Existe uma famosa pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, na década de 1990, em que se perguntava aos participantes sobre o racismo. Quando perguntadas se conheciam alguma pessoa racista, 90% das pessoas responderam que sim. Porém, quando perguntadas se elas próprias eram racistas, nenhuma se declarava como tal.

Então, afinal, onde estão essas pessoas racistas?

No Brasil, o racismo acontece de forma velada. Ele se infiltra nas instituições, nos lares, nas relações. Através de piadas, brincadeiras, da não colocação no mercado de trabalho, do não reconhecimento de habilidades, de nunca ser a pessoa escolhida para namorar ou ser promovida. 

Na esfera pública, racismo é um ato condenável, e o deve ser mesmo. Mas ele ainda é extremamente permissivo no âmbito da vida privada. Esse racismo estrutural está presente desde a infância do sujeito, e traz muitas repercussões durante todo o restante da vida. Por isso, é importante entender como isso acontece, é preciso falar sobre o racismo e perceber como ele pode afetar a saúde mental da população negra.

Como o racismo afeta a autoestima

A autoestima é o valor que atribuímos a nós mesmos, uma espécie de avaliação subjetiva que fazemos sobre nós. Ela é construída desde a infância, a partir das experiências pessoais e interações com o ambiente em que se vive. 

Pensando nisso, a autoestima da população negra, no Brasil, está atrelada às mensagens que recebem ao longo da vida. A pessoa negra está constantemente recebendo a mensagem de que precisa se adaptar a um padrão dominante, o “tornar-se branco”, pois é isso que dá acesso a ter dignidade. Desde as imagens divulgadas nas mídias, que raramente exaltam a pessoa preta, até a dificuldade/ausência de oportunidades em várias esferas da vida, como afetiva e profissional, a pessoa preta é levada a crer que é inferior e não merece coisas boas. 

Muitas vezes, o negro passa a acreditar que isso é decorrente de suas características pessoais, e não que ele está sendo vítima de todo um sistema que lhe oprime. Na infância, por exemplo, é comum ouvir frases como “Olha esse cabelo ruim, vamos alisar?” direcionadas a crianças negras, e isso é internalizado como o achar-se feia, sentimento que pode ser levado para o resto da vida. 

Isso faz com que essa criança cresça tentando se adequar ao que é dito socialmente como bom e bonito. Até mesmo na vida adulta, no âmbito profissional, frases como “Me desculpe, mas você não tem a ‘cara’ da empresa” faz com que o negro questione suas próprias capacidades profissionais, o que pode lhe afetar profundamente. 

Muitas vezes, situações que envolvem a falta de sucesso nos campos profissional, educacional ou mesmo amorosos podem estar atravessadas pelos mais variados tipos de racismo, e é importante que a sociedade como um todo reconheça e se mobilize com atitudes antirracistas para transformar a sociedade.

Estratégias utilizadas para melhorar a autoestima

  1. Primeiro de tudo, é necessário se informar e ler o máximo possível sobre o tema. Informação é poder, e dar nome às coisas também. Só se pode lutar bem contra aquilo que se conhece, por isso é importante reconhecer e entender que vivemos em uma sociedade racista, e aprender a identificar as pequenas situações cotidianas que podem ser resultado desse sistema opressor.
  2. Observe as pessoas que você segue nas redes sociais; quando buscar referências nas mídias e streamings, priorize conteúdos criados por pessoas negras; leia autores negros que falam sobre racismo.
  3. Questione e reflita sobre os espaços que você frequenta, observe quantas pessoas pretas existem aí, e quais cargos e posições elas ocupam.
  4. Converse sobre o racismo com pessoas próximas, com familiares e amigos, afinal é importante falar sobre o racismo publicamente, mas é igualmente importante fazê-lo também na esfera privada; no caso de crianças, busque apresentar mais histórias e conteúdos que mostrem personagens negros, e não apenas os estereótipos já conhecidos.
  5. Perceba o racismo em si mesmo, isso é crucial! Afinal, se estamos falando de algo que é estrutural em nossa sociedade, é preciso entender que todos nós, de alguma maneira, estamos contribuindo para isso; questione suas próprias atitudes e como você pode estar perpetuando esse sistema, e transforme suas próprias atitudes.

Como a terapia pode te ajudar

O Conselho Federal de Psicologia não ignora que o racismo é motivo de sofrimento psíquico e, desde 2002, lançou uma resolução que estabelece normas para a atuação do profissional de psicologia frente à discriminação racial e ao preconceito. Tal resolução diz, dentre outras coisas, que:

Os psicólogos devem atuar para promover a reflexão sobre o preconceito e a eliminação do racismo, além de não serem coniventes ou omissos perante o crime do racismo. 

É necessário que o psicólogo compreenda as relações raciais que existem na sociedade, e que muitas vezes o sofrimento das pessoas negras não necessariamente está originado na esfera pessoal (embora reverbere nesse campo), mas está sendo produzido e mantido através do sistema racial em que elas vivem.

A terapia pode ajudar justamente no fortalecimento de sua autoestima, e cuidado com a sua saúde emocional para que assim você consiga lidar com as situações ao seu redor com mais confiança e reconhecimento de quem você é no mundo.

Eu posso te ajudar

Eu posso te ajudar a entender os seus sentimentos e preocupações. Você pode conversar comigo sobre insegurança, carreira/trabalho, ansiedade, autoconhecimento, autoestima e depressão.

Vem comigo nessa jornada rumo ao autoconhecimento!

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Publicado por:

Monique Luz

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Monique Luz

Olá, me chamo Monique Luz, sou psicóloga há 5 anos, e escolhi essa profissão por acreditar que podemos promover mudança em nós e no mundo a partir do autoconhecimento e do cuidado ao outro. Reconheço a importância e o valor da terapia, que me ajudou muito a crescer como pessoa e profissional. Sou especialista em Psicoterapia Junguiana, e escolhi tal área por estar mais próxima dos meus ideais. CRP: 03/12039.