Sabedoria para o fim de ano com Monja Coen

23 dezembro, 2020 |

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Este artigo é baseado em nosso podcast de saúde emocional, o Zencast. Neste episódio, conversamos com a Monja Coen sobre a sabedoria de fim de ano. Para saber mais sobre o tema, ouça o episódio no player e leia o artigo abaixo.

Budista há mais de três décadas, a líder espiritual e fundadora da Comunidade Zen Budista, Monja Coen, participa do último episódio do ano do Zencast trazendo sabedoria e iluminação sobre a chegada de um novo ciclo. Com muita leveza e bom humor, ela transforma assuntos difíceis em significados mais compassivos. 

“O ano tá acabando. Como tudo que começa, termina. É um ensinamento de Buddha. Nada é como foi, é como será. E nada foi como é agora.”

Foram inúmeros os aprendizados que tivemos ao longo de 30 minutos e vamos listar apenas alguns deles. Já avisamos que, ao fim da leitura, você vai querer correr pra dar play pra ouvir cada um deles! 

1) O que tiramos de um ano tão difícil, para o mundo todo?

Tudo ficou intensificado num ano em que encontramos tão pouca satisfação. É uma era de negação da realidade, além da dificuldade e sofrimento que permeou a vida de cada cidadão, independente de classe e clero. Nada ficou mais fácil, apenas mais difícil.

Monja diz que sempre foi perceptível para alguns, mas se tornou claro e evidente para o mundo todo:

“Neste ano, percebemos fisicamente que somos um só corpo, uma só vida no planeta. Estamos todos interligados e nos inter comunicando. É impossível nos separarmos de qualquer ser, de qualquer forma de vida. Nós somos a vida da Terra, do planeta, em constante transformação. Isso ficou visível, era uma ideia, uma teoria. Mas agora ficou visível.”

2) Todo mundo passou por uma mudança ou transformação. E o que faz uma pessoa mudar?

Segundo a tradição budista, os humanos podem ser comparados com 4 tipos diferentes de cavalo: o primeiro, só de ouvir o barulho do chicote já sai em disparada; o segundo precisa apenas sentir o impacto do chicote na pele para começar a andar; o terceiro precisa alcançar a carne para sair do lugar; e o quarto só se movimenta quando realmente sentir o chicote já no “osso”.

Em comparação com o contexto de pandemia, Monja Coen exemplifica que muitos perceberam rapidamente que o mundo mudou e que diversas adaptações seriam necessárias, enquanto outros se movimentam contra mudanças estabelecidas, como as voltadas ao isolamento social. Para a líder budista, é imprescindível saber ultrapassar por momentos que exigem mudanças:

“A vida é movimento e transformação e nós temos que estar presentes no momento para perceber: quando é que eu mudo? Temos que mudar as dinâmicas pedagógicas, de trabalho e de relacionamentos, pois elas têm que se transformar.”

Já falamos por aqui que a resistência a mudanças pode estar ligada ao medo. Leia mais aqui.

2) Crise, em Chinês, significa tanto dificuldade, quanto oportunidade 

Alguns tiveram a capacidade de ver oportunidades abertas, não só as portas que foram fechadas nesse momento.

“A gente sabe que nós humanos temos uma capacidade criativa, e se tivermos foco e necessidade, a gente faz.”

A capacidade de adaptabilidade faz toda a diferença quando olhamos para dificuldades e oportunidades: quanto mais dificuldade para nos adaptar, mais empecilhos surgirão e estarão presentes em nossas vidas, enquanto a flexibilidade é um fator determinante para superar desafios e encontrar um equilíbrio. 

“Tudo está em movimento e transformação. Eu não posso querer segurar coisa alguma. Por que tudo está fluindo. Como meu corpo, minhas ideias e minha maneira de estar no mundo. O apego me limita, e quem não percebe isso, fica limitado. O mundo está mudando, a educação, a tecnologia. Tudo é fluido. É tentativa e erro, para absolutamente tudo. “

Para complementar, fica a leitura: É hora de ressignificar: mudanças promovidas pela quarentena

3) Meditação traz autoconhecimento

“A gratidão faz muito bem a nós humanos. Zen tem dois sentidos, em japonês: é meditar e estar com bem-estar. Quando queremos ficar Zen, não queremos fugir da realidade, é estar absolutamente presente onde você está e não ser manipulado por ninguém. É um estado de sabedoria.”

Para Coen, a meditação é a libertação da mente humana. Ao longo do papo, ela ensina a fazer e usar a meditação e respiração consciente para enfrentar dificuldades relacionadas às rupturas da pandemia: 

“Respire conscientemente: percebeu que vai ficar ansioso, senta e respira. Respira, e solta devagar. Estou presente no presente. Eu sou a vida nesse instante manifestado.”

4) Não existe sabedoria sem ternura e compaixão

É da natureza humana ter momentos de indignações sobre a vida. Com a fala, somos capazes de fazer um manifesto. Se há algo que não estamos de acordo, nos manifestamos. Mas, com o advento da tecnologia e as mudanças de comportamento severas que aconteceram ao longo do ano, pudemos perceber que as manifestações estão cada vez mais extremas e odiosas. 

“A nossa maneira de pensar no mundo precisa ser manifesta. Mas precisamos nos manifestar por meio da não-violência. Nós temos que transformar uma cultura de violência por uma cultura de paz.”

Estar zen, neste contexto, é ter capacidade de discernimento correto. É um estado de clareza mental, sabedoria, é o despertar da mente humana. Menos aflito, menos ansioso, mais presente.

E como fazer com que as pessoas despertem? Que as pessoas se sintam acolhidas e respeitadas? Monja Coen responde: entrar em contato com o autoconhecimento profundo por meio do estado “zen”. 

“Não existe um estado de sabedoria sem compaixão e ternura. E não existe compaixão sem sabedoria. A compaixão não é visceral. A minha fala, meu movimento, tudo que faço mexe a trama do universo. E sabedoria e compaixão também é treino. Esse ano também pode ser maravilhoso, se formos capazes de fazer um dia melhor que o outro. Respire.”

Convidado

Monja Coen

Budista há mais de três décadas, é líder espiritual e fundadora da Comunidade Zen Budista. Autora de mais de 8 livros, foi jornalista e repórter.

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