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Ansiedade: sintomas, causas e tratamentos

Escrito por Rui Brandao | 03/12/2024

A ansiedade é uma reação natural do corpo diante de pressão, situações de perigo ou insegurança. Contudo, quando os sinais são intensos, frequentes e começam a afetar as atividades diárias, ela pode sugerir um transtorno de ansiedade.

Neste artigo, entenda quais são os sintomas de ansiedade, principais tipos e como controlar o transtorno e recuperar a qualidade de vida. Leia o nosso artigo!

O que é ansiedade e quando ela se torna um transtorno?

A ansiedade é um sentimento natural diante de pressão, situações de perigo, expectativa ou incerteza, podendo causar medo, tensão, preocupação e nervosismo, a fim de preparar o corpo para lidar com eventuais obstáculos.

Em boa parte dos casos, a ansiedade pode ser uma reação normal diante de alguma situação, como entrevista de emprego, prova importante ou uma mudança relevante na vida.

Contudo, ela começa a indicar ansiedade patológica quando os sintomas passam a ser intensos, frequentes e geram um impacto funcional, prejudicando o cotidiano, o trabalho, os estudos, os relacionamentos e até a saúde física.

Qual a diferença entre ansiedade e medo?

Tanto o medo quanto a ansiedade são sentimentos comuns e costumam ser confundidos, mas eles não são a mesma coisa.

Além disso, quando ambas emoções se tornam excessivas e passam a comprometer a rotina, podem evoluir para fobias e transtornos de ansiedade.

Entenda a seguir a diferença entre ansiedade e medo:

Aspecto

Ansiedade

Medo

Fator desencadeante

Preocupações com situações hipotéticas ou futuras

Ameaça presente e real ou perigo

Duração

Pode ser persistente e durar por um longo tempo

Costuma ser pontual e passageiro

Resposta do corpo

Preocupação excessiva, tensão constante, irritabilidade e insônia

Reação imediata de fuga ou luta, como aumento dos batimentos cardíacos

Exemplo

Sofrer antecipadamente dias antes de uma prova importante

Assustar-se ao quase bater o carro no trânsito

Principais sintomas de ansiedade (físicos e emocionais)

Os sintomas de ansiedade podem variar entre sinais físicos e emocionais, surgindo de maneira leve ou intensa dependendo da duração, frequência e gravidade do quadro.

Veja a seguir os principais sinais de ansiedade:

Sinais emocionais:

  • Irritabilidade;
  • Nervosismo;
  • Preocupação excessiva;
  • Medo constante;
  • Dificuldade de concentração;
  • Desequilíbrio dos pensamentos;
  • Sensação de que algo ruim vai acontecer;
  • Despersonalização;
  • Desrealização).

Sinais físicos:

  • Respiração ofegante e falta de ar;
  • Palpitações e dores no peito;
  • Suor frio
  • Fala acelerada;
  • Insônia;
  • Tensão muscular;
  • Tontura e sensação de desmaio;
  • Enjoo e vômitos;
  • Enxaquecas;
  • Boca seca.

Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?

Durante uma crise de ansiedade, os sintomas podem surgir repentinamente e de maneira intensa, diferente da ansiedade frequente do dia a dia.

De modo geral, a crise atinge seu pico entre 10 e 20 minutos, provocando medo intenso e uma forte sensação de perda de controle. Os sinais mais comuns incluem

  • Palpitações intensas;
  • Falta de ar;
  • Sensação de sufocamento;
  • Tremores;
  • Tontura e sensação de desmaio;
  • Aperto ou dor no peito;
  • Sensação de morte iminente.

Embora os sintomas sejam assustadores, a crise de ansiedade normalmente não representa risco físico imediato. Mesmo assim, quando elas se tornam frequentes ou comprometem a rotina, é importante buscar apoio profissional.

O que é uma crise de ansiedade e como identificar

A crise de ansiedade é caracterizada por um episódio repentino de angústia, medo intenso e desconforto emocional e físico. Os sintomas podem aparecer rapidamente e alcançar o pico entre 10 e 20 minutos, mas o mal-estar tende a durar mais tempo.

