Medicina do Futuro

29 junho, 2021 |

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Nesse episódio do Zencast, Izabella Camargo conversa com o neurologista e autor do livro “Medicina do Amanhã”, Pedro Schestatsky. Acompanhe esse episódio ou dê uma olhada no nosso resumo abaixo para entender sobre os conceitos ligados ao futuro da saúde humana.

Para explicar o melhor dessa edição do Zencast, precisamos primeiro falar que a Medicina do Futuro do doutor Pedro Schestatsky navega por diversos conceitos e conhecimentos baseados em pesquisas e estudos sérios – e, a partir daí, organizar as ideias por aqui.

A relação entre médico e paciente.

O primeiro ponto abordado por Schestatsky é a transformação da relação entre médico e paciente. Se hoje a medicina é um mercado ao qual recorremos quando temos um problema de saúde específico, o modelo de saúde ideal para a humanidade seria mais na direção oposta: o paciente trabalhar com a ideia de prevenção e o médico precisa se aproximar do propósito do cuidado – e se afastar das abordagens que transformam a saúde em comércio.

Nós temos o mal hábito de sermos reativos. Procuramos a solução só quando há um problema.

É nesse sentido da busca por um estilo de vida que previna problemas de saúde que o médico nos apresenta o primeiro conceito: a infoterapia. A infoterapia é justamente essa prevenção através dos hábitos saudáveis, guiada pelas abundantes informações disponíveis no mundo.

No entanto, é importante lembrar que a informação precisa vir das fontes certas. Orientações de saúde precisam ser frutos de estudos sérios, com dados confirmados. É por isso que o Dr. Pedro também diz que o médico do futuro vai ser o médico que souber filtrar essa informação.

A tecnologia não vai substituir o médico, ela vai aproximá-lo do paciente. 

A Medicina dos 5 P’s.

Um outro conceito que o Dr. Pedro Schestatsky trabalha no seu livro é o da Medicina dos 5 P’s, que seriam formas de enxergar a medicina do futuro para desenharmos novos modelos de saúde focados no bem-estar, na longevidade e na qualidade de vida das pessoas.

  1. Preditivo. Com o avanço da tecnologia e da genética, a tendência é que se torne cada vez mais acessível os exames que mapeiam o DNA das pessoas. Com isso, é possível prever quais os problemas de saúde que são mais prováveis de se manifestarem. 
  2. Prevenção. Uma vez que você conheça o seu DNA e saiba quais doenças podem se apresentar ao longo dos anos, é possível adotar hábitos que evitem que os genes relacionados a essas doenças se ativem. Segundo o Dr. Pedro, nossos genes são apenas 20% do que somos, porque os outros 80% são o ambiente e nossas condições de vida, que podem ou não ativar esses genes ao longo da vida.
  3. Pró-atividade. A nossa atual relação com a medicina é baseada em procurar ajuda apenas quando já temos um problema. Em um mundo onde poderemos prever e prevenir doenças, isso não fará mais sentido. Precisamos começar a pensar em procurar médicos para tratamentos que possam evitar que doenças apareçam.
  4. Personalizada. O mesmo conhecimento que nos levou a estudar a particularidade do nosso genoma individual está nos mostrando que cada pessoa é um ser único. A despeito das semelhanças que compartilhamos, alguns hábitos e tratamentos podem agir de formas diferentes em corpos diferentes. A medicina precisa se tornar cada vez mais personalizada para ser mais efetiva.
  5. Parceria. Segundo o Dr. Pedro, esse P representa a descida do médico do seu pedestal. A medicina do futuro não poderá ser apenas um mercado ou uma prestação de serviço. O paciente precisa sentir que há uma conexão com o médico – e este precisa se lembrar que o seu trabalho é promover a saúde, a longevidade e a qualidade de vida.

O médico não tem que viver de consultas seriadas do mesmo paciente. Nós temos que ser facilitadores e não tornar nossos pacientes reféns de nós mesmos.

Os 4 cavaleiros do apocalipse da saúde.

Além de falar sobre os pontos relacionados ao futuro da medicina, Schestatsky nos apresentou também a alguns que são os grandes vilões da nossa saúde – e a notícia preocupante é que a medicina atual não mira seu canhão neles.

  1. Inflamação. É, é isso mesmo que você está lendo. Os processos inflamatórios, por menores que sejam, são um grande problema para o nosso corpo. O Dr. Pedro descreve inflamações como “fogo correndo pelas nossas veias. Esse fogo causa danos celulares, crônicos. Pequenos naquele dia, mas a longo prazo abrem portas para doenças”.
  2. Glicose. Pois é, o açúcar não é apenas um vilão para quem tem diabetes. Os picos de açúcar que nós temos ao longo dos nossos dias podem ser neurotóxicos. Isso significa que podem afetar o nosso cérebro e, ao longo do tempo, causar danos no órgão.
  3. Estresse oxidativo. Esse é mais difícil de explicar. O Dr. Pedro diz que é uma espécie de acúmulo de fuligem por sedentarismo ou por excesso de atividade física. Em outras palavras, é uma reação celular que pode ativar genes de doenças, como câncer ou depressão.
  4. Redução do telômero curto. É, agora a coisa ficou mais técnica. Para você entender melhor, o telômero é uma estrutura dentro das nossas células que o Dr. Pedro explica como sendo um cadarço de tênis encapado por plástico. Dentro deles, existem sequências de DNA e, conforme esse plástico vai se desgastando, o cadarço vai se esfiapando. É como se nossos genes ficassem expostos e isso causasse “curto-circuitos”. No fim, esse processo pode diminuir nossa expectativa de vida. 

MAP –  A boa notícia.

Se as informações de cima te causaram preocupação, a boa notícia é que o Dr. Pedro Schestatsky também fala em seu livro sobre um novo conceito – também relacionado à medicina do futuro – que tem o poder de evitar a ação dos vilões da nossa saúde. O MAP é como se fosse um estilo de vida focado em 3 eixos: Movimento, Alimentação e Pensamento.

Como a gente falou, uma das causas do estresse oxidativo é o sedentarismo. Isso significa que adotar uma rotina equilibrada com exercícios físicos é um ótimo caminho para evitar esse problema. Isso sem contar todos os outros benefícios que a medicina já associa à movimentação. O Dr. Pedro nos conta que estudos sérios já mostraram que existe uma média de 10.000 passos diários que faz muito bem para nossa saúde – sendo 5.000 considerado o número mínimo para uma vida saudável.

A parte da alimentação também tem um papel fundamental nesse processo de evitar doenças. Inclusive um estudo já constatou que a alimentação mediterrânea é a mais saudável para o corpo humano, o que levou à algumas conclusões de como comer bem: investir bastante em salada, focar em gorduras boas, manter o consumo de carboidratos mais perto do horário do almoço e menos presente nas pontas dos dias, tomar muita água e evitar dormir de barriga cheia (procurando se alimentar pelo menos uma hora antes de deitar).

Por fim, o pensamento é, segundo o Dr. Pedro, a parte mais importante dessa tríade. Ele tem um efeito enorme sobre os “cavaleiros do apocalipse da saúde”. Esse eixo significa, por exemplo, dormir bem, evitar pensamentos tóxicos, manejar bem estresse e manter bons relacionamentos (por exemplo, uma rede de amigos). 

O MAP é uma ferramenta poderosa que precisa ser considerada por médicos e seus pacientes, uma vez que tem o poder de evitar doenças e garantir a longevidade e a qualidade de vida.

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