A agorafobia é um transtorno de ansiedade em que a pessoa sente um medo intenso de situações das quais seria difícil escapar, ou nas quais seria difícil receber ajuda, caso surgisse uma crise de ansiedade ou de pânico. É uma fobia paradoxal, onde a pessoa pode ter uma crise de ansiedade por pensar na possibilidade de ter uma crise, ou seja, medo do medo.
Ao contrário do que muita gente pensa, não é só “medo de estar em lugares abertos”: o mesmo medo pode aparecer em espaços fechados, em multidões, no transporte público ou até ao sair de casa sozinho.
Por causa disso, a pessoa passa a evitar esses lugares, o que aos poucos encolhe a sua rotina. A agorafobia costuma andar junto da síndrome do pânico, mas a boa notícia é que ela tem tratamento eficaz. Ao longo do texto, você vai entender os sintomas, as causas e os caminhos de tratamento.
Varia de pessoa para pessoa, mas há situações que quem tem agorafobia costuma evitar, por serem gatilhos de crise:
Muitas vezes, o sofrimento começa antes mesmo de a pessoa chegar ao local, só de pensar em ir, com o medo de passar vergonha ou de não saber o que fazer diante dos outros.
Não se conhecem as causas exatas, mas há fatores biológicos e ambientais envolvidos. Entre os principais fatores de risco estão:
O uso crônico e sem acompanhamento de tranquilizantes e remédios para dormir também costuma aparecer associado ao quadro, mais como complicação do que como causa. Um estudo publicado na revista científica Heliyon apontou a agorafobia como um dos fatores associados ao uso prolongado de benzodiazepínicos em pessoas com transtornos de ansiedade. Por isso, esse tipo de medicação deve ser sempre acompanhado por um profissional.
Vale ficar atento aos sinais físicos e psicológicos.
Sintomas físicos: aumento da frequência cardíaca, falta de ar ou hiperventilação, dor ou pressão no peito, tontura, formigamento, suor excessivo, calafrios, náusea e, em casos mais intensos, sensação de desmaio.
Sintomas psicológicos: medo de passar mal, de lugares cheios ou de sair sozinho, ansiedade intensa, baixa autoestima e insegurança diante dessas situações.
Os três se confundem, mas têm focos diferentes. Na agorafobia, o medo é de não conseguir escapar ou ser socorrido se der uma crise. Na síndrome do pânico, o centro é o medo de ter novas crises de pânico, que vêm de repente.
Já na fobia social, o medo é de ser julgado ou passar vergonha diante das outras pessoas. Como eles costumam se sobrepor, só uma avaliação profissional consegue diferenciar com precisão, e essa distinção importa porque orienta o tratamento.
A agorafobia é resultado, muitas vezes, de crises de pânico e de sintomas de ansiedade que não foram tratados. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde mental, que avalia o histórico e os sintomas.
Pelos critérios do DSM-5, fala-se em agorafobia quando há medo ou ansiedade intensos em pelo menos duas de cinco situações típicas (transporte público, espaços abertos, espaços fechados, filas ou multidões e ficar sozinho fora de casa), de forma persistente, por seis meses ou mais, e com prejuízo real na vida.
Parte da avaliação é também descartar outras condições com sintomas parecidos, como o transtorno de estresse pós-traumático.
A boa notícia é que a agorafobia tem tratamento, e ele funciona. O caminho de primeira linha é a psicoterapia, com destaque para a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, dentro dela, a terapia de exposição com prevenção de resposta.
Na prática, o terapeuta ajuda a pessoa a enfrentar as situações temidas aos poucos, de forma gradual e planejada, começando pelas menos assustadoras e avançando no próprio ritmo. Isso ensina o cérebro que o desfecho temido não acontece e que dá para lidar com a ansiedade, reduzindo a evitação que alimenta o problema. É o tratamento mais estudado e o de melhor resultado no longo prazo.
Em alguns casos, a medicação entra como apoio, sempre indicada por um médico. Os antidepressivos do tipo ISRS costumam ser a primeira escolha; já ansiolíticos como os benzodiazepínicos, quando usados, tendem a ser de curto prazo e com cautela, pelo risco de dependência.
Nunca se automedique, especialmente com medicamentos psiquiátricos. Sempre busque a orientação de um psiquiatra e de um psicólogo. Quanto antes o transtorno de pânico e a ansiedade são tratados, menor a chance de a agorafobia se instalar.
A melhor prevenção é o autoconhecimento: perceber cedo os próprios gatilhos e sinais de alerta ajuda a buscar ajuda antes que a evitação excessiva de ambientes de difícil escapatória se transforme em agorafobia.
Desenvolver a inteligência emocional, ou seja, reconhecer e lidar melhor com o que se sente, faz parte desse caminho. Se você percebe que passou a evitar lugares que antes eram tranquilos, ou que a ansiedade tem ficado incontrolável, vale acender o sinal de atenção.
O apoio de amigos e familiares conta muito, mas não substitui o acompanhamento profissional. E se é alguém próximo que está passando por isso e você não sabe como ajudar, procurar orientação de um especialista também é um bom primeiro passo.
Se você se identificou com o que leu, saiba que não precisa lidar com isso sozinho, e que quanto antes começa o tratamento, mais rápido a vida volta ao tamanho de antes. Um bom ponto de partida é a nossa página sobre ansiedade, que traz um teste de triagem (uma adaptação do questionário científico GAD-7). Vale lembrar que esse teste indica o seu nível de ansiedade em geral, mas não substitui o diagnóstico: quem confirma a agorafobia é um profissional.
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