A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma prática que promove o conhecimento de que você pode se comunicar de uma maneira mais compassiva, que estimula a conciliação entre as pessoas, demonstrando que uma comunicação efetiva é sobre expressar necessidades e emoções humanas universais como ferramenta principal.

Mesmo quando conseguimos nos comunicar de maneira clara, empática e serena, pode ser que encontremos pelo caminho pessoas resistentes. Nem sempre conseguimos iniciar uma conversa com tranquilidade e interesse no ponto de vista do outro. Em outros momentos, tendemos a dizer o que queremos por meio de indiretas. 

Quando se sente orgulhosa de si, por exemplo, a mensagem que ela passa é de que suas necessidades de crescimento ou expressão autêntica foram atendidas. Entender essas necessidades possibilita fazer os pedidos adequados, estabelecendo uma comunicação muito superior e relacionamentos mais fortes.

A ORIGEM DA METODOLOGIA CNV

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma metodologia comunicacional desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais. Segundo ele: 

“A CNV começa por assumir que somos todos compassivo por natureza e que estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas ensinadas e apoiadas pela cultura dominante. Ela também assume que todos compartilham o mesmo, necessidades humanas básicas, e que cada uma de nossas ações são uma estratégia para atender a uma ou mais dessas necessidades.”

Este método surgiu para jogar luz à forma como as pessoas se expressam no dia a dia, seja na vida pessoal quanto na profissional e que, muitas vezes, passa despercebido. O objetivo principal é buscar pacificação em conflitos que são travados no dia a dia.

EM CNV, O QUE É A “VIOLÊNCIA”?

Quando você invade um espaço emocional da pessoa, a interrompe indevidamente, não escuta, quer dizer algo por ela ou insinua que ela disse algo – mesmo que não tenha dito –  também é um tipo de violência.

Mas, apesar disso, a comunicação não-violenta não pode evitar conflitos pois eles são parte natural dos relacionamentos sociais. Os conflitos precisam existir para a partir dele criarmos novas formas de pensar, além de exercitar nosso poder de mediá-los também. Segundo Dominic Barker, inglês que promove a CNV no Brasil com grupos de estudo desde 2003: 

“Conflito serve como uma função social porque ele dá um retorno para as pessoas envolvidas ou conectadas em qualquer relacionamento que alguma coisa nesse acordo tem mudado, portanto, conflito serve como mecanismo de feedback nos avisando que nós precisamos atualizar algo sobre nosso relacionamento.”

A CNV vai tentar rastrear essas violências sutis, inclusive consigo mesmo, de frases autodepreciativas como “eu sou burro”, “eu não mereço coisas boas”, e assim por diante. Essa violência consigo e com os outros é o que a CNV vai tentar trabalhar através de uma mudança de perspectiva, que vai se refletir na comunicação.

Esse exercício só ficará mais fácil quando você começa a treinar uma comunicação não-violenta com você mesmo: quando você percebe que também tem necessidades não atendidas, assim como qualquer pessoa. É sobre exercitar que existem necessidades ocultas no comportamento de todos.

A IMPORTÂNCIA DE ESCUTAR

Como mencionado acima, quando você interrompe alguém ou quando não escuta, também são tipos de violência. Segundo Christian Dunker, psicanalista e professor titular de Psicologia da USP: “as culturas de indiferença e hiper individualização somadas a uma pobre formação para o debate no país contribuem para alimentar o nosso ‘desejo de não ouvir o próximo’.”

Isso demonstra que uma das nossas maiores dificuldades no diálogo é ouvir. O mais comum é pensarmos numa réplica e tentar dar a conclusão ao diálogo antes mesmo que o nosso interlocutor consiga terminar de formular seu argumento, interrompendo o fluxo natural da expressão do outro.

