A clozapina é um fármaco muito importante, uma vez que é um antipsicótico atípico cujo uso se dá em casos refratários ao tratamento com outros medicamentos da classe.
Ou seja, em caso de não haver sucesso com outras medicações neurolépticas (por exemplo, risperidona), pode-se encontrar bons resultados com o uso da clozapina.
No entanto, a clozapina é um remédio com o potencial de causar efeitos colaterais sérios que podem matar. Por isso, é essencial ter um acompanhamento psiquiátrico atento durante o tratamento.
O nome de referência da clozapina é o Leponex®, fabricado pela indústria farmacêutica Novartis. Também há a opção do Pinazan® cujo fabricante é a Cristália.
Embora no Brasil não haja muitos nomes comerciais do medicamento, dispõe-se da versão genérica da clozapina, a qual é mais barata que os nomes comerciais.
Para saber mais sobre a clozapina, continue conosco!
A clozapina serve para tratar transtornos psicóticos que são condições em que a pessoa distorce em maior ou menor grau a realidade.
O principal transtorno psicótico que a clozapina trata é a esquizofrenia. No entanto, há outras questões para as quais ela pode ser usada, entre elas:
Em todos os casos, o tratamento com a clozapina acontece só quando já houve falha com alguma outra medicação.
A clozapina, por ser um antipsicótico, tem ação principalmente no bloqueio dos receptores do neurotransmissor dopamina, em especial os receptores D2.
Em comparação com os antipsicóticos típicos (também conhecidos como tradicionais), o bloqueio dopaminérgico feito pelos fármacos da classe dos atípicos não é tão intenso.
No entanto, a clozapina tem efeitos terapêuticos significativos, uma vez que age não só bloqueando a dopamina, mas também os receptores de outros neurotransmissores, entre eles:
A clozapina é um fármaco geralmente usado em casos graves de transtornos psicóticos.
Isto é, esse remédio, devido ao seu perfil de efeitos colaterais (que pode matar, sobretudo se não tiverem o acompanhamento atento), não é, na maioria das vezes, a 1ª escolha terapêutica.
No entanto, as doenças para que a clozapina serve, são principalmente as seguintes:
Trata-se de um transtorno com 9 subtipos classificados pelo Código de Doenças CID-10.
De fato, a maior parte dos casos de esquizofrenia responde bem ao tratamento com outros antipsicóticos como, por exemplo:
No entanto, há casos em que tais medicações não funcionam e é necessário recorrer a uma outra alternativa.
Assim, a clozapina geralmente é prescrita após a falha terapêutica com 2 outros antipsicóticos ou quando um deles gera efeitos colaterais de discinesia tardia (posições estáticas involuntárias de partes do corpo após meses de uso do fármaco).
Esse transtorno é uma condição grave e de diagnóstico complexo, uma vez que mistura sintomas de esquizofrenia com os de transtorno afetivo bipolar.
Principalmente nos casos de transtorno esquizoafetivo em que há ideação ou tentativas prévias de suicídio, pode-se lançar mão da clozapina para tratar a condição.
Da mesma forma, tal abordagem pode ser feita em casos de marcante ideação suicida em pacientes com esquizofrenia (mesmo se não tiverem sido usadas outras medicações).
A Doença de Parkinson é marcadamente conhecida por seus sinais e sintomas diagnósticos, que são:
No entanto, essa doença também pode causar sinais e sintomas de natureza:
Em caso de falha no tratamento desses aspectos do quadro de Parkinson, pode-se lançar mão da clozapina.
Leia também: Ziprazidona: o que você precisa saber sobre esse medicamento.
As contraindicações que constam na bula na clozapina são as seguintes:
O risco da clozapina na gravidez é B, ou seja, não há estudos adequados em mulheres (em experimentos animais não foram encontrados riscos).
Espera-se que, cerca de duas semanas após o início do tratamento com clozapina, os sintomas psicóticos diminuam e, por tabela, a qualidade de vida do paciente melhore.
No entanto, os efeitos só surgem com a consistência do tratamento e por meio da monitorização com hemogramas semanais para constatar a segurança do uso do remédio.
Além dos efeitos terapêuticos, a bula da clozapina relata que ela pode causar:
Por isso, é crucial seguir todas as orientações médicas a respeito dos exames.
Há alguns efeitos colaterais da clozapina que são perigosos e, se não identificados precocemente, podem levar à morte.
Vejamos alguns deles e, posteriormente, uma tabela com os efeitos colaterais da clozapina classificados de acordo com a incidência:
A clozapina pode produzir agranulocitose (diminuição do número de polimorfonucleares, células de defesa do sangue) que por sua vez pode causar infecções letais (por exemplo, miocardite).
Por esse motivo, é essencial realizar o controle através do hemograma para verificar a contagem de glóbulos brancos.
Assim, em caso de detecção da agranulocitose, o tratamento deve ser suspenso.
De acordo com a bula da clozapina, recomenda-se que a frequência da contagem de glóbulos brancos seja semanal nos seis primeiros meses de tratamento e quinzenal após esses seis primeiros meses.
O aumento da pressão se dá por conta do mecanismo de ação da clozapina envolver neurotransmissores que aumentam a resistência dos vasos sanguíneos.
Isso faz com que tanto a pressão sistólica (de contração do coração) quanto a diastólica (de relaxamento do coração) aumentem.
Tal hipertensão geralmente está associada com o aumento de peso.
Pode-se também apresentar o aumento de lipídios no sangue, sintoma este que contempla um dos critérios para o quadro chamado de Síndrome metabólica.
