Em tempos de pandemia, no qual vivemos um grande distanciamento social, algo pode preocupar os pais e ou responsáveis: os jogos online entre as crianças e adolescentes, bem como o tempo e o conteúdo da prática.

Por isso, se você convive com crianças e adolescentes, é pai, mãe e ou responsável, tire um tempo para refletir sobre este assunto tão atual e importante para a saúde emocional dos nossos pequenos.

Jogos online são saudáveis?

Essa pergunta é muito comum entre responsáveis. Mas, neste texto, eu vou levantar alguns outros questionamentos interessantes que vão te fazer pensar sobre o assunto.

  • Qual seria o tempo de uso saudável meu filho se dedicar aos jogos online?
  • Meu filho/minha filha tem deixado as atividades escolares de lado para jogar com os amigos e amigas?
  • Os jogos online podem trazer dependência?
  • Os conteúdos dos games podem trazer uma influência negativa para a formação das crianças e dos jovens?

Na busca por responder essas questões, usei como referência os estudos e pesquisas coordenados por Evelise Fortin, psicóloga e professora na PUCSP, sobre o tema e que tem impactado muitos jovens bem como suas famílias.

Jogos online e brincadeiras ao ar livre

Quem não se recorda das brincadeiras ao ar livre? Da amarelinha, pique bandeira, esconde-esconde, dentre tantos outros presentes da nossa infância? Tem também as partidas de futebol, basquete, vôlei de praia, bocha, além de tantas modalidades presentes em diversas faixas etárias, que, de alguma maneira, nos apontam que os jogos são como atividades essenciais e que agregam diversos valores tais como:

  • Entretenimento;
  • Interação;
  • Desempenho de diferentes papeis;
  • Exercício de diversas habilidades – emocionais e físicas, dentre outros.

Interação, convívio e identidade

Somos seres totalmente sociais. Precisamos de interação, convívio e do outro para que possamos nos diferenciar, nos espelhar e delinear nossa identidade, ideias e opiniões.

Os adolescentes em especial vão construindo sua identidade e modo de ser convivendo diariamente com seus pares. Eles observam outras maneiras de se comportar e valores que permeiam as relações, muitas vezes diferentes daqueles adotadas por sua família.

Além disso, o convívio oferecido pelos jogos configura-se também como uma maneira de se estabelecer interações, de exercitar diferentes papéis e desenvolver diversas habilidades.

Por fim, podemos observar a construção de uma cultura gamer com linguagem e valores característicos de seus usuários e presentes em diversas camadas sociais. O convívio e a interação online são uma realidade.

Pandemia, as restrições na convivência e os jogos online

Se por um lado considerarmos a importância das interações sociais para os adolescentes e os jovens, precisamos reconhecer que a pandemia trouxe restrições e muito impacto ao diminuir a convivência física.

Ou seja, podemos refletir se a prática dos jogos, neste exato momento, não responde a essa necessidade de interação tão afetada pelo isolamento social.

Além disso, para avançarmos em nossa reflexão e podermos entender melhor, vale a pena nos perguntar se não construímos, diante dos jogos digitais, uma visão muitas vezes parcial e carregada de preconceitos.

Por outro lado, os sinais vão nos apontando que esse universo virtual é uma realidade contemporânea que tem se ampliado intensamente.

Impulsionados pelo isolamento social que a pandemia nos proporcionou, as comunicações virtuais foram ganhando cada vez mais espaço nas interações humanas, especialmente entre crianças e adolescentes.

E isso tornou-se um modo possível de comunicação e de convivência frente ao isolamento físico tão extenso e dramático.

O universo dos jogos online

Aprofundando nossa compreensão a respeito do universo dos jogos online, nos deparamos com diversas modalidades e com um universo amplo em que os games estão presentes.

Os jogos online fazem parte da vida de muitas  pessoas, agregam valores, amigos e consolidam o pertencimento a uma cultura “gamer”.

Se muitas vezes identificamos os jogos como ferramenta que espalha a cultura da violência, ou de um comportamento de dependência, seria interessante ampliarmos nossa visão sobre este universo.

Ou seja, seguindo esse pensamento, identificamos diversas modalidades de games além dos conhecidos jogos de entretenimento. Alguns de cunho educativo, colocam o participante como protagonista de uma situação exercitando a reflexão e a atuação de diferentes papéis.

Podem também situar um momento histórico e trazer ao jogador uma reflexão sobre escolhas e consequências. Além disso, outros jogos associam-se diretamente à literatura, trazendo para o universo virtual as tramas relatadas nos livros e estabelecendo um diálogo estimulante e ativo com o participante. 

Além disso, podemos encontrar jogos que possuem o foco na saúde física e saúde mental, ou ainda games que favorecem o exercício de habilidades e competências profissionais, dentre tantas outras modalidades.

E como a família convive com o fenômeno dos jogos online?

É bastante provável que muitos dos familiares sejam ou foram jogadores. Uma certa intimidade com esse universo talvez seja mais disponível para alguns.

Além disso, preocupações intensificadas pela pandemia têm trazido muitas dúvidas a respeito dos jogos online. Especialmente quando se observa que as crianças, os adolescentes ou mesmo os jovens, têm preferido a realidade virtual.

Então, cabe aos adultos que acompanham as crianças e os adolescentes, um olhar atento sobre o tempo perdido nos jogos, sobre a realização e disposição para realizar outras atividades, bem como o surgimento de sintomas físicos.

Entretanto, estabelecer um diálogo sobre os jogos parece ser uma estratégia mais formadora e educativa.

Por fim, aprender a jogar, conhecer os games, inteirar-se desse universo, observar a criança ou o jovem no momento do jogo e dar momentos em que ocorra a reflexão sobre os valores da família, parece ser o melhor caminho.

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Publicado por:

Isabel Vieira

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Isabel Vieira

Psicóloga formada pela PUCSP. Tem formação em psicodrama e realizou cursos de expansão na área de Neurociências, Uso responsável da Internet e Família na Contemporaneidade, dentre outros. Além da atividade clínica trabalhou como coordenadora Educacional e Pedagógica em diversas instituições escolares, atendendo crianças, adolescentes e familiares. CRP: 06/17223