestas situações, o uso do copinho em vez da mamadeira é uma saída segura para combater o desmame precoce. É surpreendente, mas um bebê consegue beber líquido da borda de um copo, inclusive dormindo! É só posicionar e segurar corretamente, acompanhando o ritmo dos goles que ele dá.

Se a mamadeira entra em ação, o bebê percebe que faz menos esforço para receber grandes goles e, não raro, pode abandonar o seio materno. Além disso, como o leite de vaca é mais denso e difícil de digerir, o bebê fica aparentemente mais saciado e dorme mais. Mas isso não significa uma vantagem: o leite materno tem a quantidade de nutrientes e gorduras exata, na medida da necessidade do bebê.

Estudos apontam que mamadeiras e chupetas têm um alto potencial de prejudicar a amamentação. Mas os danos vão além: ambas interferem as funções de mastigação, sucção e deglutição, alterando a musculatura de órgãos fonoarticulatórios e a oclusão dentária. 

A chupeta faz com que o bebê respire mais pela boca, favorecendo o desvio de septo nasal, cáries, irritações da orofaringe, pulmões e laringe, assim como infecções de ouvido, rinites e amigdalites.   

Há quem defenda a chupeta como forma de acalmar o bebê – tanto é que, em inglês, ela é chamada de “pacifier” (pacificadora, em livre tradução). Mas é preciso lembrar que o choro é a única forma do bebê manifestar as suas necessidades. Então, esse recurso pode ter impactos emocionais no futuro, uma vez que suas demandas de conforto, medo ou simplesmente de carinho não foram atendidas.  

Machucados, fissuras e rachaduras 

O bico do seio pode se machucar, principalmente quando a pega não está correta. Como não há intervalo para a regeneração do ferimento porque o bebê segue mamando, a melhor estratégia é investir em soluções rápidas. 

Uma delas é a pomada de lanolina, um derivado da cera de lã de ovelha. Esse produto é seguro e tem a vantagem de não precisar ser removido da mama antes da amamentação. Banhos de sol nos horários seguros (especialmente antes das 10h) ajudam a fortalecer a pele do bico do seio, mas o sol deve incidir diretamente sobre a pele.   

Mama ingurgitada (muito cheia) 

Quando está muito cheia de leite, a mama fica dura, dolorida e quente. Isso acontece porque o bebê não conseguiu esvaziar a mama. Nessas horas, é preciso aliviar esse incômodo para evitar a mastite, que é uma infecção. 

Para reduzir o excesso de leite, além de amamentar, é possível fazer a ordenha manual ou com uma bombinha. Durante o banho, a mulher pode balançar os ombros vigorosamente e deixar a mama pingar à vontade. Essa dança é bem eficiente! 

Mães com produção de leite abundante podem doar o excedente para o banco de leite mais próximo, ajudando outros bebês. Esses locais dão toda a orientação necessária para a coleta e armazenamento corretos. Com o tempo, a produção de leite se ajusta ao consumo do bebê e a mama não fica mais ingurgitada. 

Alimentos  

Se a mãe se alimenta bem, com uma boa variedade de nutrientes, não precisa se preocupar com a qualidade de seu leite, que está garantida. Ou seja, é preciso ingerir frutas, legumes, verduras, fibras, proteínas e água. Não é preciso eliminar completamente aquele hambúrguer ou a pizza do cardápio: é só não abusar. E, é claro, álcool está proibido. 

Mitos 

Arrotar é necessário? Nem sempre. Se a pega está correta, o bebê praticamente não arrota porque não ingere ar na deglutição do leite. Com o tempo, você vai perceber se o bebê tem mesmo a necessidade de ficar aqueles minutinhos de pé para arrotar.  

Existe leite fraco? Não. Não se deixe levar por comentários de pessoas que dizem que o bebê está magro, ou que o seu leite está ralo. Comparar o leite humano com o da vaca é um erro, porque eles têm composições distintas. Pode confiar: seu leite é perfeito para o seu bebê!  

Estou grávida, preciso parar de amamentar? Não, de jeito nenhum. Apenas evite a livre demanda, que é amamentar sempre que o bebê solicita. Isso porque, como ocorre a liberação de ocitocina, que promove contrações uterinas, é preciso controlar o nível desse hormônio. 

A jornada da maternidade é, ao mesmo tempo, recompensadora e desafiadora. Por isso, o suporte de um terapeuta pode ajudar a superar dificuldades e favorecer um bom relacionamento com a criança, além de reduzir a ansiedade. Conte com o Zenklub para obter apoio e fortalecer a sua saúde emocional. Agende uma sessão.

Referências

Organização Pan-Americana de Saúde. Benefícios da amamentação superam riscos de infecção por COVID-19, afirmam OPAS e OMS. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/1-9-2020-beneficios-da-amamentacao-superam-riscos-infeccao-por-covid-19-afirmam-opas-e-oms 

MCFADDEN, A. et al. Apoio para mulheres saudáveis que amamentam bebês saudáveis nascidos a termo. Cochrane. Disponível em: https://www.cochrane.org/pt/CD001141/PREG_apoio-para-mulheres-saudaveis-que-amamentam-bebes-saudaveis-nascidos-termo 

XAVIER, Juliana. Apojadura: entenda e saiba como lidar com a descida do leite. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Disponível em: http://www.iff.fiocruz.br/index.php/8-noticias/314-apojadura 
PELLEGRINELLI, Ana Luiza Rodrigues et al.Influência do uso de chupeta e mamadeira no aleitamento materno exclusivo entre mães atendidas em um Banco de Leite Humano. Revista de Nutrição 28 (6) Nov-Dec 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1415-52732015000600006

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