Na sequência, fizemos uma tabela com os efeitos colaterais que constam na bula da clozapina de acordo com a seguinte frequência:
Muito comuns | Comuns | Incomuns | Raras | Muito raras |
Sonolência;Tonturas; Constipação;Aumento da produção de saliva. | Aumento de peso; Fala arrastada; Movimentos anormais, incapacidade de iniciar o movimento, incapacidade de permanecer imóvel, sentimento interior de inquietação, membros rígidos, mãos trêmulas; Agitação/tremor; Rigidez muscular; Dor de cabeça; Visão turva, dificuldade para ler; Alterações no eletrocardiograma; Tontura ao levantar-se, devido à diminuição da pressão arterial; Pressão arterial alta; Náuseas, vômitos, boca seca; Aumento das enzimas hepáticas; Problemas de passagem ou retenção de urina; Febre; Cansaço. | Gagueira ao falar | Sede excessiva, boca seca, e eliminação de grande quantidade de urina podem ser sinais deaumento do nível de açúcar no sangue (diabetes). Se você apresentar um destes sintomas,informe seu médico imediatamente, pois a clozapina pode causar ou piorar a diabetes.Confusão; Batimento cardíaco irregular; Difi culdade de deglutição; Aumento das enzimas musculares. | Colesterol alto; Ácidos graxos elevados no sangue; Movimento involuntário sempropósito como caretas, estalar dos lábios, piscar rápido dos olhos; Pensamentos obsessivos e comportamentos repetitivos compulsivos; Inchaço das glândulas nas bochechas;Reações de pele. |
Assim como qualquer medicação psicotrópica, podem existir interações de outros fármacos com a clozapina.
É importante sempre informar ao médico se estiver tomando ou tiver tomado recentemente outros medicamentos.
Lembre-se daqueles não prescritos por um médico como suplementos ou fitoterápicos, pois eles também podem interferir no tratamento.
De forma básica, essas interações podem causar 3 efeitos:
Vejamos algumas interações possíveis de fármacos com a clozapina:
O uso concomitante de anticoncepcionais orais com a clozapina pode causar perda da eficácia contraceptiva.
Nesses casos é importante orientar o paciente que use os meios para evitar uma gravidez indesejada, entre eles a camisinha.
O uso concomitante de lítio ou outros fármacos psicoativos pode aumentar o risco de desenvolvimento de síndrome neuroléptica maligna (SNM).
Trata-se de uma urgência médica (20% de mortalidade) caracterizada por:
Em caso de apresentação desses sintomas é preciso buscar ajuda médica o mais rápido possível a fim de realizar o tratamento que envolve:
Há vários outros medicamentos que podem interferir no tratamento, entre eles:
Além das interações acima relatadas, existem substâncias não farmacológicas que podem afetar no efeito da clozapina, em especial:
É de suma importância informar o médico sobre qualquer alteração dos hábitos alimentares, sobretudo relacionado ao consumo dessas substâncias.
Assim como os demais antipsicóticos, a clozapina não gera dependência química.
Embora não haja tolerância (ser necessárias doses cada vez maiores para obtenção dos mesmos resultados), o paciente pode apresentar sintomas de retirada em casos de cessação abrupta do uso do fármaco, entre eles:
Por ser uma medicação cuja gama de efeitos colaterais pode matar, é crucial seguir à risca todos os cuidados para o uso seguro da clozapina, entre eles:
Nunca deve-se interromper o tratamento por conta própria.
O médico decidirá por interromper o tratamento em caso da apresentação de efeitos colaterais como, por exemplo:
Assim que for decidido interromper o tratamento, deve-se realizar o desmame que consiste em diminuir a dose a cada uma ou duas semanas até a cessação completa.
Em casos nos quais o uso de clozapina foi bem sucedido, pode-se fazer o uso por tempo indeterminado do fármaco, sempre seguindo as orientações médicas.
Como a clozapina é geralmente usada após a falha terapêutica com outros fármacos, em caso de insucesso com ela pode-se recorrer à eletroconvulsoterapia (ECT) para tratar os casos de transtornos psicóticos.
Em alguns pacientes pode ser necessário o uso de doses mais elevadas para se obter benefício terapêutico integral, sendo que, nesses casos, aumentos ponderados (não excedendo 100 mg por vez) são permissíveis, até o limite máximo de 900 mg/dia. Entretanto deve-se considerar a possibilidade do aumento de reações adversas (principalmente convulsões) com doses superiores a 450 mg/dia.
A clozapina pode interferir no metabolismo, aumentando as chances de ganho ponderal (mais do que outros fármacos antipsicóticos como, por exemplo, a olanzapina e risperidona). Por isso, é muito importante ter uma alimentação balanceada recomendada por nutricionista e realizar a prática regular de atividades físicas.
A clozapina é um antipsicótico atípico cujo uso se dá em casos de transtornos psicóticos (notadamente a esquizofrenia) refratários a outros fármacos.
Embora o tratamento medicamentoso seja parte crucial para a melhora da qualidade do paciente com transtornos como esquizofrenia e outras condições psicóticas, é também imprescindível realizar acompanhamento psicológico.
Afinal, é por meio da terapia que se oferece ferramentas ao paciente para que ele compreenda melhor a si próprio e as circunstâncias que o cercam.
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1) https://www.cristalia.com.br/arquivos_medicamentos/147/Pinazan.pdf
2) https://consultaremedios.com.br/clozapina/bula
3) https://www.medicinanet.com.br/conteudos/medicamentos/614/clozapina.htm