“Num nível mais profundo, ela (a escuta) é um lembrete permanente para mantermos nossa atenção concentrada lá onde é mais provável acharmos o que procuramos.” –  Marshall B. Rosemberg

VÍCIOS DE LINGUAGEM QUE IMPEDEM UMA CNV

Uma Comunicação Não-Violenta (CNV), visa eliminar uma linguagem acusatória, de julgamento, rotulação e de desumanização. 

Por exemplo, em um diálogo em que você está afirmando algo de forma incisiva, se cria espontaneamente uma dinâmica de resposta ou verdade absoluta: sendo assim, se você já respondeu, não há pergunta. Dessa forma, a fala se resume. Quando o diálogo se fecha em possibilidades e perspectivas, isso instiga o outro numa dinâmica violenta também.

Excluindo o comportamento de julgar de forma muito completa a partir de uma situação única e específica, o ruído de comunicação provavelmente não existirá. Pensando em exemplos mais práticos, como em um papo entre amigos que estão contando novidades e problemas pessoais, se espera escuta e empatia. Mas, muitas vezes, a conversa acontece de forma oposta ao esperado, e se resume nos comportamentos automáticos a seguir: 

  • Aconselhar (“Você devia…”);
  • Educar (“Encare isso assim…”);
  • Competir pela dor (“Já passei por isso e foi bem pior”);
  • Interrogar (“Como foi isso?”, “Por que você fez isso assim?”)

Se trata sobre estabelecer um diálogo sem deixar que a raiva, a frustração e a falta de paciência domine a discussão e possamos, enfim, conversar nos conectando com as nossas necessidades e as dos outros.

COMO PRATICAR A CNV E A ESCUTA ATIVA?

Um bom caminho para reverter uma comunicação destrutiva é entrar num espaço de vulnerabilidade, reconhecendo o que estamos sentindo, assim como o que o interlocutor sente e sua necessidade por trás do que expressa.

É prático pensar que toda comunicação é feita de forma compartilhada. Quando ela acontece, naturalmente se estabelece uma conexão entre as pessoas, que é o principal intuito da prática. A ideia geral da CNV é evitar o egoísmo para estabelecer uma troca mais positiva, assim como resgatar emoções e honestidade sem machucar o outro. Existem algumas formas de firmar essa conexão nos diálogos, resumidas a seguir:

  1. DESARMAR E ENTENDER: em momentos de recebimento de críticas é importante ter sensibilidade para entender o contexto e o ponto de vista do outro sem cair em pressuposições. Compreender sua perspectiva e o que levou a pensar daquele jeito pode ajudar a formular argumentos para desarmar o interlocutor, trazendo a conversa para um espaço de escuta ativa e acolhimento. 
  2. RECONSTRUIR JUNTO: é muito mais fácil aceitar a sua auto responsabilidade pelo impacto que tem no outro, do que apontar na fala alheia algo que te afetou. Isso pois transferir a culpa não resolve problemas. 
    Quando focamos só no problema, no atacar e a comunicação vira uma válvula de escape, a discussão deixa de ser construtiva e vira destrutiva.
  3. ESTABELECER PONTES: Com a tecnologia e as redes sociais, estamos cada vez mais em uma cultura de não-escuta. Dentro desse cenário, a escuta ativa e a criação de um contato pessoal e emocional é onde se encontra a conexão genuína. 

Como a terapia pode ajudar? 

Falar de CNV tem tudo a ver com autoconhecimento e inteligência emocional. Reconhecer a si mesmo, suas necessidades, sentimentos e descontentamentos é tarefa que se consegue fazer com autoconhecimento, e é ele quem nos dá pistas sobre entender o outro, criando assim um ciclo de empatia. 

E o melhor caminho rumo a essas duas capacidades é por meio de apoio. O Zenklub tem se tornado uma solução completa para o cuidado da saúde emocional e oferece, além de mais de 500 especialistas prontos para dar um cuidado personalizado, conteúdos e exercícios especiais sobre saúde emocional e também sobre CNV.

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