Os sinais de alerta incluem:

  • falta de ar;
  • tremores;coração acelerado;
  • suor excessivo;
  • sensação de perda de controle;
  • medo de que algo ruim ocorra;
  • despersonalização e desrealização.

Embora muitas pessoas confundam esses episódios com ataques de pânico, a crise de ansiedade normalmente está relacionada a gatilhos ou preocupações já conhecidas.

O ataque de pânico costuma surgir de forma inesperada e com sinais mais intensos, como sensação de morte iminente

Ansiedade é perigosa? Quando se preocupar

A ansiedade não representa risco físico imediato, mas quando os sintomas são recorrentes e intensos podem comprometer significativamente a qualidade de vida.

Alguns sinais indicam a necessidade de buscar ajuda profissional incluem:

  • Ansiedade constante e crises frequentes;
  • Problemas no sono;
  • Irritabilidade intensa;
  • Desgaste emocional;
  • Dificuldade para estudar ou trabalhar;
  • Prejuízos nos relacionamentos;
  • Isolamento social.

Quando não tratada adequadamente, a ansiedade tende a elevar o risco de desenvolver outros transtornos emocionais, como depressão, burnout e síndrome do pânico.

Por isso, reconhecer os sinais precocemente é essencial para o diagnóstico e o tratamento adequado.

Quais são as principais causas da ansiedade?

A ansiedade pode envolver uma série de fatores, incluindo questões biológicas, psicológicas e ambientais. Dependendo do caso, ela pode surgir pela combinação de várias causas. Entenda:

Causas biológicas

  • Alterações nos neurotransmissores cerebrais;
  • Histórico familiar de transtornos de ansiedade;
  • Maior predisposição genética;
  • Condições hormonais e maior prevalência em mulheres.

Causas psicológicas

  • Baixa autoestima e insegurança;
  • Personalidade mais ansiosa ou perfeccionista;
  • Traumas e abusos;
  • Pensamentos excessivamente negativos.

Causas ambientais

  • Pressão social e cobranças constantes;
  • Rotina acelerada e sobrecarga emocional;
  • Trabalho excessivamente estressante;
  • Problemas financeiros ou familiares.

Tipos de transtornos de ansiedade (explicação completa)

Existem diferentes tipos de transtornos de ansiedade, cada um possui sintomas, características e impactos específicos na saúde mental e no dia a dia das pessoas.

Entre os principais estão Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT),o Transtorno do Pânico e a Fobia Social.

Entenda a seguir cada um deles:

Transtorno de ansiedade generalizada

O Transtorno de Ansiedade generalizada (TAG) é um dos tipos de ansiedade mais comuns e é caracterizado pela combinação de uma preocupação excessiva com o estresse recorrente.

Ou seja, a ansiedade passa a interferir na rotina com sintomas físicos e emocionais.

Transtorno do pânico

A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises intensas e inesperadas. Essa síndrome está muito relacionada aos sentimentos de medo e desespero diante de situações do futuro.

Nesse caso, a pessoa sente uma sensação forte de que está prestes a morrer e perdendo o controle. Além disso, a sensação pode ser descrita como um ataque do coração, mesmo que não haja um verdadeiro sinal de perigo.

Fobia social

A fobia social, ou ansiedade social, é um transtorno ligado ao medo da interação social. Ou seja, essa ansiedade afeta as pessoas de modo que elas tendem a se isolar por medo do julgamento ou contato social.

Além disso, há também outros tipos de fobia, como a claustrofobia, medo de locais fechados, agorafobia, medo de ficar sozinho em locais públicos, aracnofobia, medo de aranhas, tripofobia, medo de buracos, que também fazem parte desses transtornos.

No entanto, esses são referentes a objetos, situações e pessoas.

Transtorno obsessivo-compulsivo

O Transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC é um distúrbio psiquiátrico. Nesse caso, é o medo de perder o controle ou ser responsável por algo terrível para si ou para os outros, como a culpa, além de envolver compulsões e obsessões.

Além disso, é caracterizado por movimentos repetitivos e comportamentos compulsivos.

