Diversidade, igualdade e empregabilidade trans

14 outubro, 2020 |

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Co-fundadora do Trans Empregos, o maior projeto voltado para a empregabilidade de profissionais transgêneros, Maite Schneider levou um papo muito importante com a apresentadora e jornalista Izabella Camargo.

Muitas são as dificuldades sociais que as pessoas trans passam na vida. Seja com amigos, família, no trabalho e socialmente. Segundo pesquisas, o Brasil não é um país seguro para pessoas trans e travestis

No episódio do Zencast de hoje, Izabella Camargo conversa com Maite Schneider, mulher trans e uma das fundadoras da TransEmpregos, uma iniciativa que visa apresentar transgêneros a empresas e minimizar os impactos que a falta de informação e preconceito causa na vida dessas pessoas.

Pessoas trans, educação e mercado de trabalho 

Segundo a fala da Maitê neste episódio, a educação não é inclusiva para pessoas trans. O sistema não sabe lidar com as diferenças e diversidade, e isso faz com que homens e mulheres trans, além de não-bináries, sejam excluídos e deixem de estudar. 

Para ela:

Não temos um sistema educacional que saiba lidar com a diversidade.

Porém, antes da exclusão do mercado de trabalho, a pessoa trans passa por mais dois tipos: a familiar, por não aceitarem a transição; e a social, por não entenderem e respeitarem as diferenças (muito presente em escolas, que também pecam por falta de suporte). 

Muitos desses indivíduos acabam desistindo dos estudos por não terem acesso a um sistema educacional inclusivo e, depois disso, por conta da baixa qualificação profissional, não conseguem empregos – ou, quando conseguem, sofrem preconceito no mercado de trabalho.

Maitê também passou por esse tipo de discriminação

Estudava em um colégio em curitiba e todos os meus amiguinhos me colocaram numa rodinha e começaram a me chamar de “mariquinha” e como eu não entendia o que significava a palavra  e vi meus amigos batendo palma, eu comecei a dizer a todos que era a ‘mariquinha do Colégio Bom Jesus’ achando que era super bom, mas só soube que não era quando contei pro meu pai. Depois que ele me explicou, eu não queria ir para a escola, mas tive de voltar. Depois disso, meu pai me colocou no Judô, no Escotismo, e pediu pra imitar o meu irmão se não quisesse mais passar por aquilo.

Ou seja, tantas exclusões ao longo da vida e falta de apoio externo, muitas pessoas trans cometem suicídio. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a Antra, em 2019 foram registrados 12 casos de suicídio de pessoas transgêneras, já em 2020, houve aumento de 34%.

Atualmente, a Transempregos tem parceria com 452 empresas que contam com consultoria em diversidade e inclusão para empregar pessoas trans. 

Segundo Maitê,

Meu trabalho é fazer com que gentes não tenham medo de outras gentes, mas ter mais horizontes que fronteiras.

Diversidade, preconceito e conhecimento 

Comumente, sem saber o que é “cisgênero” e “transgênero”, muitas pessoas ainda não sabem que existem transgêneros. A partir daí, por suposições próprias e por não terem informação, acabam praticando preconceito e transfobia.

Nisso, Maite explica a diferença entre um e outro, confira: 

Pessoas cisgêneras: Aquelas que estão confortáveis com o seu corpo, gênero e os papéis sociais.

Pessoas transgêneras: São aquelas que não se adequam aos papéis sociais que são atrelados a cada gênero, se sentem deslocados e desconfortáveis com o seu corpo e gênero.  E, dentro dessa mesma nomenclatura, existem as pessoas de gênero-fluido, Não-bináries, que transitam entre os gêneros.

Essas relações de gênero, e que tipifica cada gênero, são construções sociais que variam de religião, da família, da sociedade e de culturas.

Diante dessas informações, que para muitos é nova, Maite diz que uma das ações contra o preconceito é perguntar. Segundo ela, uma pessoa pode parecer uma mulher por ser socialmente parecida com uma, mas não é. 

Por isso, é imporante tirar dúvidas, mas com muito respeito. Perguntas que podem ofender, como “você fez mudança de sexo?”, são preconceituosas. Então, evite. 

Para ajudar a entender melhor, no TEDxFloripa, a convidada do Podcast do Zenklub dá 6 dicas de uma trans para uma sociedade cis-hetero-normativa

Assista:

Como uma empresa pode incluir pessoas trans e travestis

Além das dicas acima, Maite passa um recado muito importante para as empresas que querem e precisam se adequar às diferenças: 

  • No LinkedIn, é importante que os gestores e líderes de RH sigam minorias, como trans, não-brancos e pessoas com deficiência, para entenderem melhor suas demandas;
  • Comece a mudança nas suas atitudes;
  • Analise se você é inclusivo no dia a dia; 
  • Busque realmente ter empatia e não apenas inserir pessoas para que a empresa seja bem vista;
  • Contrate com a visão além do “cumprir metas”;
  • Fale sobre diversidade o ano todo não somente em datas comerciais;
  • Pratique a mudança que você quer ver;
  • Ouça as pessoas transgêneras dentro da empresa. Se estiver bom só para um lado, a inclusão está incompleta.

Empresa humanizada só vai ser potente se o somatório dos seus indivíduos são potentes.

Gostou da informações? Aprenda muito mais sobre inclusão, diversidade e empregabilidade trans ouvindo o episódio completo com a convidada Maite Schneider. Dê o play!

E lembre-se: informação é a chave para quebrar preconceitos.

Convidado

Maite Schneider

Fundadora da Trans Empregos e consultora de Inclusão & Diversidade, Maite é um grande nome do empreendedorismo no Brasil. Também é Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora, TEDx Speaker e Top Voice no LinkedIn.

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