Transtorno de estresse pós-traumático

O Transtorno de estresse pós-traumático ou TEPT é causado por um trauma ou evento terrível. Ou seja, a pessoa passa por momentos de confusão e medo, recordando os mesmos sentimentos que sentiu durante uma situação que foi traumática e o atingiu.

Como é feito o diagnóstico da ansiedade?

O diagnóstico da ansiedade deve ser conduzido por um profissional de saúde mental, como psicólogo ou psiquiatra, a partir de uma avaliação detalhada dos sintomas, intensidade, frequência e impacto nas atividades diárias.

Além da entrevista clínica, podem ser adotados questionários e escalas de apoio, como o BAI (Inventário de Ansiedade de Beck) e GAD-7.

Contudo, é importante esclarecer que esses testes não substituem a avaliação profissional, servindo somente como instrumentos auxiliares.

Como há diferentes tipos de transtornos de ansiedade, cada caso deve ser avaliado de forma individual para que o tratamento seja adequado.

Como controlar a ansiedade no dia a dia?

Além do suporte profissional, algumas mudanças de hábitos podem ajudar na redução das crises e no controle da ansiedade. Confira as principais estratégias:

  • Respiração diafragmática: respire profundamente para desacelerar o corpo e aliviar os sintomas físicos da ansiedade. Inspire devagar pelo nariz, expanda o abdômen e solte lentamente pela boca.
  • Exercícios físicos regulares: mantenha uma rotina de atividades físicas, pois contribui com a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, além de diminuir a tensão e o estresse do dia a dia.
  • Organização da rotina: mantenha horários organizados para as atividades diárias, evitando a sobrecarga de tarefas e reduzindo a preocupação e a sensação frequente de urgência.
  • Técnicas de grounding e mindfulness : exercícios de atenção plena permitem que você se concentre no momento presente, reduzindo pensamentos antecipatórios.
  • Sono adequado: criar uma rotina noturna tranquila e diminuir o uso de telas antes de dormir pode proporcionar um sono de qualidade.
  • Limitar cafeína e álcool: evite consumir essas substâncias que podem intensificar sintomas como palpitações, agitação e irritabilidade.
  • Momentos de relaxamento: ouvir músicas relaxantes e fazer pausas ao longo do dia ajudam a reduzir o estresse e manter o equilíbrio emocional.

Como prevenir crises de ansiedade?

Prevenir crises de ansiedade exige primeiramente a identificação dos gatilhos emocionais e a adoção de hábitos que ajudem a reduzir a sobrecarga mental e o estresse antes que os sintomas se tornem intensos e frequentes.

Alguns cuidados preventivos incluem:

  • Reconhecer situações que desencadeiam a ansiedade;
  • Manter uma rotina diária de autocuidado;
  • Incluir técnicas de relaxamento no dia a dia;
  • Manter um sono adequado com horários organizados;
  • praticar atividades físicas regularmente;
  • Evitar excesso de álcool, cafeína e estimulantes;
  • Manter acompanhamento profissional.

Diferente do manejo da crise, que visa o alívio dos sintomas em momentos em que eles surgem, a prevenção busca reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Ansiedade em crianças e adolescentes: sinais de alerta

A ansiedade em crianças e adolescentes costuma se manifestar de maneira diferente dos adultos. Normalmente, os sintomas surgem por meio de mudanças de comportamento, queixas físicas recorrentes e dificuldades escolares.

Entre os sinais de alerta, destacam-se:

  • Irritabilidade frequente;
  • Recusa de frequentar as aulas;
  • Dificuldade para se separar dos pais;
  • Mudanças no padrão de sono;
  • Medo excessivo;
  • Dores de cabeça e dores de barriga frequentes;
  • Isolamento social;
  • Comportamento regressivo.

Quando os sintomas começam a comprometer a rotina, o desempenho escolar, as relações ou provocar sofrimento emocional persistente, os pais devem procurar acompanhamento profissional especializado.

O apoio psicológico precoce ajuda a identificar os gatilhos emocionais e contribui para o desenvolvimento saudável da criança ou adolescente.

Quando procurar ajuda profissional para ansiedade?

Busque ajuda profissional quando os sintomas de ansiedade deixam de ser pontuais e passam a provocar sofrimento contínuo e a comprometer atividades do cotidiano.

Alguns sinais de alerta são os seguintes:

  • Crises constantes de ansiedade;
  • Pensamentos autodestrutivos;
  • Desgaste emocional e insônia frequente;
  • Crises persistentes por mais de 6 meses;
  • Sensação de perda de controle;
  • Tentativas de autocontrole que não funcionam;
  • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter relacionamentos.

Tratamentos para ansiedade: terapia, medicamentos e alternativas

O tratamento da ansiedade normalmente envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo cuidados emocionais, mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico.

Essa definição da conduta mais adequada varia conforme a intensidade dos sintomas, a frequência das crises e o impacto na rotina. Entre eles estão a terapia, uso de medicamentos e abordagens alternativas. Confira:

Psicoterapia

  • Psicanálise freudiana: baseada nos pensamentos de Freud e no autoconhecimento. Além disso, foca no inconsciente para trazer os problemas para o consciente. É bastante utilizada em casos de ansiedade, pois ela busca na raiz dos pensamentos qual é o gatilho desse transtorno.
  • Psicanálise lacaniana: tem como foco a linguagem. Ou seja, parte dela para chegar à essência do que somos, ao nosso ser.
  • Psicanálise junguiana: Busca o autoconhecimento e procura reconhecer o que temos como essência. Ou seja, o tratamento é feito por símbolos, utilizando os sonhos e imagens oníricas.
  • Gestalt: trabalha a pessoa e as suas relações no ambiente em que ela vive, levando ela a se tornar o observador da sua própria existência para enfim conseguir enxergar o todo. É também considerada uma terapia holística, ou seja, ela procura ver o todo.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): trabalha com foco em problemas específicos, como traumas e fobias.

Além disso, se quiser saber mais sobre esses tipos de terapia, confira nosso post completo sobre isso.

Medicamentos

  • Ansiolíticos: ajudam a amenizar os sintomas, mas não trabalham a causa do problema. Os ansiolíticos agem de muitas formas e isso está ligado com a atuação no sistema de neurotransmissão. Além disso, muitos desses remédios aliviam sintomas físicos em fases mais graves da doença e os níveis de hiperatividade cerebral.
  • Antidepressivos: não causam tanta dependência no paciente e possuem uma forma de tratar mais amena, sem grandes riscos. Por isso, os mais indicados são os antidepressivos que atuam na serotonina.
  • Antipsicóticos: podem ser muito bons no tratamento em momentos mais críticos, e assim como os ansiolíticos, não tratam a causa do problema, apenas aliviam sintomas emocionais e físicos.

Além disso, não se preocupe caso esses nomes pareçam difíceis à primeira vista. A melhor indicação será mesmo de um especialista no assunto. Por isso, você deve conversar com um psicólogo online e descobrir qual o melhor caminho a seguir.

Terapias Complementares

Além da terapia e dos medicamentos, algumas terapias complementares podem contribuir com o controle da ansiedade, como yoga, técnicas de respiração, meditação, mindfulness, musicoterapia, práticas de relaxamento, autocuidado e atividade física.

Essas estratégias ajudam na melhora da qualidade de vida, no equilíbrio emocional e na redução do estresse.

Ansiedade tem cura ou controle?

A ansiedade é uma condição controlável e tratável, embora não exista uma “cura” definitiva no sentido convencional.

Isso porque, cada pessoa responde de maneira diferente aos tratamentos e mudanças de hábitos, conforme a intensidade dos sintomas e do tipo de transtorno.

Com o tratamento adequado, é possível reduzir significativamente os sintomas, prevenir crises e recuperar a qualidade de vida.

Pronto para cuidar da sua saúde mental com apoio profissional?

Os sintomas de ansiedade podem impactar significativamente diferentes áreas da vida. Dessa forma, quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as possibilidades de recuperar o bem-estar e a qualidade de vida.

No Zenklub, você encontra cuidado em saúde mental por meio de sessões com psicólogo online, psicanalistas, terapeutas e psiquiatras, garantindo suporte profissional de forma acessível, segura e prática.

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